Antes que o meu café esfrie

Acordo todos os dias às 5h da manhã. Levanto da cama, lavo o rosto, abro a janela do escritório, ligo o computador, vou para a cozinha esquentar a água para passar café.

Rego as plantas, varro a casa, levo o lixo para a lixeira. 

Enquanto a água esquenta, vou lendo e respondendo e-mails, adiantando o trabalho.

Tiro dúvidas de alunos, gravo mais alguma aula nova, envio um novo orçamento de projeto.

Volto para a cozinha e com a água já quente, pego 2 colheres e meia de pó de café e já coloco no filtro. Despejo água quente e enquanto o café é coado, respondo mensagens no WhatsApp.

Volto pro computador, respondo mais alguns e-mails e entro em contato com novas marcas interessadas em meu trabalho.

Retorno para a cozinha, despejo um pouco mais de água no filtro de café e enquanto o café vai sendo preparado, olho o sol nascendo na linha do horizonte.

Acesso meu Skype, vejo que há mensagens não lidas, mas aguardo até 7h da manhã para responder.

O café já está passado e pego minha caneca para começar meu dia oficialmente.

Ligo a tv, começo a assistir alguma série, mas o celular indica que preciso responder algo importante de trabalho. Nisso já são 7h30min.

Respondo o que eu preciso responder, dou um gole farto no café passado e por instantes sinto que a casa toda está impregnada pelo aroma delicioso.

Deixo a caneca na mesinha da sala e pauso a série. Entro no Instagram e respondo comentários e mensagens. Percebo que fui incluída em mais uma reunião que acabou desorganizando meu planejamento de trabalho.Desligo a televisão.

Pego o celular, posto algo novo no perfil do estúdio, passo pelos perfis dos clientes que atendo, respondo tudo.

Interfone toca, é encomenda que chegou.

Desço, vou até a portaria e me dizem que o pacote está na administração.

Vou até a administração, pego o pacote e nisso já são 9h.

Desenho, escrevo, organizo o dia, participo de reuniões diversas, faço coisas que amo e coisas que detesto, intraempreendo e empreendo, e quando vejo, é hora do almoço.

Preparo algo para almoçar e pergunto ao meu noivo o que ele deseja comer. Ele me avisa que poderá almoçar apenas mais tarde. Como algo sozinha porque já tenho outra reunião às 13h. Prefiro reuniões em horários mais flexíveis, mas como isso nem sempre depende de mim, tenho que me reorganizar.

Quando eu me sento para almoçar, percebo que minha caneca de café ainda está lá, cheia. O café frio dentro dela. Esquecido entre uma mensagem e outra, de alguma urgência irrelevante e tão pequena se comparada com a necessidade de cuidar mais de mim, de minha saúde, do tempo e da qualidade do tempo que destino para mim.

2021 foi desafiador, triste, alegre, injusto e às vezes recompensador. Ouvi coisas boas e certas, ouvi coisas ruins e sem sentido, cobrei e fui cobrada. Senti saudade e chorei. Para pagar as contas como eu precisei pagar, trabalhei mais do que devia. Nem sempre recebi o que merecia. Nem sempre me doei como poderia, mas no geral, me doei muito mais do que conseguia. Precisei fazer escolhas e abraçar mais trabalho do que o normal, porque meus sonhos são grandes e para realizá-los, é preciso esforço. Corri ao lado de pessoas que me acompanharam e incentivaram. Deixei alguns pelo caminho por perceber que não caminhavam mais no mesmo sentido que eu. Aprendi a reconhecer meus limites e a dizer não aos absurdos que acontecem e que jurei que jamais deixaria que acontecessem de novo. 

2021 me trouxe certezas e incertezas, perdas, recomeços. Consegui voltar para Igrejinha e rever minha família após 2 anos longe pela pandemia. Abracei e cheirei cada um deles, chorei e entendi que o amor sempre encontra um meio de nos aproximar de quem a gente ama.

Capuccino com canela que desfrutei na companhia de Lidiani Lehnen e Milena, em 27 de dezembro de 2021, na cafeteria Capitão Chaves (São Francisco de Paula)

O que eu quero para 2022? Saúde, estar mais com quem amo, equilíbrio, amor, dinheiro, valorização profissional e todas as coisas que todos querem e pedem.

Mas o que eu mais quero?Que eu possa reconhecer mais meus feitos e esforços, cuidar de mim, trabalhar menos e melhor, otimizar meu tempo e não me sentir culpada por estar descansando sem estar sendo sempre produtiva. E, conforme a frase que li na livraria Miragem e que me marcou para sempre: “Que eu não permita que a insegurança do outro impeça de me lembrar quem eu sou“.

Que eu possa aprender a começar meus dias curtindo meu café com calma, no silêncio, menos conectada com o celular e mais conectada comigo e com Deus.

Mas como todas as grandes realizações precisam ser iniciadas por pequenas e simples ações, que eu possa desfrutar mais do tempo que destino a mim, apreciando o meu café diário recém passado, antes que ele esfrie.

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