Viver é melhor que sonhar

O livro ou o road-book (como está sendo chamado) “Viver é Melhor que sonhar”, de autoria de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, tenta resgatar os últimos dez anos da vida do cantor Belchior, que morreu em abril de 2017, depois de ter desaparecido por livre opção e escolha de vida do cenário musical, em circunstâncias estranhas e surpreendentes para alguém famoso como ele.

Como fã, estou devorando a história para saber mais deste gênio da MPB que deixou um legado de composições poéticas, literárias e reflexivas, como poucos músicos sabem fazer. Mas não vou dar spoiler e o jeito é ler o livro para entender (ou não) como agiram e por que somem dos palcos celebridades do nível de Belchior. Vale ressaltar que isso foi antes da pandemia, quando ainda havia shows presenciais.

Também ando às voltas com a biografia oficial de Janis Joplin, cantora e compositora de um talento ímpar, igualmente polêmica e, coincidentemente, engajada no movimento Beat, On The Road, e que se foi aos 27 anos, lá nos tempos de Woodstock, como tantos outros, desde então.

Janis Joplin

Ambos fizeram muitas coisas boas e muitas coisas assustadoras, obviamente, como qualquer ser humano. Por isso mesmo, me isento de julgamento e me atenho a ler versões mais verossímeis possível para me aproximar da vida e da obra desses talentosos artistas.

A arte subverte e nos aproxima, sublima e abstrai, aproxima e afasta, alegra e entristece, mas acho que não conseguiríamos sobreviver sem os nossos ídolos, cultivados desde a infância e, principalmente, no período da adolescência. Por isso eles não morrem! Partem pegando a estrada para não voltar, embora permaneçam vivos para os fãs, eternamente, por meio de sua obra, seja musical, literária, cinematográfica ou o que for.

Sei que muitos jovens que me leem agora sequer imaginam quem foi Belchior ou Janis Joplin. E estão certos porque têm seus próprios ídolos, que talvez eu sequer saiba quem são, embora me embrenhe no mundo cultural para novas descobertas com a maior boa vontade, descobrindo novidades, especialmente no mundo do rock.

Viver sempre será melhor que sonhar, ainda que sem o sonho fica difícil seguir vivendo. E aí retornamos à arte como resgate, tábua de salvação, estrada para fugirmos para onde quisermos, com a opção até de não voltar.

O fato é que para a ignorância cultural não tem vacina. Imune está quem viaja, mesmo confinado, pelas páginas de um livro, ouvindo um disco, assistindo a um filme, seja física ou virtualmente. Há cura e esperança no imaginário, no sonho, na fantasia, nas opções de vida que fazemos, acompanhados ou não, certos ou errados, mas felizes, se ouvirmos o nosso coração.

Belchior

Ninguém está imune às vicissitudes da vida, como essa pandemia inimaginável para qualquer ser humano nos últimos 100 anos, mas há que ser autêntico e se blindar daquilo e daqueles que não importam, que não acrescentam, que não vivem e não sonham.

Disso é feito a vida. “Por isso, cuidado meu bem, há perigo na esquina”, cantava Belchior, e eu acrescentaria com sua própria poesia que, mesmo assim…”Viver é melhor que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa”.

Muito amor para todos e, especialmente às mães, que sabem nos alertar muito bem dos perigos de cada esquina, mas acima de tudo, sabem nos amar do jeito torto que somos.

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