Eu já fiz a minha mala e fui embora!

Acredito que foi na idade dos meus 8 anos. Ninguém veio atrás! Fui até a metade da quadra na esperança que alguém viesse atrás de mim.

Na mala, tinha apenas algumas roupas dentro, porque eu tinha preguiça de depois ter que arrumar tudo de novo.  No fundo eu sabia que eu estava querendo chamar a atenção. Estava com pena de mim mesma.

Sorte que ninguém veio. Lembro que deve ter durado cerca de 15 minutos, até eu ficar com medo de passar fome e não ter onde dormir. Não lembro exatamente por qual motivo tomei tal atitude, mas acredito que minha intenção era a de ser notada.

E você também fez as suas malas?

“Queria contar minha história de fugir, mas eu não lembro o motivo, só lembro que fugimos. Vou ver se minha mãe lembra o que aprontamos, eu tinha 5 anos. Quando nos mudamos para nossa casa nova, eu a minha irmã com 5 e 7 anos respectivamente não gostamos do lugar. Não tinha amigos, vizinhos e muito menos a vó do lado. Então pegamos nossas coisinhas e fugimos, mesmo a mãe falando que iríamos fazer novos amigos e continuaríamos indo na casa da vó. Andamos até a esquina, conversamos, ninguém veio atrás da gente. Então decidimos voltar. Meus pais sabiam que ligo íamos nos adaptar com a mudança toda. Detalhe, só mudamos de casa, era no mesmo bairro a gente continuaria na mesma escola. Mas na nossa cabeça era muito, muito longe”. Relato da Bruna

Que outras atitudes ou pensamentos já tivemos para conseguir atenção, por não concordar com algo ou conseguir afeto?

Todo mundo precisa de atenção e carinho e o que fazemos na vida é repetir as experiências que registramos desde a nossa infância. A forma como recebemos os afetos ou não, será reproduzida no mundo em que vivemos. E a afetividade está em tudo: na comunicação, nas relações e no trabalho.

Quando nós crianças não recebemos atenção suficiente, influenciará nas nossas relações na fase adulta. Por outro lado, o excesso de atenção também prejudica, fazendo com que se acredite que a nossa alegria sempre dependa de alguém.

Acredito que a gente vá dando sinais. O ato de fazer a mala para mim traz a vontade de mudar, de pegar outro rumo, de deixar para trás algo que não se quer levar.

Quantos relatos já ouvimos, falamos ou pensamos, como: 

“Vontade de largar tudo e ir embora!”
“Eu não aguento mais!”
“Estou no meu limite!”
“Vou fugir para bem longe!”

Se formos embora, o que é nosso vai junto! O que precisa acontecer ainda se já não aguenta mais? Qual é o teu limite? Quer fugir de quem, do que?

Ponha na mala:

  • Querer melhorar como pessoa;
  • Reconhecer as nossas qualidades;
  • Valorizar-se;
  • Aprender a lidar com as nossas limitações e não nos diminuir por esses motivos;
  • Amar-se do jeito que somos;
  • Observar o quanto as pessoas gostam da gente, mesmo que elas tenham formas diferentes de demonstrar os seus sentimentos;
  • Elogie-se;
  • Aprecie a sua própria companhia;
  • Aproveite e tire um momento para você;

E se puder faça as malas e vá viajar para o destino da tua criança, das tuas próprias histórias.

Muri 💛

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