Prezado Papai Noel

“Todos os anos recorro às cartas para falar com o senhor. Não sei como você vai fazer esse ano, afinal, ainda estamos envolvidos com a pandemia e continua valendo a orientação de distanciamento social. Talvez você tenha que recorrer à alguma empresa de entregas. Olha, já comprei da Amazon e a entrega foi super rápida, tenta ver quem faz isso para eles… Porque se você atrasar as entregas de Natal, o pessoal vai te “metralhar” nas redes sociais. Você vai ver o que aparecerá de entendidos em logística, em entregas… Coisa de louco.

Eu fico pensando se você está realmente no grupo de risco, afinal, faz tantos anos que trabalhas no mesmo ramo e tua aparência nunca muda. Vai saber se você não usa alguma fórmula milagrosa para manter a vitalidade, algum shake miraculoso. Podia indicar o nome, não é? Aliás, com tantos anos de trabalho, você não deveria estar aposentado?

Preciso te confessar que todos os anos sempre cumpro à risca as orientações de ser certo, de fazer o bem, porque do contrário o Papai Noel não vem. Acontece que normalmente não recebo o que pedi. Sei, sei, não posso reclamar porque tenho saúde, bons amigos, uma família adorável. Te confesso que sim, algumas vezes relaxei no controle relacionado ao Coronavírus, saí sem máscara, ninguém é de ferro… Se alguém exagerar na dose, dizendo que me viu fazendo aglomeração e coisa e tal, por favor, desconsidere, é Fake News.

Eu já te perguntei, em outras oportunidades, a respeito do senhor usar renas para puxar seu trenó. Olha, quem avisa amigo é. Você não se preocupa com os pobres bichos? E o Ibama, não fica no seu pé? Nunca pensou em usar um trenó movido a energia elétrica, sustentável?

Eu estou te enchendo de perguntas, mas é porque nas reuniões de amigos e família essas perguntas normalmente vêm à tona. E eu estou servindo de porta-voz. Se te chamam de Papai Noel, por que raios nunca ninguém viu teus filhos? Tudo bem, entendemos a questão de privacidade, mas tu és uma figura pública. Custa mandar uma fotinho deles?

Não quero fazer fofoca nessa carta, mas queria te dizer que um amigo meu participou outro dia de um churrasco, todo mundo era para levar sua bebida. Todos trouxeram Heineken, ele trouxe Glacial, e bebeu a cerveja dos outros. Acho injusto se você o considerar um bom menino, é preciso uma reprimenda.

Talvez muita gente vai te escrever pedindo a mesma coisa. Se os pedidos forem no sentido de saúde, felicidade, união, por favor, o senhor é uma pessoa bem relacionada, certamente tem vários contatos, então, dá uma forcinha e tenta ao menos trazer isso para nós. Esperança a gente mantém, sempre, pode ter certeza, mas se tiver em estoque manda também porque a coisa aqui às vezes complica.

Encerro aqui minha carta. Papai Noel, te considero pra caramba, sem demagogia. Capricha aí no meu presente. Agora, tu tens que colaborar, porque senão, ano que vem, vou recorrer ao Procon ou ao STF.

Uma última informação: as andorinhas fizeram ninho na chaminé da lareira. Por favor, use a porta da lavanderia, vou deixar ela aberta. Só tome cuidado se o Tóbi estiver solto, ele odeia roupa vermelha.            

Um abraço, Papai Noel!”

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