Nas minhas aulas eu costumo enfatizar que a linguagem da crônica é tão importante quanto o tema escolhido. Ao longo do trabalho com estudantes, três orientações se mostram especialmente produtivas.
A primeira é o uso de uma linguagem próxima do leitor. A crônica não exige formalismo excessivo; pelo contrário, beneficia-se de uma escrita que simula a conversa cotidiana. Em sala de aula, já trabalhamos textos em que os alunos reescreveram um parágrafo excessivamente formal — “Ao dirigir-me ao estabelecimento comercial” — para formas mais naturais, como “Quando entrei no mercado”. O exercício ajuda a compreender que escrever bem não é escrever difícil, mas escrever de modo eficaz e comunicativo.
A segunda dica é deixar a voz do cronista aparecer. A crônica admite opinião, comentário pessoal, ironia e sensibilidade. Em atividades práticas, propus que os alunos narrassem a mesma cena — o atraso do ônibus, por exemplo — acrescentando uma frase que revelasse seu ponto de vista. Alguns optaram pelo humor (“o ônibus parecia aposentado”), outros pela crítica ou pelo tom poético. O resultado mostrou como pequenas escolhas linguísticas constroem identidade e estilo.
Por fim, destaco a importância de trabalhar a sugestão mais do que a explicação. A crônica não deve dizer tudo de forma direta; muitas vezes, um detalhe bem escolhido comunica mais do que longas explicações. Já analisamos textos de alunos em que a simples descrição de um silêncio à mesa dizia mais sobre um conflito familiar do que um parágrafo explicativo. Esse tipo de exercício ajuda o estudante a confiar na força da imagem e na inteligência do leitor.
Essas três orientações — proximidade, voz autoral e sugestão — costumam ampliar significativamente a qualidade do texto e a segurança dos alunos no ato de escrever.