Lola Carvalho apresenta crônicas sobre a maternidade real em seu primeiro livro

Toda mãe sempre diz que a maternidade mudou sua vida. Pode parecer piegas, mas não se tem dúvida do quão verdadeira é a frase. Para Lola Carvalho não foi diferente. Jornalista e publicitária, ela é mãe de Francisco (9) e Caetano (4). O dom da escrita e as mudanças, carregadas de felicidade e ansiedade, a inspiraram a escrever sobre suas experiências. Agora, ela lança seu livro de estreia, “Mãe Sem Limite – Relatos de Uma Mãe Totalmente Normal”. Como se conversasse com uma amiga, a autora compartilha nos textos suas vivências enquanto gestante e mãe de 1 e depois de 2 meninos, trazendo as diferentes visões destes momentos, trazendo à tona sentimentos singulares. “Por mais que a gente pense que sim, nunca estamos prontas para sermos mães. Este é meu convite para que as mulheres vivam a maternidade sem cobranças, sem medo, sem culpa, sem limite”, declara.

Mulher de personalidade forte, dessas que faz mil e uma coisas ao mesmo tempo e que adora desafios. “Gosto de me envolver em projetos diferentes e aprender coisas novas. Sou muito família, amo cuidar dos meus filhos, do meu marido e da minha casa. Fazer comidinhas que eles gostam, assistir a um filme com eles, brincar, passear, ou simplesmente ficar atirada no sofá com eles pertinho de mim. Adoro escrever, ler e cozinhar”, conta.

Aos 43 anos, ela mora em Novo Hamburgo e é casada há 10 com o Fabrício, seu namorado de longa data. Da brincadeira de criança, com a filha que chamava de Elis, até a maternidade real, muita coisa aconteceu. Lola passou bastante tempo se dedicando à faculdade e à carreira e a ideia de ser mãe foi ficando mais distante. “Quando decidimos nos casar, já morávamos juntos há dois anos e estávamos juntos há bastante tempo. Então, logo depois do casamento, decidimos tentar engravidar e eu já estava com 34 anos. Casamos em 2008 e em 2009 (quase na mesma data do nosso casamento) o Francisco nasceu”.

O livro “Mãe Sem Limite – Relatos de Uma Mãe Totalmente Normal” foi publicado pela Editora Metamorfose, de Porto Alegre e está disponível no site www.lolacarvalho.com.br. Entusiasta da libertação de antigos padrões, a escritora aborda ainda questões sobre a participação dos pais nos cuidados com os bebês, a importância da recém-mãe cuidar de si mesma e o equilíbrio entre os diversos papéis da vida real de uma mulher moderna. Anteriormente, Lola Carvalho já participou com um conto no Literaflix e escreveu dois capítulos no projeto de escrita colaborativa Cidade Cinza, conduzido pelo escritor e diretor de teatro, Gilberto Fonseca.

Confira abaixo, entrevista exclusiva da autora para o Drops do Cotidiano:

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Drops do Cotidiano: Como foi a escolha do nome do livro? O que é ser uma mãe totalmente normal?
Lola Carvalho:
Ser uma mãe totalmente normal é morrer de amores pelo seu filho, viver a maternidade equilibrando-se entre acertos e erros, lidar com a culpa, com a autocobrança, com as opiniões dos outros. É morrer de remorso quando briga com o filho, é querer cinco minutos sozinha só para variar um pouco. Uma mãe totalmente normal vive se questionando se está fazendo a coisa certa, ela acha o seu filho o mais lindo, o mais inteligente e morre de orgulho dele. Ser uma mãe totalmente normal é se equilibrar entre os mais variados papéis: mãe, mulher, esposa, profissional, psicóloga, professora, amiga e até carrasca. Toda mãe é única e tem o seu jeito de exercer a maternidade, mas lá no fundo, toda a mãe é igual.

D: Como a maternidade mudou a sua vida?
L:
A maternidade me transformou em todos os sentidos. Descobri-me amando alguém de uma forma tão grande, que é até difícil colocar em palavras. Tornei-me uma pessoa menos egoísta, mais corajosa e mais medrosa ao mesmo tempo. Aprendi a lidar com a falta de controle sobre a minha vida e a valorizar o simples. Todos os meus movimentos, as minhas decisões são movidas por eles. Sempre penso no exemplo que estou dando para os dois e em como as minhas atitudes hoje podem contribuir para a construção deles no futuro. Acredito que a maternidade é algo que revela muito de nós, coisas que nem nós sabíamos sobre nós mesmas. É transformação e redescoberta. Ninguém continua igual depois de ser mãe.

D: Como você se percebe mãe no primeiro e mãe no segundo filho?
L:
Eu costumo dizer que o Caetano (o caçula) teve uma mãe diferente do Francisco. O primeiro filho é algo totalmente novo e desconhecido. Por mais que eu tenha me preparado, quando segurei ele pela primeira vez, percebi que eu não sabia quase nada sobre cuidar de alguém. O primeiro filho é puro instinto. Mãe e filho aprendem juntos e constroem o vínculo dia após dia. São muitos desafios: a saída do hospital e a chegada em casa, sem o apoio das enfermeiras. A amamentação, que é um processo que nem sempre flui naturalmente. O cansaço de dormir pouco até o bebê começar a ter uma rotina. Eu era insegura, tinha muito medo de ficar sozinha com meu filho e não saber o que fazer. No segundo, eu já tinha a confiança de ter passado por tudo e estar mais preparada para o que eu iria enfrentar. Então, usei meus erros e acertos a meu favor e a favor dele. Embora, tudo tenha acontecido muito diferente e os dois sejam muito diferentes em termos de personalidade e preferências, tudo foi mais leve. Acho que por isso que dizem que o primeiro filho é de vidro e o segundo, de madeira.

D: Por que você resolveu escrever um livro? Como foi esse processo?
L:
O livro foi um processo. No início, quando o Francisco nasceu, escrever se tornou como uma terapia para mim. Eram muitas mudanças, muitas questões com as quais eu ainda não sabia lidar e escrever era uma forma de extravasar estes sentimentos e tirá-los de dentro de mim. Então, criei um blog e depois comecei a publicar nas minhas redes sociais. Muitas outras mães começaram a me retornar dizendo que meus textos faziam sentido e tinham ajudado em suas vivências com a maternidade. Então, resolvi colocar estes relatos em um livro e num processo de coaching descobri que eu deveria tornar este desejo uma realidade. Foi aí que o Mãe Sem Limite nasceu.

D: Quais as principais temáticas relatadas no livro?
L: Eu falo da gravidez, das mudanças que começam a acontecer a partir da gestação. Abordo a minha experiência com o primeiro filho, sobretudo, os primeiros meses e o primeiro ano. Falo das fases que passei com eles, como estabelecer rotina, a amamentação, a alimentação, desfralde. Falo sobre limites, sobre esta rotina das mães que precisam equilibrar filhos, marido e carreira. Falo de amor, de medo, de culpa, de educação, de parceria pai e mãe, da retomada da vida sexual pós-maternidade. Falo sobre dividir, sobre pedir ajuda, sobre expectativas x realidade. E tudo isso, através de histórias vividas por mim e contadas com um texto leve e com bastante humor.

D: Qual a sua expectativa com relação ao entendimento da mensagem do teu livro pelas leitoras?
L:
Eu espero que o livro chegue às mães e futuras mães e consiga ajudá-las a trazer um pouco mais de leveza e menos culpa para a maternidade. Nós mulheres já nos cobramos demais e quando somos mães esta cobrança fica ainda maior. Mas não precisamos sempre dar conta de tudo sozinhas. Não precisamos esconder o que sentimos ou achar que precisamos ser perfeitas. Mesmo nos dias em que achamos que fomos péssimas mães, ainda assim, somos as melhores para nossos filhos.

Lola_Carvalho_efilhos
Lola com os filhos Francisco e Caetano
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