Era uma vez…

Era uma vez uma pandemia e, um ano e três meses depois, ela continua sendo, ao menos nesta República das Bananas ou da Covid, já que banana, ao contrário desta peste, é saudável e faz bem.

Incansáveis, exaustos e, imagino eu, de saco cheio como todos os que zelam e imploram pelo bem-estar coletivo, os profissionais da saúde continuam repetindo os mantras ininterruptamente: use máscara, lave as mãos, não se aglomere, mantenha o distanciamento. E… nada!

O que se vê é estarrecedor, deprimente, desestimulante, um deboche, uma afronta, com aval de um doido que sai por aí de motocicleta pregando uma liberdade impossível, ao menos neste momento. Os motociclistas de verdade, aliás, devem estar morrendo de vergonha de gestos irresponsáveis como este, que só desonram a categoria.

Saudade do tempo em que liberdade era apenas uma calça velha, azul e desbotada e de quando sair por aí de motocicleta era, e continua sendo, um privilégio e uma libertação, apesar dos perigos impostos hoje por um trânsito mais caótico e por este piloto que saiu das trevas em um pacto insano com a morte.

Já nem cito mais nomes, evito politizar e polarizar qualquer assunto, desde sempre, antes mesmo de haver rede social, mas às vezes, ainda que de saco cheio, a gente repete e repete e repete os mantras que salvam vidas, assim como as vacinas que são nossa única salvação.

Tomei a primeira dose da AstraZeneca no mês passado e, ainda assim, não me sinto confortável para andar sem máscara, nem para viajar de avião e muito menos para aglomerar pessoas na nossa casa. Falta pouco, mas o coletivo fala mais alto por aqui. Claro que seria mais fácil pensarmos apenas em nós e danem-se os negacionistas. Danem-se, mesmo, só que nós estamos fazendo a nossa parte há um ano e três meses e pelo tempo que for necessário.

Com a maioria vacinada, tenho certeza de que poderemos ser mais egoístas novamente para sair livremente por aí, num avião ou numa motocicleta, com a cara (sem máscara) e a coragem, além da consciência tranquila de que fizemos o melhor, por nós e pelos outros. O resto é história para boi dormir que ainda pode ser transformada num conto mais otimista, daqueles que começam daquele jeito dizendo… Era uma vez. E que assim seja!

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