Eu voei de balão no início deste ano, exatamente no local onde ocorreu a tragédia do último final de semana, em Praia Grande (SC). Foi uma das experiências mais incríveis que já vivenciei, flutuando no céu ao nascer do sol e com os cânions emoldurando a nossa aventura lá de cima.
Viajei com amigos e outras pessoas que conhecemos no pequeno grupo do Rio Grande do Sul, além dos que nos acompanharam no cesto que leva mais de 20 pessoas, literalmente, para o céu, no local da subida, em Praia Grande.
Confesso que ver o balão inflar no chão, antes da subida, dá um certo medo. O maçarico expelindo fogo parece não combinar com algo tão suave e leve quanto o flutuar desta aeronave, depois que ela sobe. E é neste momento, quando o chão começa a se distanciar que a paisagem mais linda se descortina.
O silêncio só é interrompido pelo som ritmado do maçarico expelindo ar quente para o gigante colorido subir acima de um quilômetro, descortinando a nossa frágil condição humana, diante da natureza exuberante que se apresenta sob nossos pés.
A labareda que adentra e sustenta o balão, manuseado por pilotos experientes, aquece o coração e aumenta a adrenalina, com certeza, mas em momento algum nos passa a sensação de queda, a não ser na hora do pouso que pode ser em local incerto, ou quase, embora sempre em segurança.
As imagens impactantes e terríveis do último sábado, quando um desses lindos balões (tão coloridos quanto às expectativas dos turistas que para lá se deslocam em busca desse momento mágico que é flutuar como um pássaro) explode no ar e mata oito pessoas, não combinam com a leveza do planar, do voar, de se sustentar no ar em um pequeno cesto com duas dezenas de pessoas que nem se conhecem, mas que compartilham a insustentável leveza do ser.
Por isso, falo dos balões como quem nunca passou, obviamente, por uma fatalidade dessas (que é rara e que pode acontecer por fatores diversos), mas como alguém que também se arrisca em esportes mais radicais, sabendo que há perigos inerentes à aventura.
Mas que garantia temos em qualquer situação, de risco potencial…ou não? Que perigos nos espreitam ao dobrar a esquina, ao embarcar no avião, ao estacionar o carro, ao escalarmos uma montanha, ao flutuarmos em um balão?
Sempre pode ser um momento derradeiro, até ao atravessar a rua, ainda que ninguém vá se aventurar em busca da morte. Ou vá…vai saber! O ser humano, em desafio constante, procura a superação dos seus limites e, mesmo que inconscientemente, é seduzido pela emoção, pelo desconhecido, pelo medo a ser vencido.
Infelizmente, às vezes não dá certo! A fatalidade, a imprudência ou a negligência vencem e a morte chega colorida, em forma de balão, em labaredas de fogo, em corpos que se atiram em pleno voo, como pássaros abatidos, enquanto outros são poupados milagrosamente para seguirem se aventurando, talvez, pelo céu da existência que ainda poderão desfrutar, por sorte, por acaso ou providência divina.
Em tempo: Obrigada aos amigos que flutuaram juntos naquele momento mágico em que ousamos voar além!! E, antes que perguntem se eu subiria em um balão novamente, a resposta talvez seja não…ou melhor: por que não?