Sobre metaverso, frente, verso. E prosa.

2022 chegou. E já sinto uma maré de mudanças que me sacodem, levantam, inquietam. É um turbilhão de sentimentos de dentro pra fora. Escolhas.

Ano passado me pediram para fazer escolhas, mas acabaram escolhendo por mim. E aí o 2022 acabou virando a parte b do filme que eu não queria assistir. Mas permiti que fosse assim, então no fim, tenho culpa neste desfecho, certo?

Começo 2022 com o coração leve após ter abraçado meus pais e irmã de novo. Foram 2 anos longe e tê-los visto soprou esperança e fé dentro de mim.

Se eu penso bem em todos estes lados e arestas que eu lapido diariamente, olha, eu estou fazendo um ótimo trabalho. Afinal, não é nada fácil. Começo este 2022 com 38 anos e acho que nunca me senti “mais eu” em toda a minha vida. Quiseram me podar antes de crescer, algumas várias vezes. Mas não deixei, teimosa que sou. Opiniática, idealista e até chata, bato o pé e sigo em frente por tudo e todos que me fazem acreditar. Aos trancos e barrancos, erros e tropeços, vou avançando o caminho.

Ainda esses dias eu li uma reportagem bacana sobre a vulnerabilidade feminina e o tanto que as mulheres são demonizadas por “mostrar sua fraqueza” ao chorar no trabalho. E aí até guardei aqui o comentário que fiz, para compartilhar com vocês.

“Já chorei, trabalhando, por quatro motivos: 
1. Gratidão por ter sido celebrada alguma conquista, independente de ser minha ou do time 
2. Injustiça, por ser acusada ou cobrada por algo que não era minha responsabilidade ou que acabou caindo no meu colo e eu tive que dar meu jeito 
3. Quando percebi que dar meu máximo virou obrigação, e meu máximo não é o mesmo todos os dias 
4. Quando ouvi que “líderes precisam se acostumar a não ser validados sempre, nem elogiados, nem encorajados, pois estão em outro patamar“.
Todas estas 4 situações me marcaram, algumas já foram superadas e outras, por mais que eu já tenha perdoado, permanecem na lembrança para que eu não esqueça que eu quero ser lembrada por me importar: com minha família, com os outros, com o mundo, com meu time, com meu negócio, com meus amigos. Os sensíveis, sofrem mais. Mas sabe? Os sensíveis também são os melhores em perdoar. Creio que por isso mesmo que eu sempre procure pedir desculpas e ficar bem com as pessoas, quando nem sempre eu errei e tenho ciência disso. Não se leva nada daqui, dessa vida. A única forma de seguir vivo após partir deste plano, é permanecendo nas lembranças de quem a gente marcou, de algum modo. Que tenham as melhores lembranças de mim, pelo tempo que elas ecoarem de boca em boca, de mente em mente, de coração em coração. Nada melhor do que um coração leve e sereno, uma mente tranquila e fé para seguir ❤️

Transformar o meu avesso em verso, é compartilhar quem sou com o mundo. Sei que há muitas pessoas que se encorajam após ler meus textos e é para elas que sigo escrevendo. As pessoas precisam de pessoas, sempre vão precisar. Nós somos seres sociais, seres que se reinventam nas adversidades e no acaso. E, se tudo for muito milimetricamente calculado, haverá espaço para as gentis surpresas, que chegam sem avisar e que ressignificam nossos mundos?

Sempre fui mais das humanas do que das exatas. E é por isso que eu não me empolgo muito com temas como este tal de metaverso. Há tanto para se melhorar no mundo que já existe… é preciso, mesmo, pensar em novos mundos? Nos projetar para dentro destes mundos criados artificialmente e que nem contemplam a beleza do inesperado, do imperfeito, do real?

Sobre metaverso, Mark Zuckerberg afirmou:

A próxima plataforma será ainda mais imersiva – uma internet que você pode experimentar, não apenas olhar para ela. Nós chamamos isso de metaverso e irá permear cada projeto que construímos. A qualidade que define o metaverso será a presença – como se você estivesse ali com outra pessoa ou em outro lugar. Sentir-se verdadeiramente presente com outra pessoa é o maior sonho da tecnologia social. É por isso que estamos focados em construir isso”.

Para mim, o único modo de estar verdadeiramente presente com outra pessoa ou em outro lugar, é desligando a internet e buscando uma conexão onde as únicas transferências de dados que existem, são a do contato humano, o olho no olho e a validação de tudo que realmente importa. Imaginando e idealizando futuros possíveis, deixamos de experienciar o presente (que segue embrulhado e esquecido, esperando para ser curtido no “mais tarde” que nunca chega).

#metaverso

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