Lançamentos de autores locais reafirma o papel da Feira do Livro de Rolante na formação de escritores

A manhã do sábado na Feira do Livro de Rolante tem reservado um momento especial para escritores rolantenses e da região. A 22ª edição, que foi realizada de 05 a 10 de maio, no Parque da Kuchenfest, contou com essa atividade e surpreendeu o público. “A nossa Feira do Livro, além de promover o estímulo e incentivo à leitura e à formação de leitores, também tem o objetivo de formar novos escritores. Quando criamos esse momento de lançamento, com a ideia de ser algo permanente, não sabíamos se teríamos escritores todos os anos. Para nossa felicidade, sempre tem trabalhos para lançarmos e de muita qualidade”, conta a diretora de cultura de Rolante, Joyce Reis.

O escritor e historiador Ademir Rost, que foi o primeiro a publicar um livro sobre a história de Rolante, lançou “Universos Diversos“. Nesta obra, ele deixou de lado os relatos históricos e as crônicas e se aventurou na poesia. “É diferente, escrever versos é extremamente difícil. Mas tem um pouco da história de Rolante e de Ilha Nova, onde moro. Só que com uma abordagem diferente agora”, destacou. O escritor, que foi patrono da Feira do Livro em 2024, destacou a importância do Fundo Municipal de Cultura de Rolante, que oportuniza que muitos projetos sejam realizados, como livros publicados, como é o caso de sua nova obra. E ainda usa a experiência e aconselha quem tem vontade de escrever. “Escrevam, não se preocupem quantos leitores terão. A gente nunca sabe. O que vocês não escreverem, morrerá com vocês. O que publicarem, vai existir através dos livros”, declara.

O palco também recebeu a estreante na literatura Aline Evelin. A premiada fotógrafa rolantense é uma das 20 autoras da obra “Mulheres que influenciam”. O livro começou na célula (grupo de estudos) da igreja onde congrega e ela compartilha o seu testemunho de vida. “Escrever me fez mergulhar fundo na minha própria história. Foi um processo de trazer a tona vulnerabilidades, feridas que precisavam ir pro papel para serem curadas”, declara. Ela indica ainda que todas as histórias contadas no livro são muito emocionantes e que tem certeza que os leitores vão se identificar com várias delas.

O novo título de Albino Pazini também foi destaque durante o evento. “Almas Quebradas” traz a história de Pietro, vocalista de uma banda de rock em São Francisco de Paula (cidade natal do autor) e se passa no período da ditadura militar. Ele conta que o processo de produção exigiu muita pesquisa, pois precisava conhecer bem o período histórico do qual se refere na obra. “O Pietro não é um jovem convencional e a os desafios do jovem no período são relatados. Ele sofre preconceitos e enfrenta um dilema interno de busca do seu propósito de vida”, destaca o escritor.

Também teve autor de Santo Antônio da Patrulha no palco do evento. Márnei Consul apresentou o seu livro “Sim, eu Conto” e também contou um pouco sobre o Grêmio Literário Patrulhense, do qual faz parte. O artista destacou que conto é a sua narrativa preferida e que não prioriza os finais felizes. “Nas novelas o final sempre é feliz, na literatura não precisa. Os contos desse livro tem uma mistura de sensações, com deboche, acidez, frustração, emoção. São textos para provocar o leitor e despertar os variados sentimentos”, declara.

A literatura em sala de aula e produção de jovens escritores também esteve em destaque no palco. Os projetos Tekoha e Asas Literárias realizados na Escola Estadual de Educação Básica Comendador Albino Souza Cruz, comandados pelos professores Lauri Francisco Cardoso e Daniela Ramos dos Santos foram apresentados. O educador trouxe a referência ao estudo das lendas e mitologias brasileiras e construírem novas obras realizado no Tekoha. “Os alunos que se destacam vão para a semana literária. Passando por todo esse processo e, junto com os alunos, conversamos e damos um novo rumo. O que inicia com a temática histórica vai ganhando uma releitura para se transformar em um livro. Aí começa uma produção prática unindo conhecimento e criatividade, em uma troca de conhecimento, para desenvolver algo novo”. Algumas das estudantes escritoras contaram sobre o que são seus livros e sobre o sentimento de realização.

Sarau Literário também celebra artistas locais

Realizado na quinta à noite, com organização da Confraria dos Escritores de Rolante, o Sarau Literário também é um momento de valorização dos escritores locais. Além dos escritores rolantenses, lendo seus textos, também contou com a participação de integrantes do Grêmio Literário Patrulhense, entidade referência na promoção da escrita e formação de escritores. Mediado pela professora e escritora Ana Elicker e com música de Joel Porto, a atividade teve leitura de textos autorais e falas sobre o processo de escrita, desafios e conquistas na vida literária.

Sobre a Feira do Livro de Rolante

A 22ª Feira do Livro de Rolante foi realizada de 05 a 10 de maio, no Parque da Kuchenfest, oportunizando uma semana de contato com a literatura e a arte. Organizada pela Prefeitura Municipal através do Departamento de Cultura e Secretaria Municipal de Educação e Esportes, e pelo Sesc Taquara, a Feira contou com diversas atrações, incluindo bate-papo com escritores, espetáculos teatrais e de música e muita diversão e conhecimento.

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