(In)Dependência

Se buscarmos o significado de “independência”, encontraremos palavras como liberdade, imparcialidade, autonomia. Somos, desde crianças, estimulados a sermos independentes, com exceções, obviamente. Na grande maioria das vezes queremos mesmo é sentir a liberdade, tomarmos nossas próprias decisões (sem esquecer que pelos nossos atos nos tornamos responsáveis pelas consequências). Ser livre também é assumir riscos e responsabilidades.

Talvez o primeiro ato de liberdade seja justamente o primeiro passo, literalmente. Novo “passo” (aqui no sentido subjetivo) é dado no momento que descobrimos a escrita e a leitura. Aprendizados ligados a motricidade, mas também ao conhecimento, vão conduzindo nosso crescimento e moldando nosso caráter, nos tornando seres capazes de escolher, o que não significará acertar sempre…

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Vem a fase da adolescência, em que talvez nem sempre se entendam os jovens, os filhos, os pais… Conflitos existirão mas, se bem administrados, poderão nos conduzir à maturidade ou mesmo nos fortalecer. As escolhas se tornam cada vez mais necessárias e nossos hábitos, gestos e a forma como nos expressamos nos tornarão únicos… Unicidade não quer dizer individualidade, mas convivência entre semelhantes, ser diferente, com características próprias e conviver em comunidade.

Independência não se resume aos humanos. Animais nascem para serem livres. Nações buscam a liberdade ou a manutenção de sua independência, mesmo que por vezes “a defesa da soberania e autonomia” seja mais para mostrar força do que realmente defender a liberdade e os princípios de cada país.

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Mas mesmo que a gente negue, existe sempre algo tipo de dependência. Somos dependentes de afeto, por mais duros que tentemos parecer. Somos dependentes de abraços, de acolhimento, de colo.

Somos dependentes de um minuto de silêncio, de sossego, de nos encontramos com nós mesmos, mesmo que seja apenas uma vez na vida.

Dependemos da união para irmos mais longe e com mais força, por mais clichê que essa afirmação possa parecer.

Não dependemos de coisas materiais para a felicidade, mesmo que a materialidade seja importante para algumas pessoas. Não precisamos estar sempre presentes fisicamente, mas importa sim estarmos ligados na espiritualidade, estando presentes na vida das pessoas, lembrando-se delas. E manifestando isso.

Podemos, em muitos momentos, “estarmos” dependentes de uma boa notícia, de uma melhora (por mais difícil que isso possa parecer, às vezes). Mas, novo clichê, “tudo passa”.

Nossa maior prova de independência talvez seja nossa capacidade de resiliência, de nos reerguermos, de superar obstáculos e nos fortalecer. Sonhar é uma das melhores formas de independência.

Nascemos para sermos livres, autônomos e nos custa muitas vezes aceitar certas privações de liberdade. Em resumo, somos dependentes de um dos mais nobres sentimentos humanos: a esperança. E justamente pelo fato de esperança representar a possibilidade de realização de algo, o desejo de que algo bom aconteça, exercemos nossa independência ao partir e batalhar por nossos pequenos ou grandes sonhos. Ser independente é, portanto, nunca perder a esperança!

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2 comentários

  1. Grata pelo velo texto.
    Sou extremamente dependente de mentes que brilham, inspiram e compartilham saberes e abstrações comigo e com os outros. Por isso, por favor, jamais pare de escrever e compartilhar estes registros.
    É seu talento nato. Abraços.

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