Vai ter teatro em Taquara em outubro! A Ópera no Papelão, um drama poético-realista com tons de tragicomédia, vai ser apresentada pela Cia. ÓMaria do Teatro, no dia 11 de outubro (sábado), às 20 horas, no Centro Educacional Índio Brasileiro Cézar. Com entrada solidária, o ingresso é 1Kg de alimento, mas os lugares devem ser reservados antecipadamente pois são limitados.
A peça Ópera no Papelão mergulha na vida de dois homens em situação de rua, mas por meio de uma linguagem lírica, onde a humanidade prevalece sobre o peso da miséria. Zito carrega a tristeza e a desesperança, acreditando que da vida só resta esperar a morte. Já Murcho, seu companheiro de papelão e de memórias, é o oposto: com suas invenções e estripulias faz de tudo para manter o amigo de pé, arrancando sorrisos em meio ao frio e ao abandono. Embora vivam entre caixas, lembranças e fantasias, não são caricaturas da rua. Ambos já tiveram famílias, amores e histórias, mas os caminhos os levaram à margem: Murcho, que cresceu em um orfanato até decidir fugir, e Zito, que após um acidente perdeu a razão e acabou perdendo também seu lar.
Entre humor, poesia e delírios, a amizade dos dois resiste ao silêncio da cidade. É uma obra que mostra que, mesmo em meio aos destroços, ainda é possível encontrar afeto, riso e eternidade. O título Ópera no Papelão sintetiza essa ideia: Ópera remete ao grandioso, ao sublime, à música que ecoa sentimentos universais como dor, amor, solidão e esperança. Mas aqui, ela é subvertida: não há orquestra, nem cenários luxuosos; a ópera nasce da voz, da rua e da amizade. Já o papelão representa a precariedade, o abrigo improvisado, o palco da sobrevivência. O que para muitos é lixo, para eles é casa, vida e resistência.
A encenação aposta na simplicidade como potência poética. Inspirada no Teatro Pobre de Jerzy Grotowski, no espaço essencial de Peter Brook, no minimalismo existencialista de Samuel Beckett e na força do teatro popular brasileiro, a obra segue a estética do pouco que é muito: uma caixa, uma lanterna e uma escada transformam-se em mundos inteiros, carregados de lirismo e significado.

A criação e a atuação é de uma dupla homônima: João Ieffet Parada e João Vítor Angeli, com direção de João Ieffet Parada. A obra é uma produção da Cia. ÓMaria do Teatro, de Taquara. A classificação do espetáculo é 11 anos. As reservas de ingressos devem ser feitas pelo WhatsApp 51 99874.0396 e mais informações podem ser obtidas no Instagram