A escrita sempre foi o fio condutor da minha vida. Mais do que um recurso, ela se tornou meu modo de estar no mundo, minha forma de resistir e transformar. Sou professora da educação básica há mais de 20 anos e, nesse percurso, percebo que tudo o que conquistei nasceu do encontro entre minha história e as palavras.
Nasci na zona rural, a nona filha de uma família de onze irmãos, filhos de agricultores. Cresci em um tempo sem televisão, quando a informação chegava pelo radinho de pilha e os estudos dependiam da fé e do esforço coletivo. A infância foi marcada pelo trabalho na lavoura, pela simplicidade e pelos valores de respeito, honestidade e solidariedade.
No entanto, foi a escrita que me mostrou outras possibilidades. Recordo até hoje o dia em que uma professora de Língua Portuguesa me disse: “Tu escreves muito bem”. Eu era adolescente, e aquelas palavras me deram coragem para acreditar em meu potencial. Ali, descobri que escrever poderia ser um caminho de transformação — e foi.
Enfrentei desafios: repetir séries, estudar longe de casa como bolsista, conciliar trabalho com os estudos. Mas em cada obstáculo, encontrei na escrita um refúgio e uma ferramenta. Foi ela que me abriu portas para a educação superior, para a pesquisa e para a sala de aula.
Minha formação acadêmica foi construída com esse alicerce: Licenciatura em Letras (2003), Mestrado em Letras (2019) e Doutorado em Diversidade Cultural e Inclusão Social, todos pela Feevale. No caminho, publiquei livros, artigos, participei de eventos no Brasil e no exterior. Durante a pandemia, intensifiquei ainda mais essa produção: escrevi, organizei coletâneas e ministrei cursos sobre literacia digital e ensino híbrido.
Entre as conquistas que me orgulham, destaco quando fui finalista do 11º Prêmio Professores do Brasil, em 2018, sendo reconhecida como uma das cinco melhores professoras do país, e minha atuação como coordenadora da rede Conectando Saberes em Rolante/RS. Mas, para mim, mais importante do que os prêmios é perceber que a escrita me possibilitou construir pontes — entre escola e vida, entre conhecimento e realidade social, entre passado e futuro.
Hoje, compreendo que a escrita não é apenas minha profissão: é minha identidade. Foi ela que me ajudou a atravessar os desafios, que me ensinou a criar e a compartilhar. Foi pela escrita que me tornei educadora, pesquisadora e, sobretudo, alguém que acredita na força transformadora das palavras.