Gramado Summit destaca o turismo como força transformadora e estratégica para o futuro

*Por Ana Cristina Basei/Especial

A Gramado Summit 2025, realizada de 04 a 06 de junho, no Serra Park, trouxe muito mais do que reflexões sobre tecnologia e empreendedorismo. Entre os mais de 300 nomes que passaram pelos palcos do evento, o turismo teve lugar de destaque já no primeiro dia, com palestras que ressaltaram o potencial transformador do setor – especialmente para territórios como a Serra Gaúcha e regiões próximas, como o Vale do Paranhana.

Em uma das apresentações sobre o tema, no palco Negócios Sustentáveis, patrocinado pelo Sicredi em parceria com Icatu Coopera, Gregório Nardini, CEO da Planne Software, lembrou que a Serra Gaúcha é um destino consolidado como poucos no Brasil, mas alertou para a importância de fazer o básico bem feito: infraestrutura de acesso, rodovias e aeroportos melhores são mais urgentes do que grandes inovações tecnológicas. “Antes de querer ser brilhante, temos que garantir o essencial. Só isso já eleva nosso patamar competitivo e aumenta nossa capacidade de receber mais turistas”, afirmou.

Deivid Schu, do grupo G30, reforçou que o turismo regional precisa ser olhado como uma economia estratégica. Ele destacou o potencial de “micro destinos”: cidades com atrativos específicos, ideais para visitas rápidas e experiências únicas, como o turismo rural, cultural, de aventura e enoturismo. “Temos aqui uma das poucas regiões do mundo com 10, 15 municípios preparados e complementares entre si. Hortênsias, Uva e Vinho, Campos de Cima da Serra, Vale Germânico e Paranhana… é um verdadeiro ecossistema turístico, com muita expertise em receptivo e grandes atrativos”, comentou.

Marta Rossi, CEO da Rossi & Zorzanello (empresa que organiza a Festuris e conhece bem o setor), apontou uma tendência clara: o crescimento de 30% ao ano do turismo de experiência, aquele que valoriza a cultura local, os saberes tradicionais e a vida no campo, por exemplo. “Os visitantes estão em busca de autenticidade. Querem conhecer o modo de vida das comunidades, suas raízes, seus sabores e histórias”, disse.

Na mesma linha, a professora Nathália Fernandes (foto abaixo), da UniSenac Pelotas, trouxe uma reflexão importante: o futuro do turismo não é apenas sustentável, mas sim regenerativo. Ela defendeu a ideia de que o setor deve ir além de preservar: precisa reconstruir e fortalecer os territórios. “É preciso pensar no turismo como uma ferramenta que ajuda a regenerar ecossistemas e comunidades, com planejamento e propósito”.

As falas dialogam diretamente com o que vem sendo desenvolvido em diversas cidades do Vale do Paranhana, onde a aposta em eventos culturais, roteiros gastronômicos e vivências na natureza tem ganhado força. A região, que une tradição, hospitalidade e paisagens únicas, se alinha com as tendências apontadas nos palcos da Gramado Summit – um evento que, mais do que olhar para o futuro, inspira a construir caminhos para ele.

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