Imagens, em vídeo ou foto, inegavelmente dominam o mundo e o dia a dia de toda a humanidade, especialmente nas redes sociais. Nada mais é exibido sem alguma imagem ou ilustração e, obviamente, sem algum reels para dar aquela “animada” no texto ou na informação que ninguém mais lê.
Até as transmissões de rádio, agora, são filmadas e exibidas online em plataformas que mostram tudo, além do que está sendo dito. É preciso exibir o entrevistado e os entrevistadores, como se fosse na televisão. Só o áudio não convence mais.
A experiência de um podcast, que talvez não passe de um rádio modernizado, sem substituí-lo, é bom lembrar, agrega essa questão da imagem. Certamente, um desafio para quem prefere ficar atrás das câmeras, bem longe dos holofotes. Há um certo medo da exposição e do julgamento, não apenas pelo que está sendo dito mas, especialmente, pelo que está sendo visto.
Parece um paradoxo e uma incoerência falar em um “rádio” onde todos estão te vendo. Isso sem citar os “cortes” na internet, que dão medo até de pensar: “Qual parte irão recortar do que eu disse?”. Novidades tecnológicas que vão invadindo nossa vida rapidamente, adaptando o que já existe a uma demanda virtual sem precedentes.
Ainda assim, ouvir alguém falando sobre a sua vida, sua profissão ou suas aventuras, por vários minutos ou horas, pode ser algo terapêutico, independentemente de ter ou não imagens. São parte de biografias que nos servem de referência em meio a tanta desinformação. Outra incoerência, mas é verdade. Nunca tivemos tanta informação e tão pouco conhecimento.
Por isso, eu, “cria” do rádio e do jornal impresso, já me rendi a alguns podcasts como ouvinte e, pela primeira vez, semana passada, como entrevistada do canal do Drops do Cotidiano, da jornalista Lidiani Lehnen, de Igrejinha.

Foi um choque, confesso, mas uma grata surpresa saber que podemos superar esses pequenos grandes desafios virtuais e deixarmos nossas experiências registradas a quem quiser nos ouvir, nos ver, nos julgar e até, com todo o direito, nos cancelar, e nos esquecer para sempre.
Seja como for, ali estaremos para a posteridade, em áudio e imagem, revelando quem somos, o que nunca seremos e o que fazemos, de melhor e de pior. Se não concordar, não curta. Ou faça como no rádio de antigamente: desligue o botão do aparelho ou mude de estação. O dial e o streaming têm muitas opções… graças a Deus e ao bom senso!!!