Você sempre pode ser quem você é!

“Descoordenado do jeito que tu é, nunca vai conseguir andar de skate.” Essa teria sido uma das frases cheias de julgamentos, rótulos e crenças limitantes que o Matteo, meu filho de 6 anos, poderia ter ouvido. Mas ele ouviu “vai lá filho, tu consegue”! Percebe como as nossas falas podem influenciar a vida dos nossos filhos? Não só agora, mas quando chegarem na idade adulta também. “Descoordenado” ele é um pouco mesmo, percebo quando ele chuta a bola de futebol, mas não quer dizer que ele sempre será assim ou que para o skate também seria ou que eu tenho que falar isso pra ele.

Quando uma criança ouve “tu é descoordenado”, ou qualquer coisa que nomeia uma atitude ou sentimento, ela toma pra si como uma verdade, um rótulo colocado por alguém, e acaba tendo atitudes que validem isso, que comprovem para o adulto que falou que aquilo é realmente verdade, e isso se torna uma crença limitante: “nunca vou conseguir fazer nada direito porque sou descoordenado” e leva isso para a vida adulta. Rótulos são muito perigosos!

Quando rotulamos alguém, faz com que a pessoa se enxergue sob aquela perspectiva, como se a criança criasse uma máscara sobre si mesma. Rótulos nos transformam em papéis que não somos, a criança não entende que em determinado momento apenas se sente de um jeito “irritada” ou as vezes age de um jeito “egoísta”, mas que não é realmente assim. Chega um momento da nossas vidas em que percebemos que somos muito mais do que aquilo que pensamos ou que nos disseram que somos e precisamos de muito esforço para nos desprendermos disso.

E isso não funciona somente para rótulos negativos, mas para os positivos também! Uma criança pode ter momentos de tranquilidade e calmaria, mas não tem a obrigação de ser uma pessoa calma o tempo inteiro. E quando rotulamos uma criança de calma, ela fica perdida de si nos momentos em que precisa extravasar e acaba segurando sentimentos e emoções, ficando presa nesse rótulo de “boazinha” para agradar os adultos e permanece assim, acreditando que para ser amada precisa agradar. Quantos adultos, hoje, vivem suas vidas presos a isso!

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Para que limitar alguém a somente uma coisa? Se dissermos para uma criança que ela É muito irritada, dificilmente vai tentar nos mostrar que pode ser calma, na verdade vai ser é mais irritada, já que é assim que dizemos que ela é. Pelo contrário, se dissermos que percebemos que ela ESTÁ irritada, estamos ajudando a nomear um estado e não dando uma característica para a criança, assim, em outro momento ela pode estar calma.

Quando ensinamos para as crianças que elas podem ser várias coisas ao mesmo tempo, os rótulos não vão ser um grande problema. Então, incentive! Claro que para uma metade do meu coração de mãe seria muito mais confortável que o Matteo permanecesse em casa ou escolhesse andar de skate só onde é plano, mas a outra metade do meu coração de mãe também quer ver ele voar, viver a sua vida acreditando no seu potencial, que é capaz, que pode fazer o que quiser.

Não só o Matteo está tendo uma experiência de superação de medos, eu também estou vendo como ele é capaz e pode me surpreender com a habilidade que tem. Então quando ele me chamou lá de cima buscando meu olhar, minha expressão e meu consentimento, o que ele ouviu foi “vai lá, se cair eu estou aqui pra te dar colo, a gente limpa o machucado, levanta e tenta de novo”!

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Te faço uma pergunta agora: se você não tivesse que agradar ninguém, quem você seria e o que você faria? Essa é uma pergunta para pensarmos sobre nós mesmos, também em relação às crianças, e darmos a elas a liberdade de ser quem são. É importantíssimo fazer nossas crianças se sentirem amadas, aceitas e importantes para além dos comportamentos e sentimentos delas. Afinal de contas, a melhor coisa do mundo é saber que somos amados como somos!

Na semana que vem continuaremos nosso papo sobre isso, aprofundando mais nas crenças limitantes e impulsionadoras. Por enquanto, vá pensando por ai nos rótulos que você já recebeu e como eles estão presentes na sua vida hoje. Tente identificar algum que não faz sentido, que te incomoda ser visto assim, que você percebe que não é isso.

Um abraço virtual bem apertado, Silvana.

 

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