Qual o valor da escrita em tempos de Inteligência Artificial?

Hoje quero falar sobre algo que tenho escutado com frequência – especialmente agora, em meio a tantas discussões sobre inteligência artificial. Dias atrás, ouvi de uma mãe: “Hoje ninguém precisa mais estudar… a IA faz tudo.”

Confesso: essa frase me preocupa. Embora soe moderna, ela esconde um grande equívoco. A inteligência artificial é, sim, uma ferramenta poderosa, inovadora, transformadora. Mas não substitui o essencial: o pensamento humano, o raciocínio crítico, a clareza na expressão.

Nossa capacidade de escrever, argumentar, interpretar o mundo por meio da linguagem continua sendo uma das maiores competências que podemos cultivar. A escrita – e o domínio da língua – não são habilidades do passado. São exigências do futuro.

Num cenário onde todos têm acesso às mesmas ferramentas digitais, o verdadeiro diferencial está em quem sabe pensar com profundidade, comunicar com clareza e escrever com intenção. Isso, nenhuma IA faz por nós.

Mais do que nunca, precisamos saber fazer boas perguntas, interpretar informações, avaliar respostas. E isso só se aprende com uma base sólida: leitura, escrita, linguagem.

Dizer que “a IA faz tudo” é esquecer que ela só funciona bem nas mãos de quem sabe o que busca e como se expressar.

Como pais e educadores, nossa missão não é formar operadores de máquina, mas cidadãos críticos, criativos, conscientes. Isso começa no amor pelas palavras, no respeito pela linguagem, na prática diária da escrita.

Por isso, precisamos seguir valorizando a leitura, incentivando a escrita e ensinando nossas crianças a pensar com autonomia. No mundo de hoje – e ainda mais no de amanhã – quem domina a linguagem, domina o pensamento. E quem pensa com clareza, lidera com responsabilidade.

Dominar a língua vai além de conhecer regras gramaticais. É saber construir argumentos, emocionar, influenciar, decidir. Em tempos de IA, quem escreve bem se destaca – não por saber mais, mas por saber interpretar melhor.

A inteligência artificial é uma aliada, não um substituto. Para que seja útil, precisamos ser capazes de questionar, selecionar, refinar. Sem leitura crítica, sem boa comunicação, ficamos à mercê de respostas automáticas — e nos afastamos do que nos torna humanos.

Por isso, estudar, ler, escrever e pensar criticamente não são apenas práticas escolares. São atos de resistência e de construção. E quem educa com essa consciência, não apenas prepara para o futuro — forma cidadãos capazes de viver com propósito num mundo cada vez mais complexo.

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