O abraço do canguru

A Austrália é logo ali, do outro lado do mundo, assim como a Amazônia é logo ali, no extremo norte do Brasil. Não se comparam as distâncias e nem a proporção de qualquer destruição que ocorra na fauna e na flora desses ecossistemas. Os incêndios aqui na nossa floresta atingiram uma área seis vezes menor que o fogo que consome os parques da Austrália, mas em qualquer um dos lamentáveis episódios, a catástrofe nos atinge, de uma forma ou de outra.

Somos parte deste todo chamado planeta Terra, tanto que a fumaça que queima as florestas australianas percorreu 13 mil quilômetros pelo oceano e chegou aqui ao Rio Grande do Sul. Somos devastados junto com um bilhão de animais, entre cangurus, coalas, camelos, insetos, répteis e uma infinidade de outros seres que não tem como mensurar.

Há um ano e quatro meses, eu visitei a Austrália, onde permaneci durante um mês, em Cronulla, bairro localizado a uma hora de Sydney. Trinta dias, tempo suficiente para fazer uma meia maratona, conhecer muitas praias, pubs, restaurantes, pessoas, uma nova língua, enfim, uma nova cultura em um país de primeiro mundo que zela pelo bem-estar da sua população e também dos animais, além de preservar o meio ambiente.

Austrália_Roseli Santos

Em cada local que conhecemos (eu e meus amigos, Renata e Fabiano, que moram lá há quase oito anos), incluindo quase 3 mil quilômetros de carro até Melbourne, no estado de Victoria. Tivemos como companhia as árvores, as flores, os parques e os animais, especialmente cangurus, centenas deles, correndo livres pela vegetação muito semelhante a que temos aqui no Brasil, em campos abertos e matas de eucaliptos, onde no alto dos troncos, bem escondidinhos, ficam também os amados coalas.

Lá, como aqui, a fauna e a flora são exuberantes, com a diferença de que os australianos preservam muito cada ambiente junto à natureza. Não tem lixo no chão, não tem garrafa pet espalhada na grama e a areia é local de banho de sol, sem um vestígio de sujeira sequer, assim como os parques abrigam as famílias com a sombra de frondosas árvores que testemunham civilidade e educação.

Choro hoje pela Austrália assim como já chorei pela Amazônia e também por Brumadinho e outras tragédias ambientais ocorridas pelo mundo. Morro junto com cada ser que sofre nessas catástrofes, especialmente a que atinge agora este imenso continente na Oceania.

Não quero saber se é incompetência dos políticos ou se é culpa do aquecimento global. Não interessa onde eu moro. A casa é uma só. Somos todos cúmplices de tudo o que acontece no planeta e não tem álibi que nos liberte da omissão ou daquilo que ajudamos a destruir.

austrália - cangurus

Só sei que hoje os incêndios que devastam os parques da Austrália queimam dentro de mim e partem o coração dessa gente que não merecia, por tão bem cuidar de seus animais. Enquanto isso, na minha memória recente ainda é primavera em um dia ensolarado de setembro de 2018, onde os cangurus saltam correndo entre os eucaliptos, alguns com seus filhotes na bolsa marsupial, esperando só mais um pouquinho para sair e crescerem livres na natureza.

São muitos e rezo para que tenham sobrevivido no abraço solidário dos voluntários que os acolhem, assim como eu, agora, os ressuscito em recordações que me vêm à mente, novamente,  de um final de semana na companhia dessas famílias de cangurus em um balneário deserto, ali, logo ali…do outro lado do mundo.

Um comentário

  1. Bela reflexão minha amiga, a cada dia que passa temos a triste certeza que o homem está cavando sua própria cova, já não podemos mensurar até onde vai tanta irresponsabilidade. Quem sabe um dia…

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