Aprendendo a esperar

Alguns jovens sobreviventes da pandemia, que já se amontoam por aí, também inventam uma nova maneira de impor suas convicções presencialmente. Com frequência têm surgido brigas e depredações ao ar livre e em bares, de gente disposta a quebrar tudo.

Não sei se é liberação da energia represada pelo confinamento ou problemas psicológicos. Pode ser, ainda, que as redes sociais já não bastam para o bate-boca infrutífero que destila ódio e intolerância no meio virtual. Também pode ser que essa gurizada precise de trabalho e de propósitos mais consistentes para tocar a vida pós-Covid ou de um psiquiatra para tratamento imediato, antes que seja tarde demais.

Até porque, sabe-se que, além dessa revolta explicitada em posts, muitos jovens adolescentes, principalmente, estão cometendo suicídio em índices assustadores no mundo todo. Pode ser frustração, desânimo, depressão, enfim, o que for, mas um sinalizador de que há alguma coisa errada com essa gurizada que deveria estar em plena atividade, sonhando em construir e reformar o mundo.

Muitos, porém, seguem o caminho da esperança e do otimismo, claro, motivados por alguém ou por si mesmos. Já essa galerinha que sai na porrada, virtual ou presencialmente, talvez esteja lutando contra seus próprios fantasmas, alimentados pelo que não existe, na falsa impressão de que o outro é mais bonito, mais rico, mais direitista, mais esquerdista, mais tudo, enfim.

Sentimentos potencializam ações positivas ou negativas. Difícil mensurar a emoção de cada um e suas possíveis reações, mas é fácil identificar o discurso por trás de um perfil e quem patrocina a pancadaria no bar. Um olhar mais atento denuncia algo que se perdeu, uma certa carência, uma lacuna e um desafio a mais para todos nós que também estamos lutando para entender tudo isso.

Lembrei que, quando criança, a rua era o nosso pátio para brincadeiras e até, raramente, algumas brigas por causa do “jogo de taco” ou “caçador”. Mas tudo era resolvido em poucos segundos com a turma do deixa disso, já que o tempo era algo precioso demais para quem só tinha a rua e os amigos para brincar, sem computador ou celular.

A única frustração era ouvir o chamado para entrar em casa quando a noite caía. E ninguém ousava desafiar a autoridade dos pais ou se rebelar contra a situação, já que no outro dia era preciso garantir que estariam todos reunidos de novo no mesmo local para terminar a partida e recomeçar outra e outra e mais outra. E assim, aprendemos a esperar… e a viver.

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