Valorize as mãos que criam

Eu amo tecnologia, amo mesmo. Mas há coisas que quando realizadas por nossas mãos, são tão ou mais incríveis ainda. Algumas delas, são as relacionadas às artes manuais. 

Ok, como designer e ilustradora, tendo mesmo a amar mil vezes mais o que é personalizado, único, manual.  Cada projeto que eu idealizo, leva tempo e leva minha dedicação. Insiro toda a minha experiência de mais de 15 anos de carreira criativa, focando em solucionar da melhor forma a questão para a qual fui contratada a pensar. 

Fotografia retirada do Unsplash, autoria de Khara Woods

Mas conversando com amigos e conhecidos artistas e designers, cheguei à conclusão de que existe uma hipervalorização do que vem da indústria. Quanto mais caro, exclusivo e inacessível o produto for, maior é o desejo de posse que ele evoca. 

Parece que somos pequenos ratinhos correndo atrás de um queijo em movimento, nunca o alcançando e nunca parando de correr. É uma vontade tão grande de parecer algo, que a gente esquece até o motivo de consumir tanto. Apenas queremos mais e mais.

Arte que desenhei em aquarela 

Como em março (15/03) é o dia do consumidor, decidi “comemorar” de um jeito diferente: sem consumir. Ou melhor: sem consumir nada desnecessário. E sendo assim, decidi escrever esta reflexão na minha primeira coluna de março.

Fiquei pensando: por que as artes manuais não são reconhecidas como deveriam? Por que aplaudimos tudo que é industrializado e não valorizamos como deveríamos tudo o que as mãos criam? E claro, por mãos, entendo o combo mãos + mente criativa.

Valorizar o trabalho criativo só “vale a pena”, se o criativo for famoso. E é esse pensamento que faz com que pequenos negócios não tenham a visibilidade que merecem.

Meu estúdio não possui milhares de seguidores nas redes sociais, mas meu trabalho como comunicadora criativa faz com que meu conteúdo chegue até as pessoas certas que me apoiam.

Meu estúdio, embora ainda pequeno, sempre está na ativa, criando e solucionando. Mas não posso ser hipócrita e devo reconhecer que tenho ao meu favor todo o conhecimento em comunicação no digital, coisa que a maioria dos pequenos negócios não possuem.

Saber fazer com que o conteúdo chegue até as pessoas certas, requer conhecimento não apenas da plataforma, mas também dos nossos públicos. É preciso saber aliar teoria, prática, comunicação e branding bem construídos para termos bons resultados.

Estampa que desenhei em lápis carvão para aplicação em lenço.

Os criativos que desenham, precisam aprender amostrar ao mundo tudo que fazem. Se a vida toda aprendemos que “era feio ficar falando da gente”, agora mais do que nunca, ou a gente conta a nossa história, ou estamos fora.

Quando eu compartilho meus processos criativos, sinto que quem acompanha meu trabalho aprecia muito mais. Eles começam a entender que adquirindo uma obra ou estampa minha, estão adquirindo junto um pouco do meu amor à criação e à arte.

Estampa que desenhei e apliquei em uma almofada.

Valorizar as mãos que criam, é reverenciar os processos criativos e as histórias das coisas. É entender que o tempo dedicado à criação de um produto, é o bem mais precioso. É valorizar a arte e as manualidades.

Neste dia do consumidor e durante o mês de março, proponho que tu adquira produtos realizados por mãos que criam. E de preferência, mãos femininas. A sensibilidade do manual faz com que a arte seja ampliada através do trabalho criativo de quem é capaz de deixar tudo especial.

Minha mão em seu estado natural: com tinta, realizando e criando!

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