É quase Carnaval e os penduricalhos já não servem apenas para ornar fantasias e trajes típicos da Folia de Momo. O termo, hoje, significa essa pouca vergonha de milhões de reais oferecidos em benefícios e mordomias sem limites a servidores públicos federais, estaduais e municipais.
O resultado são salários que ultrapassam o teto e a ganância sem fim dessa gente que só pensa em ganhar mais e mais, sem sequer pagar imposto por essas benesses fornecidas a quem, por direito, deveria nos servir em cargos e salários mantidos por todos nós, contribuintes e trouxas.
Agora, por ação mais do que urgente, e atrasada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que os Três Poderes revisem e suspendam os “penduricalhos” ilegais do serviço público, isto é, sem fundamento legal específico.
Essas verbas vergonhosas ultrapassam o teto do funcionalismo que já é bem exorbitante e chega a R$ 46.366,19. Uma “mixaria” para quem está pouco se importando de onde vem os benefícios incorporados em seus salários. “Penduricalhos” que deveriam ser distribuídos aos aposentados, talvez, hoje endividados em empréstimos consignados porque não conseguem sobreviver com uma aposentadoria de R$ 1.621,00.
Dinheiro público que deveria ir diretamente para a população em áreas essenciais como saúde, educação, moradia e alimentação. Em vez disso, mantém mordomias, viagens, planos de saúde particulares e tantas outras barbaridades de quem já é muito bem pago para se sustentar com supersalários.
É quase Carnaval e, logo mais, essa gente desaparecerá para mais um período de “descanso”, como se já não bastasse receberem um dia de folga ou remunerado a cada três trabalhados, compensando a “sobrecarga” que devem ter em gabinetes abarrotados de assessores.
E no país da alegria, do samba e do Carnaval que já agita algumas cidades brasileiras por várias semanas, os adornos das fantasias já nem chamam mais a atenção entre os milhões de palhaços desta Nação, como a maioria dos trabalhadores e aposentados que precisam “rebolar” todos os dias em troca de um salário tão vexatório quanto os “penduricalhos” que enchem os bolsos desses servidores ou “Bobos da Corte”, que de bobos não têm nada.