Sãos e salvos?

Dois arco-íris marcaram a virada do ano por aqui, em 2019. Parecia um motivo extraordinário para festejar a chegada de 2020 com todas as cores, de esperanças duplicadas. Também não faltou a lentilha, o espumante e muitos brindes.

Os fogos eu dispenso sempre, e nem pensar em pular as sete ondas. A lentilha já está de bom tamanho para começar o novo ano bem alimentado, já que os excessos serão compensados a partir do dia primeiro, com certeza, como reza a tradição e as promessas nunca cumpridas depois da virada.

Mas nem todas as superstições e videntes conseguiriam prever e impedir o que viria em 2020. Mal deu tempo de tentar perder aqueles quilos a mais adquiridos com a comilança desenfreada das festas de final de ano e já fomos intimados a ficar em casa, confinados pelo medo, assustados pelo desconhecido, incrédulos diante do vírus invisível e devastador.

E lá se vão quase doze meses de muitos sobressaltos, obstáculos, desafios, perdas, aprendizados e adaptações, além de cursos e encontros on-line, home office, séries por streaming e compras pelo e-commerce. Tudo isso, sem poder fazer aquele churrasco com os amigos e muito menos reencontrá-los para brindarmos (se é que a palavra é apropriada), a chegada de 2021.

Mas, como não há nada que esteja ruim que não possa piorar, chegamos ao final deste ano pandêmico com uma situação bem pior da que estávamos em março, em nível planetário, graças à falta de educação e de respeito dos seres humanos, que insistem e permanecem em estado negacionista.

Portanto, caros amigos, vamos cancelar novamente aquele prometido encontro que tínhamos certeza de que iria acontecer nesta virada com todos os sobreviventes. Mesmo vivos, esgotados, ainda temos que esperar bem mais do que o previsto, ainda que sem nenhuma previsão concreta para os próximos meses, ao menos para nós, brasileiros.

De qualquer forma, haverá lentilha. Arco-íris, nem pensar! E drinques, obviamente, para entorpecer a mente afetada com tanta notícia ruim ao longo de 2020. Não vai ter fogos, não vai ter abraços, nem aglomeração por aqui, mas vai ter aquela centelha de fé que ninguém vê, mas que brilha como os olhos esverdeados daquela moça chamada esperança e que está logo ali, depois do segundo arco-íris, aquele que nos roubou parte da vida em 2020, mas que também nos deu a chance de enxergarmos bem além do horizonte.

Saúde, paz e esperança a todos vocês, caros leitores, com muitas bençãos, mas sem desistir da máscara, do álcool em gel, do distanciamento e, principalmente, da vida, que nos permitiu chegarmos até aqui, sãos e salvos (por enquanto).

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