Bandeira branca!

Carnaval sempre foi e será uma grande brincadeira. Gostemos ou não da folia, é nesta grande festa popular que todos têm a chance de brilhar, seja na avenida ou nos clubes, sejam ricos ou pobres, feios ou bonitos, gordos ou magros, homo ou heterossexuais ou o que for, crianças ou adultos, enfim. Todos!

Uma catarse capaz de curar até depressão. Podem acreditar! Cantar, gritar, pular, se acabar atrás do trio elétrico de abadá ou do jeito que dá, fantasiados ou não, com ou sem purpurina, é a maior festa do planeta, sem a menor sombra de dúvida.

Imagem: Freepik

Mas cuidado foliões! Descobriram, agora, que as antigas e tradicionais marchinhas contêm estrofes obscenas. Basta olhar a “cabeleira do Zezé”. Será que ele é? Pior ainda, encontrar uma “Maria Sapatão. De dia é Maria e de noite é João”. Imaginem. Que afronta! Um perigo, minha gente! E as fantasias, então. Sem comentários! Como ousam sair na rua denegrindo a imagem dos índios, das odaliscas, dos piratas, mulheres quase nuas ofendendo a criação. Por favor, muito cuidado foliões!

Hoje, pra colocar seu bloco na rua tem que consultar antes o manual de boas maneiras ou sei lá o quê. Já não bastassem os cuidados óbvios como usar camisinha, não dirigir depois de beber, agora tem até apito pra denunciar assédio, o que pode funcionar, se alguém conseguir ouvir alguma coisa no meio da gritaria. E nem adianta mais cantar “Índio quer apito” porque se não der, o pau vai comer de qualquer jeito e você pode ser preso.

Foto: Freepik

Não adianta, pessoal, Carnaval é euforia e descontração, deboche e beijo na boca. “O teu cabelo não nega, mulata” porque “tens a alma cor de anil”, a cor do nosso Brasil. Não deixe desbotar as cores do país e nem do Carnaval. Vai lá, de palhaço, colombina ou com a máscara com a cara de pau desses políticos, mesmo, pra mostrar que a canoa ainda não virou. Já “atravessamos o deserto do Saara” e ainda estamos vivos. “Bandeira branca, amor! Não posso mais. Pela saudade que me invade, eu peço paz”.

Pensando bem, nem sei se tocam ainda essas canções por aí. Acho que o funk, o axé e o sertanejo dominaram tudo. Vai ver até salvam alguns cidadãos da indecência e da baixaria dessas marchinhas que impregnaram a mente de tantos brasileiros. Uma pouca vergonha!

Foto: Freepik

Mas não esqueçam, foliões de todo o país. Independentemente do estilo musical, Carnaval é brincadeira. De problemas o mundo tá cheio e de gente chata e ignorante também. Portanto, mesmo que alguém pareça transviado, que o sapatão está na moda, que a mulher casada ande sozinha, que a Maria seja escandalosa, divirtam-se com todas as tribos para poderem acordar na quarta-feira de cinzas sorrindo em meio aqueles pedacinhos coloridos de saudade, que se eu não me engano, chamávamos de confete. Lembram?

Bom Carnaval a todos!

 

Um comentário

  1. Rose parece que combinamos no tema, também escrevi no face sobre o carnaval, não dá pra fugir da realidade que nosso país atravessa. Mas vamos lá, quem gosta que curta, mas com parcimônia, pra não acordar na quarta – de cabeça rachada. Valeu amiga, gostei do texto.

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