Ler é cada vez mais importante 

A arte de começar aos poucos consiste em resgatar a leitura profunda como prática intencional em tempos de inteligência artificial. Ao iniciar o ano de 2026 com vontade e foco no que realmente importa, torna-se fundamental reconhecer que, embora a IA ofereça respostas imediatas, é a leitura atenta e contínua que sustenta o pensamento autêntico e a escrita reflexiva. A construção desse hábito não exige rupturas bruscas, mas tarefas e ações diárias tão sutis que o próprio cérebro quase não percebe a mudança, permitindo que a transformação ocorra de forma orgânica.

A leitura profunda apoia-se em alguns elementos essenciais. Ela nasce da curiosidade genuína, quando o leitor escolhe textos que despertam interesse real, e não por mera obrigação. Exige atenção plena, com foco no encadeamento das ideias e afastamento consciente das distrações digitais. Pressupõe conexão ativa, ao relacionar o conteúdo lido com a própria vida, questionando, anotando e dialogando com o texto. Também demanda paciência rítmica, na qual a qualidade da leitura prevalece sobre a quantidade, permitindo uma assimilação gradual. Por fim, consolida-se por meio da reflexão escrita, que transforma a leitura em pensamento próprio a partir de registros e anotações.

O desenvolvimento desse hábito ocorre por meio de passos cotidianos e progressivos. O início deve ser quase imperceptível: a leitura de poucas páginas ou pequenas informações por dia de um livro instigante, sem pressa, apenas para apreciar as palavras. Ao final do dia, um registro sutil — uma única frase — é suficiente para capturar um insight ou pensamento passageiro. Com o passar da primeira semana, acrescentam-se alguns minutos à leitura e iniciam-se sublinhados ou anotações à margem, fortalecendo conexões. Semanalmente, a integração ativa se dá pela elaboração de um breve resumo, em três pontos, do que mais impactou, sempre relacionando o conteúdo à experiência cotidiana. Mensalmente, a revisão reflexiva das anotações permite identificar padrões emergentes, reforçando a autonomia intelectual, independentemente do apoio de sistemas de IA.

Em síntese, são justamente esses passos aparentemente pequenos que, sustentados pela disciplina, consolidam a capacidade de refletir, interpretar e criar de forma autônoma. Como já destaquei em outras publicações, é a disciplina — entendida como o compromisso de fazer o que precisa ser feito da melhor maneira possível, tanto nos dias de entusiasmo quanto nos de resistência — que transforma a leitura profunda em hábito duradouro. Assim, em meio ao ruído digital contemporâneo, a constância disciplinada torna-se o alicerce para o cultivo de uma mente crítica, atenta e verdadeiramente independente.

FELIZ 2026, FELIZ PRIMEIROS PASSOS!

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