Uga!

Queridos amigos! Escrevo do confinamento antecipadamente para que não estranhem, quando nos reencontrarmos (espero que antes de 2039), os seres que habitam esta casa. Não me refiro aos cachorros, nem aos pássaros, nem às galinhas e nem aos gatos.

Falo da gente mesmo, seres humanos, só que talvez um pouco transmutados, não só interna, mas externamente. Quase Neandertais, agora, com os cabelos longos e grisalhos, como os velhos índios norte-americanos que víamos nos filmes da sessão da tarde.

Coluna Rose - 07.04.20

Meu marido ostenta um topete que eu acho lindo e ele detesta. Até já me prontifiquei a aparar as pontas das melenas, o que não foi visto com bons olhos. Tudo bem! Vai ter que esperar o fim da quarentena, da cinquentena ou até sei lá quando.

Eu também não frequento mais o cabeleireiro, nem a manicure e muito menos a estética, o que está agravando os efeitos da idade, por um lado, mas me libertando dessas amarras, por outro. Confesso um certo alívio em não precisar estar sempre linda e maravilhosa para agradar aos outros.

A única rotina que não alterei foi a dos exercícios físicos, feitos em casa, com aulas a distância via internet, só que substituindo os pesos por garrafas d´água de dois e cinco litros. Não riam! Sinto saudades do grupo e das conversas na academia, o que estou sublimando bebendo todo o líquido que há nessas e em outras garrafas, após os treinos. Incluindo o álcool em gel, claro!

Nada nessa situação me impede de praticar, ainda, a corrida de rua, principalmente atrás dos animais pré-históricos que eu tenho visto todos os dias invadindo o meu pátio. Semana passada avistei um Platybelodon, que lembra os elefantes, e um Megatherium, muito parecido com uma preguiça gigante. Também podem ter sido os vizinhos que saíram de casa em busca de alimento. Vai saber!

Coluna Rose - 07.04.20 (2)

Parte do meu tempo tenho dedicado à arte, à música e à literatura. Eu e meu marido já estamos até fazendo pinturas rupestres em uma rocha aqui de casa para deixarmos nosso legado cultural às futuras gerações ou aos extraterrestres e seres mais evoluídos que virão, caso a humanidade seja extinta. Mas se tudo der certo, sobreviveremos, comendo as plantas do jardim e os ovos de galinha (isso se a gripe aviária não voltar). Brincadeiras à parte, queridos amigos, estamos ansiosos para recebê-los em nossa caverna assim que for possível. Só é prudente agendarem com antecedência porque temos churrascos e happy hours marcados para os próximos cinco anos, todos os dias, ininterruptamente.

Até lá, vamos nos falando por sinais de fumaça!

Uga, Uga, buga! (Traduzindo: abraços e saudade de todos)!

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