Oficinas de hortas agroecológicas promovem saúde, autonomia e convivência no CAPS de Igrejinha

O CAPS de Igrejinha desenvolve, há cerca de três anos, oficinas regulares de hortas agroecológicas como estratégia de cuidado em saúde mental, promovendo bem-estar, autonomia e fortalecimento de vínculos entre os usuários do serviço. As atividades acontecem semanalmente, sempre às quintas-feiras, nos turnos da manhã e da tarde.

Inicialmente, o projeto também era realizado em unidades de saúde do município e tinha como foco principal o cultivo de plantas medicinais e chás. Com o passar do tempo, as oficinas foram ampliadas e passaram a incluir o plantio de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), plantas nativas, verduras e hortaliças, diversificando os saberes e práticas compartilhadas no espaço.

Além do cuidado com a terra, as oficinas estimulam uma economia colaborativa: tudo o que é cultivado pelos participantes pode ser levado para suas casas, fortalecendo a autonomia, o autocuidado e a relação com uma alimentação mais saudável. A prática contribui para a redução do consumo de alimentos ultraprocessados, ao mesmo tempo em que incentiva o contato com a natureza, o reconhecimento de saberes locais e a ocupação do tempo de forma prazerosa e significativa.

O espaço das oficinas também se configura como um importante local de escuta, troca e convivência, onde os participantes podem falar, compartilhar experiências e fortalecer vínculos, aspectos fundamentais para a promoção da saúde mental. Em dias de chuva, as atividades são adaptadas: os grupos realizam preparos culinários com os alimentos cultivados e desenvolvem práticas artísticas, mantendo o caráter coletivo e terapêutico do projeto.

As oficinas são conduzidas pela educadora social Ângela Maria Jacobus, que articula as práticas agroecológicas como ferramenta de cuidado integral em saúde. Segundo ela, o projeto, chamado Uma Horta para Amar, fortalece a rede de apoio e o sentimento de pertencimento entre os participantes. “Eu percebo que, nas oficinas de horta agroecológica, os pacientes sentem que têm uma rede de apoio, seja entre eles, seja na unidade do CAPS. Como a horta tem muitas demandas, eles escolhem a atividade que querem fazer, ou seja, há uma disciplina, uma organização coletiva, empática e muito positiva. Não há julgamentos, e sim validação das atividades para seguir adiante. Sinto que há um sentimento de pertencimento. Muitas vezes eles se dividem: ofereço de duas a três atividades e eles escolhem as que mais gostam. Percebemos também que eles têm muito respeito pelo sofrimento das pessoas e dos animais.”

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