*Por Ana Cristina Basei
Quem chega à Oktoberfest de Igrejinha encontra música, dança, gastronomia, chopp e muita gente celebrando. Mas existe uma parte fundamental da festa que começa muito antes de o público entrar no Parque de Eventos Almiro Grings – e que sempre segue depois, perpetuando como propósito: o trabalho dos voluntários. Na 37ª edição, são mais de 3,5 mil pessoas envolvidas em diferentes setores, dedicando tempo e disposição para fazer a Oktober acontecer. E esse esforço vai muito além dos dias de festa.
Para entender o que está por trás desse envolvimento, o Drops do Cotidiano conversou com voluntários de diferentes idades e trajetórias. As histórias mudam, mas têm um ponto em comum: a Oktoberfest de Igrejinha é união.
Um legado que passa de geração em geração
Aos 18 anos, Corine Kraemer Hack (foto de capa) está em seu segundo ano como voluntária, no setor de Informações. Para ela, participar representa mais do que cumprir uma função e a decisão veio de uma referência que conhece desde pequena: os próprios pais. “Eu comecei ano passado, no dia do meu aniversário, porque eu faço aniversário durante a Oktoberfest. E essa vontade surgiu, na verdade, porque eu cresci vendo os meus pais sempre aqui e entendendo que isso traz retornos para toda nossa comunidade”, conta.
Aos 68 anos, Sérgio Jost, voluntário há muitos anos na Central do Chopp, conhece de perto essa tradição. Ele resume em uma palavra o que percebe entre as pessoas que participam da festa: “Todos se orgulham e continuam, é uma missão que contagia.” Sérgio também destaca o efeito coletivo do trabalho: os recursos gerados pela festa são destinados a entidades, criando um ciclo em que o esforço dos voluntários retorna para a própria região.
Trabalho, amizade e propósito
É justamente esse propósito que mantém Katya Wingert e Ivonei Apolinário, ambos com sete anos de voluntariado, envolvidos com o grupo Unidos no Fundo do Copo, na entrega de chopp. Para Katya, a experiência reúne convivência, memórias e tradição, mas existe uma motivação ainda maior. “Não estamos aqui somente pela alegria, mas também pela causa, pois tudo é revertido para hospitais, escolas e organizações que precisam”, explica Katya. “Estamos aqui porque trabalhamos junto de grandes amigos e vemos, depois, os resultados acontecerem”, completa Ivonei.
É uma lógica que ajuda a explicar por que tanta gente retorna ano após ano: o voluntariado não termina quando a festa acaba. O resultado chega a projetos que fazem parte do cotidiano da comunidade.
O orgulho de contribuir com a comunidade
Para Henrique Hörlle, de 18 anos, esta é a primeira edição como voluntário, no setor de Cultura. E a experiência já ganhou um significado especial. “Ser voluntário na Oktober para nós, igrejinhenses, é um motivo de muito orgulho, porque a festa representa tudo que há de melhor aqui na nossa cidade.” O jovem também percebe o impacto que existe por trás de cada turno de trabalho: “A gente vê, depois de alguns meses, os recursos arrecadados e o bem que a união da gente faz”, define.
Tassiane Moura, de 29 anos, também vive seu primeiro ano como voluntária, no setor de venda de tickets. Para ela, acompanhar a organização por dentro revelou a dimensão desse esforço coletivo. “É um prazer ser voluntária na Oktoberfest de Igrejinha porque é a maior festa voluntária do País. É incrível ver a forma como tudo isso acontece e como as pessoas só doam com amor para concretizar um evento tão grandioso.”
Quando a cidade acolhe e envolve
A história do voluntariado também acolhe quem não nasceu em Igrejinha. Daniel Bertuzzi, de 49 anos, mora no município há 15 anos e está há seis anos como voluntário. Antes de trabalhar na festa, foi visitante. Hoje, fazer parte da organização tem outro significado. “Ser voluntário aqui foi uma das maiores honras que eu recebi. É uma festa que tem propósito, todos se divertem e trabalham em prol da comunidade”, enfatiza.
Uma tradição que se transforma em resultados para a comunidade
Promovida pela Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (AMIFEST), a Oktoberfest de Igrejinha nasceu em 1988 com o objetivo de valorizar as tradições dos imigrantes alemães e fortalecer os vínculos comunitários. Ao longo das décadas, cresceu e se consolidou entre os principais eventos do calendário regional, sem abrir mão de uma característica essencial: o protagonismo dos voluntários.
Atualmente, são mais de 3.500 voluntários distribuídos em diferentes funções, muitas delas longe dos holofotes. Gente que vende ingressos, entrega chopp, atua na cultura, presta informações, organiza espaços e contribui para que tudo funcione.
Depois de cada edição, a Oktoberfest de Igrejinha distribui os resultados financeiros para entidades da região, beneficiando especialmente áreas como saúde, segurança, educação, cultura, esportes e assistência social. Assim, o trabalho realizado durante os dias de celebração retorna para todo o Vale do Paranhana, transformando diversão, tradição e voluntariado em ações que fazem diferença na vida de milhares de pessoas.