Livro bilíngue reúne desenhos com histórias e ensinamentos da cultura guarani de aldeia em Riozinho

No litoral norte do Rio Grande do Sul está localizada a Aldeia Yvyty Porã, na Terra Indígena Guarani Barra do Ouro, conhecida entre os não indígenas como “Aldeia do Campo Molhado”. Com um passado de resistência guarani, essa área foi retomada pelos Mbya Guarani e demarcada, há cerca de 30 anos, sendo uma das maiores terras indígenas exclusivamente guarani do Estado. Lá vive José Verá: autor do livro “Nhemombaraete Reko Rã’i: fortalecendo a sabedoria”, que reúne seus desenhos e, para cada uma deles, histórias e ensinamentos da cultura guarani. O livro tem 128 páginas e pode ser adquirido no valor de R$ 60,00 pelo site da Editora Riacho, na livraria Via Sapiens (Porto Alegre) e também direto com o autor.

José Verá, de 71 anos, é um desenhista autodidata que nasceu para a “contação de histórias”. A Aldeia Serra Bonita (Yvyty Porã), situada entre os municípios de Riozinho, Caraá e Maquiné, serviu de inspiração e guia. “Eu escrevi aqui, dentro dessa casa, dentro da minha aldeia, no meio da minha família”, relembra o artista. “Não saí para outro lugar. Eu recebi uma mensagem diretamente para mim”, explica. Produzidos a lápis e caneta, os desenhos espelham a espiritualidade do povo Mbya Guarani e sua relação com a biodiversidade.

Mensagens sobre ecologia e vida em comunidade permeiam a obra. Com títulos como O Lua (Jaxy), O Sol (Kuaray), Nossa mãe verdadeira (Nhandexy anhetêngua), Erva-mate (KaꞋa), Escola (NhemboꞋea), os temas do livro rendem lições para indígenas e especialmente para não indígenas. As histórias evidenciam a íntima relação que têm os povos indígenas com o território. E por isso trazem à luz a relevância que teve a luta travada pelos indígenas pela autodemarcação dessa área há três décadas.

As histórias que compõem “Nhemombaraete Reko Rã’i: fortalecendo a sabedoria” foram ditadas por José Verá a professores guarani, que fizeram posteriormente a revisão e tradução para a língua portuguesa. O livro foi composto de forma colaborativa, com visitas à comunidade com protótipos impressos e digitais para decidir o visual final da publicação.

O projeto foi executado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/20 e é uma das ações da AEPIM (Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários), organização não governamental que atua desde 2009 em parceria com povos indígenas, quilombolas, comunidades pescadoras e de agricultura familiar. A publicação tem edição e projeto gráfico do selo editorial Riacho ativo desde 2016 com foco no fazer poético e na diversidade socioambiental.

* Foto de capa: Sérgio Guidoux

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