As Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) têm conceito máximo junto ao Ministério da Educação (MEC) e é reconhecida como uma das melhores faculdades comunitárias do Brasil. Além de oferecer qualidade técnica, o ensino ultrapassa limites e fronteiras educacionais. O corpo docente é desafiado a sempre buscar novidades e aprimorar suas didáticas, incentivando o acadêmico ao aprendizado, mas acima de tudo, de se tornarem cidadãos conscientes e atuantes na sociedade. E foi com esse olhar que os alunos da disciplina “Libras e Braille” ministrada pela professora mestre Cibele Fernandes da Costa, desenvolveram, no segundo semestre de 2025, atividades para lá de especiais em um resultado emocionante.
Obras literárias adaptadas
A docente Cibele Fernandes da Costa explica que, após estudarem sobre acessibilidade, audiodescrição, aprenderem e treinarem a escrita em Braille, os acadêmicos foram desafiados a adaptar um livro de literatura infantil ou uma história clássica para pessoas com cegueira ou baixa visão. Ela enfatiza que os alunos tiveram liberdade para escolher os recursos e decidir se a adaptação seria feita em formato físico ou digital, desde que a obra se tornasse acessível.
“O resultado foi surpreendente! No dia da apresentação em sala de aula, sem usar o sentido da visão, eles manusearam as produções dos colegas para perceber o contexto da história”, relembra Cibele. Segundo ela, o objetivo da proposta foi transpor um conhecimento acadêmico para o contexto de vida real das pessoas, tornando-o de fato significativo. “Queria que os acadêmicos percebessem o quanto simples adequações fazem muita diferença para que as pessoas com baixa visão ou cegueira tenham acesso aos artefatos da nossa cultura, tão marcada pela experiência visual”.
Acessibilidade além da teoria
A professora conta que entre as criações, uma acadêmica realizou a audiodescrição da história com a participação do irmão mais novo, diferenciando as vozes dos personagens. Outra estudante utilizou texturas variadas, como tecidos e recortes de E.V.A., proporcionando uma experiência tátil. Um acadêmico adaptou uma história em quadrinhos desenvolvida na disciplina de Educação Financeira, transcrevendo as falas para o sistema Braille. “Uma acadêmica de Pedagogia compartilhou uma história que emocionou a todos. O filho dela estuda nos anos iniciais e tinha um colega com baixa visão. Depois de concluída a adaptação do livro com texturas e um ratinho de brinquedo, ele levou o livro adaptado pela mãe para compartilhar com o colega, o qual ficou muito impressionado e disse que agora tinha um amigo que lembrou dele”, revelou Cibele.

Acolhimento e cidadania
Para a acadêmica de Pedagogia Janaina Taborda Souza, participar do projeto foi uma experiência marcante. “Saber que o resultado final foi a doação desses livros, especialmente do livro adaptado da história ‘O Leão e o Ratinho’ para uma criança de 5 anos com baixa visão, tornou tudo ainda mais especial. Vai além do aprendizado em sala de aula e alcança diretamente a comunidade, promovendo acesso, acolhimento e igualdade”, destaca
Ela ressalta ainda que a vivência proporcionou uma reflexão sobre o papel social da educação e sobre como pequenas ações podem gerar grandes impactos na vida das pessoas.
Literatura acessível é um direito
As obras foram entregues em dezembro à Associação Coletivo Movimento Acessível, de Campo Bom. “A entrega dos livros foi extremamente significativa, pois nosso trabalho é desenvolvido diretamente com pessoas com deficiência e seus familiares. Ter acesso a obras literárias em diferentes formatos acessíveis amplia possibilidades, rompe barreiras e garante que mais pessoas possam vivenciar a literatura de forma plena e significativa”, explica a professora Fernanda Cristina Falkoski.
Fernanda ainda comenta que receber os livros doados pelos alunos da Faccat mostra a importância de iniciativas comprometidas com a inclusão e com o direito à cultura. “A literatura acessível não é um favor, é um direito. Quando falamos que todas as pessoas têm direito ao acesso, precisamos ir além do discurso e garantir, na prática, que esse acesso aconteça”.