Prost, Igrejinha!

Igrejinha é hoje a Capital Estadual do Voluntariado graças ao maior evento comunitário do país, a Oktoberfest, que ocorre há 32 anos no município.

Desde que ingressei no jornalismo, em 1987, cobri praticamente todas as edições da festa, mas a primeira delas tenho registrada de forma marcante em minha memória.

Era a gestão do então prefeito Lauri Krause, já falecido, que comandava a organização da primeira Oktoberfest de Igrejinha. Muitos voluntários atuam ainda hoje, agregando ao longo dos anos famílias, filhos, netos e até bisnetos.

Trata-se, sem dúvida, de um legado cultural sem precedentes na região, hoje reconhecido nacional e internacionalmente. A maior festa comunitária do país chega à maturidade inovando sempre para reverter sua renda em benefício de entidades do município e de outras cidades do Vale do Paranhana.

Nestes anos todos, para quem como eu acompanhava a festa ao vivo, trabalhando direto como repórter ou editora de jornais e rádios da região, não tem como deixar passar em branco a importância desse evento até pra quem não é de origem alemã ou não goste de chope (o que é praticamente impossível) ou das atrações musicais e artísticas. Ninguém sai de uma Oktoberfest indiferente.

Basta ultrapassar os portões da entrada e o clima da festa nos envolve automaticamente. Não tem como ficar imune ao ritmo das bandinhas  à comida típica alemã e até aos shows sertanejos e de música eletrônica, além do funk, que foram incorporados à programação ao longo desses 32 anos.

Se no início isso gerava discussão e desconforto entre à ala mais conservadora da festa, hoje milhares de voluntários se mobilizam pra tudo dar certo e reverter, novamente,  em beneficio de toda a comunidade, de uma maneira ou de outra.

Biergarten-Daniel-Wilbert
A cada ano, o parque apresenta novidades aos visitantes. Este ano, uma delas é o Biergarten. Foto: Daniel Wilbert

Goste ou não de funk ou sertanejo, não tem como negar que essa festa é um grande exemplo de união e solidariedade. Particularmente, eu mais trabalhei do que qualquer outra coisa em todas as Oktoberfest, mas com um orgulho imenso de poder fazer parte dessa engrenagem, divulgando, fotografando, enfim, testemunhando e contando esta história comunitária.

Só lamento que, mesmo tendo antepassados de origem alemã, nunca aprendi a falar o idioma. Mas foi com a Oktoberfest de Igrejinha que resgatei um pouco dessa culpa e aprendi algo maior do que uma nova língua, que é a solidariedade em torno de uma causa.

Independentemente de credo, cor, raça, língua ou religião, todos acabam se encontrando em Igrejinha, em algum momento,  no mês de outubro, para festejar a vida e, de quebra, auxiliar quem mais precisa, sem cobrar nada em troca, a não ser um sorriso estampado no rosto daquele que brinda ao teu lado com o caneco na mão.

Prost!

* Foto da capa: Juliano Arnold. Desfile de 2017. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s