ESCOLHAS: Como tomar as melhores decisões

Alguma vez você já entrou no modo ‘piloto automático’? Muito provavelmente sim, porque este é um comportamento comum do ser humano. Parar e prestar atenção nas tarefas que estão sendo executadas, ter atenção ao momento presente, pode evitar alguns acidentes de percurso. Seguir simplesmente o fluxo não é o mais recomendado. Então, em dados momentos, sempre que possível, é valioso refletir e avaliar qual a melhor decisão, desde as pequenas, até as mais complexas. Quer você tome uma decisão, quer você não tome, indiretamente você está tomando uma decisão. O mais importante é que sejam decisões conscientes.

Diariamente tomamos inúmeras decisões. E as decisões são universais? Não. Varia de pessoa para pessoa, de cultura para cultura. Para algumas pessoas ‘levantar’ é uma decisão, para outras é uma ‘obrigação’. A nossa capacidade de decidir está relacionada às minúcias entre as opções. 

Quanto mais opções, melhor? Nem sempre. Hoje há um mar de opções para a maior parte das coisas. Quando temos mais de 10 opções, se torna mais difícil decidir, porque você pode ficar insatisfeito pelas escolhas que terá que abrir mão. A isso chamamos de Paradoxo da Escolha. As dificuldades de escolhas geralmente estão associadas a quantidade de opções e a complexidade das opções disponíveis.

As decisões se dão a partir das projeções de futuro pelo indivíduo. A mente forma representações neurais que são apreendidas por meio dos circuitos neuronais, de forma individual – somente o próprio indivíduo tem acesso às imagens que são formadas em sua mente, sendo assim, apenas ele pode tomar decisões, não podendo atribuir a mais ninguém a escolha realizada (Damásio, 2011). Atribuir uma decisão a um terceiro, pode parecer uma solução quando estamos com dificuldade de saber o que fazer. Um vestibulando que está em vias de decidir o curso que vai fazer/profissão pode preferir que os pais decidam ou mesmo que seu orientador de carreira faça isso. Estas pessoas podem colaborar, ajudar a pensar – e certamente farão isso, porém a decisão precisa ser do indivíduo – porque é a sua vida que está em jogo. 

A informação é um insumo fundamental para boas decisões. O recomendado é que cada aspecto seja avaliado e que sejam feitas comparações. Avaliar o que se ganha e o que perde em cada escolha pode colaborar para a decisão. 

Existem alguns exercícios que ajudam a reduzir a complexidade de uma situação, nos permitindo a concentração no que é mais importante. A partir desses modelos é possível simplificar, sintetizar, focar, enxergar e organizar as ideias.

O modelo/exercício dos elásticos ajuda a pensar nos prós e contras. “O que está me atraindo?” e me puxa para a frente e “o que está me segurando?” e me puxa para trás. Vamos imaginar que uma pessoa está com o dilema de tomar uma decisão muito importante para o seu futuro. Por exemplo: mudar de profissão, mudar de cidade, findar um relacionamento. 

Os métodos ajudam a refletir para que a decisão seja mais assertiva e segura. São propostas questões no lugar de respostas diretas, levando a reflexão e, a medida que são preenchidos, trazem clareza quanto ao que fazer (Krogerus e Tschäppeler, 2017).

Modelo dos elásticos – Fonte: O livro da decisão (Krogerus e Tschäppeler, 2017).

Quero também destacar que existem dois modos diferentes de pensamento no cérebro que nos ajudam a entender porque decidimos por A ou B: O sistema 1 que é mais rápido e automático, ligado ao lado inconsciente do cérebro e também às nossas emoções, atuando sobre o que é emocionalmente relevante, o que gostaríamos muito de ter. O sistema 2 é lógico, controlado, demorado, requer mais atenção, é deliberativo, analítico e racional, com decisões menos emocionais e mais pé no chão. É aquilo que a gente precisa fazer. Os dois sistemas vivem em conflito dentro de nós. As intenções declaradas precisam ser harmonizadas com a emocionalidade para que sejam construídas intenções genuínas. E, assim, será tomada a melhor decisão. A melhor forma de coordenar o seu pensamento é harmonizar a sua liberdade com o seu livre arbítrio para uma vida mais plena. Nesse sentido, sugere-se temperar com emoções aquilo que é necessário fazer, formando uma nova conexão com áreas diferentes do seu cérebro.

No livro ‘Ponto de inflexão’ do autor Flávio Augusto, ele explica que o ponto de inflexão é o momento em que uma decisão que tomamos pode fazer nossa vida mudar totalmente de rumo. A todo momento estamos decidindo sobre as mais variadas situações e essas pequenas decisões também são importantes para formar nossa trajetória. É necessário observar nossas decisões do dia a dia, pois algumas ainda que pareçam menores que outras podem determinar mudanças com impactos maiores lá na frente. Flávio utiliza de sua própria história como exemplo de como esses momentos podem abalar nossa confiança e de como é importante escolher com prudência. Quando erramos quem está do nosso lado também paga o preço. Devemos levar em consideração também o impacto na vida de quem nos cerca. Muito importante que possamos sair da zona de conforto e se arriscar em novos desafios seja para aprender seja para buscar resultados melhores (Augusto, 2018).

Para quem quer conhecer mais sobre a arquitetura das escolhas, tenho a indicação do livro ‘Nudge‘ dos autores Thaler & Sunstein, 2019. Aproveito para dar um spoiler de que Nudge é um estímulo – são quaisquer aspectos da arquitetura das escolhas que influenciam a mudança de comportamento e estão por toda a parte. Um exemplo é a disposição de alimentos numa cantina, o tamanho do prato num restaurante.  Por meio de pequenos estímulos (nudges) políticos, pessoais, de instituições públicas e privadas podem ser obtidas grandes conquistas com relação a saúde pública, finança e luta contra a desigualdade.

Recomendo que você também assista na Netflix ‘O dilema das redes’ para entender mais sobre a arquitetura das escolhas. Receber recomendações pela inteligência artificial da Netflix, das redes sociais, do Google, do Youtube pode parecer interessante e facilitar a nossa vida. Alerto apenas para que não aceitemos todas as proposições. Assim, a gente não entra num piloto automático e podemos seguir fazendo as nossas escolhas, dentro do que é melhor para cada um de nós.

Escolhas costumam ser difíceis, seja na carreira, seja na vida como um todo. 

Torço para que essa reflexão acerca da tomada de decisão tenha te ajudado de alguma forma. Estou à disposição para te ajudar com relação às escolhas de carreira e planejamento profissional. Acompanhe as redes Instagram, Facebook e Youtube.

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