3 dicas para escolher o assunto para sua crônica – Parte II

O texto do gênero crônica, um dos meus prediletos enquanto professor de escrita, estrutura-se a partir de elementos recorrentes que lhe conferem identidade e singularidade. Neste momento, detenho-me naqueles que considero centrais para a compreensão do gênero. Conforme já mencionado anteriormente, a proposta é refletir e dissertar sobre a crônica enquanto forma de expressão literária. Escrever, nesse contexto, é um ato que nasce de uma ideia ou de um tema e se ancora em situações simples do cotidiano — um acontecimento aparentemente banal, uma cena urbana, uma lembrança ou uma conversa corriqueira — que, pela linguagem, são transformadas em narrativa significativa. No que se refere à linguagem, a crônica caracteriza-se por um tom coloquial, intimista e pessoal, no qual a voz do cronista se faz presente por meio de opiniões, sentimentos, ironia ou sensibilidade, estabelecendo proximidade com o leitor. Ainda que breve, esse gênero ultrapassa a mera descrição dos fatos, pois suscita reflexão, crítica social, humor ou emoção, revelando um olhar particular sobre a vida, o tempo e as relações humanas.

Apresento, a seguir, três orientações simples, que utilizo tanto em minha prática pessoal de escrita quanto no trabalho de orientação com meus alunos, para a escolha do assunto na produção de crônicas.

A primeira diz respeito ao exercício da observação atenta. Os pequenos acontecimentos do cotidiano — uma conversa ouvida ao acaso, um gesto que se repete, uma cena aparentemente comum — podem dar origem a bons textos quando observados com sensibilidade. Falo, aqui, de sensibilidade no sentido de perceber e registrar as sensações provocadas pela cena, de modo a conduzir o leitor a também senti-las.

A segunda orientação é partir de algo que provoque reação em quem escreve. Qualquer reação é válida: um incômodo, uma lembrança, uma curiosidade ou mesmo um riso. Essas respostas afetivas são indícios de que ali há matéria para a escrita, pois onde há afeto ou estranhamento, há um tema possível.

Por fim, destaco que o simples pode ser grandioso. Não é necessário buscar grandes acontecimentos para escrever uma boa crônica. Muitas vezes, um detalhe aparentemente banal revela mais sobre a vida e as relações humanas do que um fato extraordinário.

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