Fabrício Carpinejar lança livro de memórias com as lições que aprendeu com a mãe

Não são raras as homenagens póstumas de filhos para mães em livros. A inspiração muitas vezes surge da ausência, da saudade. Coragem de viver, novo livro de Fabrício Carpinejar que chega às lojas pela Editora Planeta, nasce da vontade de homenagear a mãe, a poeta Maria Carpi, pelos seus 30 anos de literatura comemorados em 2020, ano em que o isolamento social, o medo e as incertezas consequentes da pandemia fizeram as pessoas repensarem a forma como vivem e a perceberam a importância dos laços.

Ao longo de quase 60 textos acompanhados de ilustrações, Carpinejar apresenta memórias antigas e recentes da mãe transformadas em reflexões e lições de vida. Uma das principais poetas brasileiras da atualidade, Maria Carpi foi quem ensinou o autor a ler quando a escola havia desistido dele, quem o ajudou a criar sua filha quando era universitário e quem comprou parte da edição de seu primeiro livro sem que ele soubesse. Ela também foi quem precisou recomeçar depois do divórcio aos 40 anos e tendo 4 filhos, contas para pagar e nenhum bem. No livro, Carpinejar resgata as lições mais importantes que absorveu na companhia na mãe em uma narrativa que emociona, envolve e gera identificação para quem lê.

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Nem mesmo acontecimentos cotidianos como o ato de devolver um pote para a mãe que antes estivera cheio de alguma porção de comida afetiva passam despercebidos nas reflexões do autor, que ressalta a importância em se retribuir gestos generosos. “Nós, filhos ingratos, achávamos que lembrar de lavar as vasilhas já demonstrava um carinho suficiente. Mal notávamos nossa mesquinhez: recebíamos um pote cheio e devolvíamos vazio”, ele escreve.

No livro, Carpinejar aborda temas como fé, ciúme, longevidade, sensibilidade, compaixão, egoísmo, dor, tristeza e superação. Em um dos textos, ele discorre sobre a relação da mãe com a morte para trazer uma consideração sobre a questão “Ela diz que não vai morrer por agora, pois ainda tem algo a dizer. Não conheço tamanha sabedoria para explicar o nosso fim. Só morremos quando não temos mais nada a falar. Quando o silêncio é perfeito. (…) Nossa bagagem é o coração cheio. O morto não sofre com a sua morte. São os vivos que não suportam a saudade”.

Fabrício Carpinejar / Foto: Beatriz Reys

Relembrando um período de dificuldade financeira da família, após a separação dos pais, Carpinejar tira um dos mais valiosos ensinamentos: “Jamais fui tão feliz na infância. Por não ter nada, éramos tudo um para o outro.” Além de uma homenagem à mãe, Coragem de viver é um convite a todos os leitores a repensar as questões da vida e encarar as dificuldades como um processo de aprendizado.

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