Sessão nostalgia

Dias atrás, procurei em algumas lojas um aparelho de DVD. Isso mesmo, DVD. Não Blu-Ray que, em tese é, digamos, o sucessor do DVD. Para minha surpresa, entendi que o Blu-Ray não emplacou, especialmente após a chegada dos serviços de streaming e on demand, sendo talvez a Netflix o melhor exemplo. Como tenho uma coleção de filmes do agente secreto James Bond (coisa de fã) e alguns outros em formato DVD, acabei adquirindo um aparelho “do mostruário”, com um desconto de R$ 25,00! O vendedor foi super atencioso, mas percebi que ele tentou me convencer que é uma questão de tempo para que os aparelhos em questão sumam do mapa. E ele tem toda razão.

James Bond

Não sou um saudosista, longe disso, tampouco avesso às novas tecnologias. Talvez o fato de ter nascido na troca de gerações (1979 – entre a geração X e Y) me faça demorar um pouco mais a me interessar por certos avanços tecnológicos. Costumo brincar que estou entre o analógico e o digital. O que não impede de vivenciar certas ocasiões com bom humor.

Sou um habitante desse planeta que já teve um vídeo cassete! Uma maravilhosa invenção. E além de tudo isso, de forma subjetiva, me ensinou o valor do dinheiro. Sim, porquê cada fita devolvida sem rebobinar tinha uma cobrança extra. Assim, logo aprendi a respeitar as regras e aliviar o bolso. Da mesma época, mas já encaminhando para a “extinção”, havia o mimeógrafo, que acredito ser o avô das atuais máquinas copiadoras. Ah, aquele cheiro de álcool impregnando o ambiente… Mas não se preocupem, até onde me lembre, nenhum de meus amigos contemporâneos da época viciou no cheiro de álcool…

Um aparelho do qual não tenho nenhuma saudade é o famigerado fax. Talvez porque em todas as empresas em que trabalhei, nenhum, mas nenhum mesmo, funcionava direito. Houve um desses aparelhos de fax que, quando precisava ter o papel trocado, parecia incorporar algum espírito maligno. Éramos eu e o fax… ninguém podia se aproximar. Tenho a impressão de várias vezes ter ouvido colegas cochichando coisas do tipo: “não vá lá agora, ele está mexendo no fax” ou “não acho uma boa hora para falar disso com ele”.

fax_bug_hp_1

Agora, com o advento das redes sociais, em especial o Instagram e o Facebook (esse um pouco em descrédito, mas ainda com boa aceitação), surgem novas histórias engraçadas.

Um grande amigo eventualmente me comentava: “Te enviei um vídeo (ou publicação) pelo insta”. E eu nunca achava o “raio” da mensagem de envio. Descuido, nem procurava direito. Certo dia, percebi que estava bem na minha “frente”. Bom, só isso já rendeu boas risadas. Dias depois, numa reunião de um grupo de trabalho voluntário, o pessoal comentava sobre likes e as mudanças no Instagram, dentre outras coisas. Novamente fiz todo mundo rir quando disse: “Poxa vida, recém descobri como responder as mensagens via Instagram, e vocês já vem com um caminhão de coisas novas!”…

Redes sociais

É interessante ver que pessoas de mais idade busquem se aprofundar nessas mudanças, aprendendo a lidar com as novas tecnologias e os benefícios que elas nos trazem. Sempre existem os dois lados, os prós e os contras. Se, por um lado, o WhatsApp, por exemplo, nos traz uma “enxurrada” de grupos (alguns exagerados no conteúdo) e de Fake News, também permite contatos mais rápidos, quase a custo zero (zero só se estivermos usando wi-fi).

A única coisa que a tecnologia certamente não supera é a força do encontro presencial, do abraço, da companhia dos amigos e das pessoas que amamos. São essas relações que valem, independente se pertencemos a geração X, Y ou qualquer outra. Manter o equilíbrio entre o bom uso da tecnologia e as relações de afeto não é difícil. Exige só um pouco de atenção, de dedicação, de bom senso. Aliás, equilíbrio é fundamental em qualquer situação de nossa vida e dos nossos atos. “Nem demais, nem de menos, apenas o suficiente”, como li num antigo provérbio.

E como disse minha vó, quando brinquei outra dia para criarmos um “Face” para ela: “Não quero Face, quero #hashtag.” Então, estimados leitores #abracemais #analogicoedigital #equilíbrio #vivaosbonsamigos.

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2 comentários

  1. Sim, meu caro amigo, certas coisas jamais serão transmitidas via satélite. São questoes5de energia vital.
    E sobre a era pré internet , vivi intensamente. Guardos velhas cartas em arquivo morto.
    Acho um privilégio ter vivido para ver o que há e ter testemunhado o que já foi.
    Belo texto. Abração.

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