Obsoletos por natureza

Estamos programados para “durar”, viver mais, com os recursos das novas tecnologias e avanços da medicina. Disso, ninguém duvida. 

Os que têm maior qualidade de vida irão mais longe, com um bônus centenário, talvez. Já a sua geladeira, TV ou máquina de lavar estão programadas para morrerem antes de você. Bem antes, aliás, do que o fabricante e os comerciantes alardeiam em ofertas parceladas que vão além da vida útil do produto, em muitos casos.

A tal da obsolescência programada parece, mesmo, crônica de uma morte não anunciada, mas premeditada. Do nada, as coisas param de funcionar, antes de se gastarem pelo uso, que seria o normal.

Mas o novo normal é justamente o contrário. As coisas se desgastam e estragam já no momento da compra e queimam ou se deterioram sem dar tempo, sequer, de serem usufruídas o suficiente para morrerem dignamente pelo uso ao longo de muitos anos e não assassinadas pela ganância.

Para alguém como eu, que só troca um sofá ou uma geladeira em último caso e só se não tiver mais conserto de jeito nenhum, a obsolescência programada parece uma piada de mau gosto, um deboche com o investimento e com os sonhos do consumidor.

Num piscar de olhos, o que levou meses, talvez, para ser adquirido, some, desaparece “porque não vale a pena consertar”, “vai sair mais caro que comprar um novo” . E lá vamos nós,  os trouxas, comprar tudo de novo para estragar novamente ali adiante, num círculo vicioso de consumo sem fim.

Somos obsoletos em sustentabilidade, programados para gastar o que não temos e comprar por impulso, muitas vezes, o que não é necessário e, o que é pior, já vem pronto para estragar, morrer e se transformar em mais lixo que, obviamente, será debitado na conta do planeta.

Só não esqueça que a cobrança vem para todos, à vista, com juros e correção.

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