Cheguei ao texto de número 100. E, quando percebi, fui tomada por uma certa curiosidade: afinal, sobre o que tenho escrito tanto?
Ao olhar para trás, percebi que a maioria dos textos nasceu de uma vontade muito simples: compartilhar alguma coisa que aprendi ou que continuo aprendendo sobre escrever e ler. Falei sobre livros, sobre palavras, sobre personagens, sobre o processo de criação, sobre os pequenos desafios de quem se aventura pelas páginas.
Foram raros os momentos em que saí desse caminho para falar de outros assuntos. Talvez porque, para mim, a literatura nunca tenha sido apenas um tema. Ela é uma maneira de olhar.
E aqui estou eu, depois de cem textos, ainda acreditando que uma boa leitura pode nos transformar e que uma boa palavra, quando encontra o lugar certo, pode permanecer conosco por muito tempo.
Então, caro leitor, se você chegou até aqui, talvez já tenha percebido que este espaço nunca foi somente sobre escrever. Foi sobre observar. Sobre ler com mais atenção.
Sobre descobrir que uma história pode estar escondida em uma frase, em uma lembrança, em uma conversa ou até mesmo naquele silêncio que quase deixamos passar.
Cem textos depois, continuo aprendendo. E, talvez essa seja a melhor parte de escrever: perceber que, enquanto tentamos ensinar alguma coisa sobre palavras, são elas que continuam nos ensinando.
Então, caro leitor, seguimos.
Ainda há muito para ler.
E, felizmente, muito para escrever.