Velho é uma palavra que já está ficando velha. Nem sei se podemos usar essa expressão ainda, especialmente para designar a faixa etária de uma pessoa mais “madura”, digamos assim.
Só sei que nem os idosos ficam velhos de uns tempos pra cá. Se antes os 60 delimitavam o passo para entrar definitivamente na terceira idade (ou para alguns, “melhor idade”), agora está cada vez mais difícil determinar esse limite.
Já temos mais de 37 mil pessoas com mais 100 anos no Brasil, e bem lúcidas e ativas, além de somarmos aqui no Rio Grande do Sul praticamente metade da população com mais de 60 anos ou aproximadamente isso.
Os outros 50 por cento são mais jovens, mas não parecem interessados em ter filhos e perpetuar a espécie, o que talvez seja a atitude mais sensata diante da perspectiva do caos humanitário e climático do planeta.

Mas o interessante é que não somos considerados velhos, mesmo já tendo ultrapassado os 60, 70, 80, 90 e, vá lá, 100+. Há recursos para quase tudo (e para quem pode mais, obviamente), para manter a mente e o corpo saudáveis, sem falar nos procedimentos de revitalização e harmonização facial que transformam (e também deformam, cuidado) pessoas de todas as idades.
Não sei se isso é bom ou ruim. A longevidade sem assistência e sem recursos pode ser um grande problema neste país de tantas desigualdades. Ao mesmo tempo, vivendo mais e com a necessária qualidade de vida, poderemos desfrutar de muito mais coisas, longe dos compromissos e do estresse que nos acompanham em anos de trabalho, filhos, faculdade, etc.
Chegar aos 80 ou aos 100 anos já nos confere muito mais do que respeito. Nos liberta e nos redime de quase tudo, principalmente da hipocrisia ditada por uma sociedade consumista e forjada em aparências e obrigações.
Então, que branqueiem os cabelos, que as rugas se aprofundem, que doam as articulações, que envergue a coluna, mas que ninguém nos chame de velho. Ah, isso não!