Para você as crianças são seres humanos ou são só crianças?

Como você costuma olhar para a sua criança? Quando você chama ela de “filho”, o que você sente? Estou perguntando isso porque hoje vamos falar sobre a relação com os pequenos e muitas vezes esquecemos que os nossos filhos são gente como a gente, tem sentimentos, necessidades e merecem respeito e dignidade. Marshall Rosenberg, no livro “Criar Filhos Compassivamente”, alerta para o perigo da palavra “filho” – se for usada para sugerir um tipo diferente de respeito, diferente daquele que teríamos com um adulto ou alguém não rotulado como filho ou criança.

Chegou a hora de começarmos a olhar para as crianças como seres humanos que são e não como monstrinhos que vieram para nos atormentar, que estão o tempo todo desenvolvendo estratégias para nos atacar e desafiar. Uma criança é um ser humano pequeno e, acredite, quando você começa a olhar para ela assim, aceitando suas belezas e também seus defeitos, afinal você pai ou mãe também os têm, a sua relação com seu filho começa a mudar.

Você consegue perceber que cobramos uma estabilidade emocional das crianças que nós, adultos, não temos? Queremos que um pequeno, no alto dos seus 2 anos, saiba se controlar quando se sente frustrado, sendo que a única forma que eles sabem para extravasar seus sentimentos e demonstrar insatisfação é chorar e gritar. E é com nós, pais, que eles precisam aprender como agir.

No momento de “birra”, olhe para a sua criança com o mesmo olhar de respeito e compaixão que você olha para um adulto que está passando por uma situação difícil. Tome consciência de não levar para o lado pessoal, porque não é mesmo, e procure entender qual a necessidade dela naquele momento. Quando você começa a prestar atenção nesses detalhes, começa a ter a atenção do seu filho, aquela atenção que você tanto deseja! Segundo Marshall, todos os seres humanos quando estão sofrendo, precisam de presença e empatia.

Infelizmente acabamos desumanizando nossos pequenos por causa das coisas que a nossa cultura ensina sobre as crianças e que continuamos levando a diante. Ou por acreditarmos que os pais só são bem-sucedidos na educação dos filhos quando eles se comportam bem. “Hoje percebo que esse é um objetivo que traz consigo a derrota, pois aprendi que quando nosso objetivo é conseguir que outra pessoa se comporte de determinado modo, elas provavelmente resistirão àquilo que estamos pedindo. Segundo minha experiência, esta regra vale para pessoas com idade de 2 a 92 anos.” (Marshall Rosenberg).

Acontece que, quando tiramos o direito de alguém escolher o que quer fazer, limitamos sua autonomia para conseguir que façam o que nós queremos que façam, a sua tendência é resistir. Pense em você, não é assim que acontece quando alguém tenta te obrigar a fazer alguma coisa ou quando faz uma exigência ao invés de um pedido? E quando alguém tenta te convencer que sabe o que é melhor pra você e não te dá escolha, nem alternativa de ação? Por mais que possa fazer sentido é natural que sejamos resistentes, porque queremos proteger a nossa autonomia. Tem uma pergunta que gosto muito e que choca, de verdade: se você tratasse seus amigos da mesma maneira que trata seus filhos, quantos amigos você teria?

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Foto: Os Silveiras

Você já deve ter percebido aí na sua casa que é difícil obrigar seus filhos a fazerem o que você quer. Eu não consigo fazer os meus guardarem os brinquedos, comer o que não querem, parar de brincar pra tomar banho… sem acabar com a qualidade da nossa relação. Eu não quero, de jeito nenhum, ter uma relação negativa com meus filhos, que são os seres humanos que eu mais amo e pelos quais tenho responsabilidades. Nós, como pais, não temos esse poder todo de obrigar alguém, mas temos o poder de criar vínculo! Quando temos clareza de que nosso maior objetivo em família é criar um ambiente com relacionamentos saudáveis, percebemos o quanto é importante olhar para as necessidades de todos.

Quando olhamos para as nossas necessidades e as necessidades dos nossos filhos, precisamos conseguir dizer às crianças se o que estão fazendo vai de encontro às nossas necessidades ou não, sem criar vergonha ou culpa nelas. Assim como precisamos aprender a observar as atitudes dos nossos filhos, para conseguir entender e perceber: o que será que ele precisa agora? Isso só se consegue com presença, relacionamentos saudáveis são nutridos por afeto!

Não estou dizendo que você precisa passar 12 horas do dia com seus filhos. Estou dizendo que quando está com eles, precisa estar presente. É preciso estar atento e presente para os nossos filhos nos momentos em que eles mais precisam de abraço e colo e não de atropelo e palmada. Eu sei que muitas vezes é difícil, por isso te convido a observar, observar os seus sentimentos e os sentimentos dos pequenos, para então agir, ao invés de simplesmente reagir.

O nosso maior objetivo como pais não pode ser somente que as crianças se comportem bem, temos um trabalho tão lindo a fazer com os pequenos, muito maior do que obter bons comportamentos: que é educar emocionalmente. Ensiná-los que uma família se constrói com amor, parceria, compreensão, diálogo, respeito e com relacionamentos saudáveis.

Fica tranquila que vamos falar mais sobre isso por aqui e também nas minhas redes, me segue por lá, é só procurar por Silvana Forster (no Instagram estou aqui e no Facebook, aqui). Um abraço virtual bem apertado!

 

Foto da capa: Arquivo Pessoal

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