Abraços! Use sem moderação!

Sou de uma geração que viu, em 2001, o ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova York, em cenas dignas de filmes de guerra ou suspense. Agora, quase vinte anos depois, um inimigo invisível, microscópico, chamado Corona Vírus, nos coloca novamente em suspense, e outra vez promove cenas que eu via apenas no cinema ou na TV.

A grande maioria de nós encontra-se confinada em casa, por senso de responsabilidade, mas sobretudo respeito por si mesmo e pelas pessoas que nos cercam, para evitarmos ao máximo a disseminação do vírus e, com isso, diminuir os possíveis efetuais negativos que essa pandemia pode causar.

É um tempo de readaptação, de (re)avaliação, e novos (velhos) hábitos (esquecidos).

Coluna Douglas - 27.03 (1)

Dias atrás, comemoramos o aniversário de meu filho, Henrique, momento em que pudemos contar com a presença de familiares e de preciosos amigos, que nos encheram de abraços. Uma semana depois do aniversário do Henrique, eu festejei meu aniversário, e também recebi o carinho presencial de muitas pessoas queridas. Como sou privilegiado… Tenho absoluta certeza que tudo voltará ao seu ciclo, que os abraços serão novamente constantes, mas até lá temos um caminho de aprendizado e reflexão. Temos amigos muitos especiais que comemoraram seus aniversários à distância, e nesse momento a tecnologia aplacou um pouco à vontade de estarmos juntos… E com chamadas de voz ou vídeo é que fortalecemos nossos laços em tempos de confinamento social.

Já faz um bom tempo que adotei com familiares e amigos bem próximos o hábito de manter contato semanal. Não sendo possível o contato presencial, é através do telefone ou whats que a gente joga conversa fora, trata de assunto sério ou combinava (e voltaremos a combinar) qual seria a programação conjunta do final de semana. Por hora, as combinação de almoços/jantas ou passeios foram substituídas por dicas de filmes, de séries, de livros, mas sobretudo, por palavras de incentivos mútuos e, o mais importante, pela manifestação livre e sincera de amor e carinho, dizendo às pessoas, sejam familiares ou amigos, o quanto são importantes para nós. Estamos fazendo valer aquela “máxima” que diz que devemos falar hoje nossos sentimentos para as pessoas, sem perder tempo ou esperar.

Coluna Douglas - 27.03 (4)

Nunca os tomates-cerejas (orgânicos, bom ressaltar) que minha mãe colhia e enviava por meu irmão fizeram tanta falta. Muito mais pelo gesto do que pelos tomates em si. Nunca desejei tanto fazer “spritzbier” com minha avó Elly. Que falta tem feito os passeios de bicicleta com o Henrique até o Parque do Trabalhador, passeios que agora reservam-se ao espaço comum do condomínio onde moramos. Que falta faz o chopp com os amigos, às idas a Igrejinha, as subidas à Serra, decididas muitas vezes em cima da hora mesmo.

Mas tudo isso passará, tenhamos fé e discernimento para suportar esse período de reclusão. Ao mesmo tempo que sinto falta de contatos com pessoas especiais, a nova rotina me permite estar bem próximos do filho e esposa. O home office, alternativa para não parar a atividade profissional, se intercala com o Henrique me puxando as pernas para brincar…

Se existe algo que se conserva na maioria das pessoas em tempos difíceis é a fé e a esperança. Talvez a gente não cumpra futuras promessas de nos visitarmos com mais frequência. Mas se, mesmo com todos os transtornos promovidos pela reclusão forçada, pudermos enxergar o mundo com mais empatia, saindo do discurso, e indo para a prática, já teremos alguma coisa positiva disso tudo.

Coluna Douglas - 27.03 (2)

Mesmo que a rotina volte a ser corrida, vamos tentar abraçar ao máximo. Porque abraço é acolhimento, é vida, é sentimento que acolhe. Vamos usar sem moderação mas com sinceridade. Pode não caber o mundo no tamanho de um abraço, mas cabe certamente carinho, amor, respeito e tantos outros sentimentos positivos! Dessa vez e talvez pelos próximos dias, o abraço continuará sendo virtual. Com a certeza de que tudo melhora, depende de nós, mais do que nunca… Com um grande e muito sincero… ABRAÇO!

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