Vinhos da serra gaúcha são mais saudáveis do que rótulos sul-americanos e europeus

Imagine tomar um bom vinho a um bom preço e ainda descobrir que ele faz bem para a saúde? E o que é melhor, ele pode ser encontrado aqui mesmo no Brasil, mais especificamente na Serra Gaúcha, região conhecida pela sua tradição vitivinícola. Uma avaliação inédita feita pelo Laboratório Lavin, especializado em análises de bebidas, constatou que os vinhos da Serra Gaúcha pesquisados apresentaram 3,5 vezes mais “resveratrol” do que os principais rótulos concorrentes de origem europeia e sul-americana. Ou seja, na média, os seis vinhos da serra gaúcha – da Casa Perini – têm 3,5 vezes mais resveratrol do que os 12 rótulos importados mais vendidos no Brasil.

O resveratrol é um polifenol presente em maior quantidade na casca das uvas tintas. Sua principal função é antioxidante, que combate os radicais livres, mas também traz benefícios ao coração, protege contra a diabetes e doenças cancerígenas, entre outros benefícios à saúde.

O presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), Orestes de Andrade Jr., apresenta uma tese para o fenômeno, vinculada ao fato de a Serra ser uma região úmida e inóspita para o cultivo de uvas tintas. “A teoria nos diz que a concentração de resveratrol presente nos vinhos depende da variedade, processos de fermentação e da origem geográfica das uvas. A serra gaúcha é tida como uma região úmida e inóspita para o cultivo de uvas tintas. A hipótese preliminar era que, para sobreviver e frutificar, a videira da serra gaúcha produz mais polifenóis, como o resveratrol, para proteger a planta da ação de fungos”, explica. “A análise feita pelo Lavin comprovou esta hipótese: os vinhos da serra gaúcha têm pelo menos o dobro de resveratrol do que rótulos sul-americanos e europeus”, destaca o sommelier. A novidade deste estudo é a comparação de terroir, a origem das uvas utilizadas na elaboração de vinhos. “Independente da variedade de uva, as análises demonstram que a origem é mais importante na presença maior ou menor de resveratrol dos vinhos”, comenta o presidente.

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A análise

A análise feita pelo Lavin em abril deste ano comparou 6 vinhos da serra gaúcha com 12 rótulos da Argentina, Chile, Portugal, Itália e França. A escolha desses vinhos teve por base o ranking de vendas no país. “Selecionamos os vinhos importados mais vendidos no Brasil e utilizamos seis vinhos, de estilos e preços diferentes, de uma vinícola brasileira, a Casa Perini, que aceitou participar do estudo”, diz a responsável técnica do Lavin, Elisabete Dalmolin. Os rótulos avaliados:

Importados: Cosecha Reservado 2018 (0,77 mg/L), Etchart Malbec 2017 (2,15 mg/L), Periquita 2016 (1,17 mg/L), Corvo Roso 2016 (0,92 mg/L), Latitud 33 2017 (0,72 mg/L), Casa Silva Cabernet Sauvigon/Carmenèré 2017 (1,17 mg/L), Casillero del Diablo 2017 (0,54 mg/L), Reservado Concha Y Toro 2018 (0,89 mg/L), Santa Carolina Reservado 2017 (0,57 mg/L), Cartucha 2016 (0,74 mg/L), Baron D’Arignac (0,89 mg/L), Santa Helena Reservado 2017 (0,89 mg/L)

Da serra gaúcha: Arbo Merlot sem safra (3,52 mg/L), Arbo Cabernet Sauvignon sem safra (3,63 mg/L), Casa Perini Cabernet Sauvignon 2017 (3,01 mg/L), Casa Perini Merlot 2017 (3,15 mg/L), Fração Única Cabernet Sauvignon 2015 (4,57 mg/L) e Fração Única Merlot 2015 (3,18 mg/L).

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