Sabor e trabalho social: Lar Padilha encerra mais uma participação na Oktoberfest de Igrejinha

*Por André Amaral

Depois de incontáveis pasteis, enroladinhos, batatas fritas, violinhas e outras delícias entregues, mais uma Oktoberfest chegou ao fim para o Lar Padilha no último domingo (29) em Igrejinha. Tudo preparado com o calor de quem se dedica a ajudar aqueles que descobrem cedo demais que o mundo nem sempre é um lugar acolhedor.

O estande montado no Pavilhão do Kerb é tradicional na festa e já ultrapassa dez anos de presença. Durante a festividade, passaram por ali aproximadamente 35 voluntários – entre eles ex-acolhidos e ex-funcionários –, todos empenhados em preparar e servir os lanches que alimentam, além daqueles que trocam calorias por diversão ao som das bandinhas, o caixa da instituição.

Mais tradicional ainda é o abrigo sediado em Taquara, que em abril deste ano completou 45 anos de atuação e celebrou mais de 4 mil vidas transformadas. É no interior do município que o Lar Padilha tem sido um farol de esperança para inúmeras crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

À frente da casa está o diretor Fernandes Vieira dos Santos, um homem dedicado a transformar vidas e proporcionar oportunidades que muitos jovens, que atravessaram traumas como negligência, abandono e abuso sexual, jamais sonhariam alcançar.

Mas sonhar também implica em acordar. Fernandes destaca que o lar enfrenta inúmeros desafios para atender aos internos, que têm entre zero e 18 anos. Apesar dos esforços para encaminhar os jovens a cursos profissionalizantes externos e prepará-los para o mercado de trabalho por meio de ações como o Programa Aprendiz Legal, que visa à inserção de jovens no mundo profissional, há ainda um obstáculo significativo: o preconceito.

“Dar uma chance a esses jovens é uma luta constante”, explica Fernandes. “É complicado. Muitos empregadores, principalmente no comércio, relutam em abrir suas portas a jovens que vêm do abrigo, e eles sofrem demais com a falta de oportunidades”, conta o diretor, acrescentando que as fábricas costumam abraçar a causa de forma mais expressiva.

Atualmente, o Lar Padilha abriga 86 internos, um número que ultrapassa a capacidade operacional da instituição, que foi projetada para acomodar 72 pessoas. No entanto, a dedicação da equipe e o compromisso inabalável de Fernandes faz a roda girar sem parar. E a arrecadação de fundos da instituição na Oktoberfest de Igrejinha é vital.

“Anualmente arrecadamos cerca de R$ 10 mil com a venda de lanches na Oktober, dinheiro que vai principalmente para os custos do mês. Outra fatia é usada na Noitada Cultural, evento de fim de ano no qual os internos fazem apresentações, sob coordenação de educadores sociais e voluntários”, explica.

O grosso da arrecadação do Lar Padilha vem da Festa da Colheita, momento em que o balanço da edição é apresentado à comunidade e às entidades que recebem o repasse. De acordo com Fernandes, em geral, a instituição recebe em média R$ 100 mil. Esses recursos são direcionados para melhorias na infraestrutura, incluindo reformas, novos equipamentos, expansão do sistema de energia solar e cobertura das despesas gerais da instituição.

Quer ajudar?

Para melhorar a qualidade de vida, o conforto e a segurança dos acolhidos, o Lar Padilha mantém uma busca contínua por parcerias e doações, visando concretizar diversas reformas e expansões em suas instalações. Quem se sentir motivado a contribuir pode entrar em contato com a instituição através do telefone (51) 3542-9146 ou pelo e-mail larpadilha@larpadilha.org.br. O apoio da comunidade é fundamental para promover mudanças significativas na vida desses jovens.

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