Um relato de viagem com lirismo poético sobre andanças pelo sul do continente americano é o que o leitor encontra em “Nós, Americanos”, novo livro de Ilana Lehn. Com um título provocativo e afetivo, a obra convida à reflexão sobre pertencimento continental e propõe o reconhecimento de uma América plural e diversa. “Segui os passos de Alberto Granado e Ernesto Guevara, narrados em Diários de Motocicleta. O livro é a narrativa, desta vez feita por uma mulher, da minha percepção do caminho e das pessoas com quem falei. É, na verdade, mais uma história sobre elas — mulheres principalmente, mas homens também — e sobre suas vidas”, conta a autora.
A viagem, realizada em janeiro de 2023, partiu de Porto Alegre e passou por diferentes pontos da Argentina, Chile e pela fronteira com Bolívia e Peru. “Quando peguei a estrada, ainda não sabia que dali sairia um livro. Levei só o caderninho mesmo. Era o passaporte e o caderninho num bolso do casaco. Às vezes trocava e tirava o caderninho na Aduana (risos). Mas o fato é que eu escrevo sempre, poesia, então sempre viajo com meu caderno. Dessa vez quis algo novo: fui com um caderno em branco. Não sabia o que iria surgir, mas queria a liberdade de escrever sem amarras”.
Ilana conta que foi tomando notas, escrevendo poemas, cantando trechos de músicas que ouvia e registrando o que via e escutava ao longo do caminho. “Escrevi fatos narrados pelas pessoas e impressões minhas. É tudo verídico — tanto o que aconteceu quanto o que senti. Tudo está ali”, revela.
Ao avaliar semelhanças e diferenças entre “Nós, Americanos” e seus livros anteriores, ela explica: “Eu sou poeta, então creio que tudo o que escrevo carrega um tom poético. Nesse sentido, o livro se aproxima dos anteriores, que são todos de poemas. Mas este é meu primeiro livro em prosa. Aqui, a poesia entra como parte da narrativa, complementando com ritmo aquilo que busquei contar”.
Segundo a autora, o livro marca uma mudança na forma como se apresenta ao público. “Sempre me manifestei muito pela fala, nos saraus que organizo desde o Sarau com Café, em Taquara. Este livro registra minha narrativa, minha escrita em outro formato”.


Sobre a autora
Ilana Lehn é escritora, geóloga e pesquisadora, com atuação nas áreas de geociências e cultura, transitando entre a pesquisa científica e a expressão literária. Estreou na literatura em 2020 com “Alérgicos: Cuidado! Pode conter poesia”. Também é autora de “Que?!” (2023) e de “Dela” (2025), escrito em parceria com sua mãe, Marisabel Lehn.
Sua trajetória artística, no entanto, começou bem antes. Ilana promove saraus literários há décadas e atualmente coordena o grupo Saraucoteando, projeto que integra poesia, música e performance. Também interpreta poesia em programas de rádio e TV, como “Respira, que é Poesia”, na Rádio da Universidade/Rádio UFRGS, e “Simplesmente Poesia”, no canal da Fundação Litoral.
“Nós, Americanos…” conquistando por aí
O lançamento oficial do livro aconteceu durante a 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, pela Editora Bestiário, seguido de um evento no Espaço Nave. Na ocasião, Ilana reuniu amigos e importantes nomes da literatura e da música latino-americanas para celebrar a obra. A noite contou com um bate-papo da autora com Fernando Ramos, interpretações de poemas com Mariam Pessah e Deborah Finocchiaro, além de música com Yanto Laitano e Jei Silvanno. O encontro foi uma celebração da literatura e da cultura latino-americana, especialmente aquelas produzidas por mulheres, figuras centrais no livro recém-lançado.
“O livro foi muito bem aceito pela Bestiário, editora que abraçou a ideia desde o início. O editor leu e gostou na hora, mesmo sem sabermos exatamente como classificá-lo, já que não é um livro de poemas nem um diário de bordo, é uma mistura de tudo. Mas que, aparentemente, deu certo. Tenho recebido retornos muito gostosos de quem leu”, conta Ilana.
“Nós, Americanos” está à venda no site da Editora Bestiário pelo valor de R$ 48,00 e em diversas livrarias. Também pode ser adquirido diretamente com a autora pelo Instagram @ilanalehn, com envio pelos Correios para todo o país. “Aliás, podem me encontrar sempre no @ilanalehn. Por lá divulgo meus trabalhos, escritas e interpretações. Espero vocês”, convida.
