Dons (quase) despercebidos

Em minha trajetória profissional já passei por algumas seleções e, em algumas delas, era confrontado com uma pergunta que parecia ser difícil de responder: “Diga uma qualidade tua”. Talvez tenha ocorrido ou ainda aconteça com vocês, mas sempre nos parece mais fácil falarmos de nossas carências (não gosto do termo “defeito”, porque “carência” me passa a ideia de que é possível supri-la). Seria uma “herança” de nossa criação, afinal, em algumas famílias e grupos a cobrança, a identificação do erro, trata-se de uma questão cultural.

Talvez por motivos como esse a gente se acostuma a não valorizar alguns dons que temos. Com frequência eu costumo citar pessoas de minhas relações nas colunas aqui do Drops, porque eu acredito que são essas pessoas que convivem comigo que fazem o meu dia-a-dia diferente e que me inspiram. Talvez com você, querido leitor, não seja diferente.

Uma conhecida minha, a Mirinha Paiva, foi bancária por muito tempo e hoje desfruta a tranquilidade da aposentadoria… Tranquilidade? Para lá… A Mirinha, defensora das causas animais, recebe caixas de leite “Tetra Pak” e, com muita dedicação, transforma esse descarte em casas para cachorros de rua… Eu próprio adotei o hábito de levar caixas de leite que aqui em casa acabam sobrando. A união do útil ao agradável: os cachorros ganham casas e o que iria para o lixo ganha um destino nobre.

Dona Nilse, outra amiga, usou o tempo de distanciamento e começou a produzir máscaras, que sobretudo são extremamente confortáveis e com estilo. Eu já a nomeei como “estilista”, apesar da sua formação profissional ser na área do magistério. Em comum com a Mirinha, Dona Nilse é mãe de um grande amigo meu. Mirinha e Nilse são aquelas “mães” emprestadas, dado o carinho que dispensam para quem as rodeia.

De um amigo de infância, o Rodrigo, ou “Ico”, para os mais chegados, admiro a destreza em preparar um “Strudel” com “Käschmier”… E olha que o Ico é de origem italiana… De lamber os dedos! Tanto que providenciei os ingredientes e pedi a ele para fazer. Importante, a esposa do Ico ajuda. Já que estamos falando nos dotes culinários, meu amigo Rogério Rangel faz um prato batizado de “Picanha Baby” que é uma delícia. Receita do molho é segredo mais guardado que a fórmula da Coca-Cola.

A Cláudia Marin, assídua leitora de minhas colunas, tem o dom incrível de, em frases curtas mas cheias de significado, abordar temas por vezes espinhosos, trazer leveza à nossa rotina ou simplesmente nos fazer refletir. Admiro muito essa capacidade dela, vejam eu… Quantos parágrafos preciso escrever para poder me expressar (risos)…

Como pai em constante aprendizado (sim, nossos filhos nos ensinam mais que nós a eles) também vou descobrindo novos dons. Um dom que aprendi a valorizar foi o da escrita, que aliás procuro aprimorar constantemente.

“Ah Douglas, tu está falando de pessoas comuns”… Pode até parecer, mas eu citei todas essas pessoas porque elas não são comuns, para mim elas são incríveis. Digo isso porque elas não são estrelas da TV, nem grandes empresários, nem blogueiros de sucesso. Não, são pessoas com uma vida simples, de grandes desafios às vezes, mas que fazem um esforço tremendo para “vencer na vida”, ao mesmo tempo que, mesmo sem perceberem, fazem uma diferença tremenda na vida de outras pessoas, como na minha. Seja com um bom dia, com uma boa ação, com um convite para uma cerveja ou churrasco, com um “mimo”, pelo simples fato de fazerem meu dia melhor.

Aposto que você tem pessoas assim em sua vida, e é justamente essa analogia que procuro fazer ao citar pessoas das minhas relações. Talvez você tenha se identificado com a coluna de hoje. Tenho certeza que você tem pessoas muito importantes junto de vocês. Que tal lembrar essas pessoas dos dons e qualidades que elas têm? Que tal postar nos comentários da coluna os teus dons?

De tudo, fica um grande dom nosso, o de conviver, de nos unirmos e de valorizar os momentos juntos. Mesmo que momentaneamente nossos abraços e encontros sejam virtuais, a vida é um dom incrível, que nos oportuniza momentos únicos, de “somarmos”,  para “dividirmos” felicidades e experiências!

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