Reencontro e equilíbrio 

Este texto vem carregado de carinho, de amor, de fé e de espera. Vem carregado de 2 anos vividos de um modo diferente, com quase nenhuma interação com outros humanos, em casa. E é um texto sobre angústia, medo, insegurança e resiliência.

Cada um tem um lado da história da pandemia para contar e sentir. De fato, cada um passou por estes últimos dois anos, do jeito que conseguiu. Não foi e não é fácil. Para quem estava acostumada a ver os pais de dois em dois meses, 2 anos longe é tempo demais.

Há cabelos brancos na minha cabeça, que meus pais desconhecem. Criei novas manias e linhas de expressão no rosto. Ganhei peso, já não sei mais me maquiar direito e sapato de salto? Consigo usar apenas em curtas distâncias.

A pandemia mudou meu corpo e meu modo de sentir. O que era tão importante antes, hoje é algo insignificante. Eu fiquei mais quieta, eu precisei de mais tempo pra mim. E passei a apreciar o silêncio resignado de alguém que ama e que espera.

Fui ver Eternos no cinema, estranhei. Primeira saída em público após dois anos saindo uma única vez de casa, para ir comprar a comida da semana. O barulho e as pessoas rindo alto na sala de cinema, me irritaram. Cheguei em casa e me senti protegida.

Será um processo longo este, o de voltar no pós-vacina à minha rotina. Agora, com as duas doses da vacina, já me sinto mais capaz de enfrentar a realidade fora de casa.

E neste Natal, estarei de volta com meus pais, minha irmã e verei alguns poucos amigos. Não estou preparada ainda para aglomerar em festas, em churrascadas, não. Meu coração ainda tenta entender tudo que viveu e que sentiu. Perdemos tantas pessoas no nosso país, continuamos perdendo… Mas as notícias já não divulgam mais.

Quando foi que a vida passou a valer tão pouco? Quando foi que deixamos de nos importar?
Quando me perguntam como eu estou, eu não sei dizer. Um misto de sentimentos. Uma confusão só.

Meu vôo sai hoje a tarde (sexta-feira, 17), de Guarulhos a Porto Alegre. Devo chegar em Igrejinha por volta das 20h. Chegando na casa dos meus pais, a primeira coisa que farei é tirar toda a roupa e colocar pra lavar, tomar um bom banho e me higienizar bem, acalmar o coração e abraçar minha família.

Eu sinto falta dos cheiros. Sabe? O cheiro do café do meu pai, o cheiro do cabelo recém-lavado da minha irmã, o cheirinho da torta de maçã da minha mãe. O cheiro das peles, o contato, o carinho. Talvez eu tenha desaprendido a abraçar. Será?

A segunda metade deste ano foi muito difícil pra mim. Crises de ansiedade, muitas cobranças internas e externas, muitos sonhos colocados em prática, muito trabalho e dedicação. Vivi esta segunda metade de 2021 totalmente no automático. Não me orgulho disso, mas este texto é um desabafo compartilhado com todos que precisam ler estas linhas, também.

Acordei 4, 5h todos os dias; trabalhei até 21h, 22h, muitos deles; senti minha saúde gritando por socorro e encontrei no trabalho um refúgio para não pensar em mais nada.

Agora nesse recesso de fim de ano, voltei a respirar. Respirar a plenos pulmões. A noite passada foi a minha melhor noite de sono. Dormi direto 8h corridas e acordei bem, renovada.

Acho que a alegria de ter entregue todas as demandas fundamentais antes da pausa, fez a pausa ter ainda mais sabor, fez a pausa ter ainda mais valor.

É como se o meu coração precisasse dessa pausa para poder viver um novo momento. Foi um preparo psicológico e sentimental.

Neste Natal, meus presentes serão o reencontro e o equilíbrio. Reencontro comigo, com o que eu acredito, com quem eu sou. Reencontro com meus pais, minha irmã e minha cidade natal. Reencontro com amigos, com locais e com momentos ressignificados. O equilíbrio será a chave para dosar minha intensidade em 2022. Saúde, família, trabalho. Minhas prioridades foram organizadas de um modo mais equilibrado, agora.

A verdade é que o amor sempre encontra um meio, né? De reaproximar, de entender, de aceitar o outro. Empatia foi uma palavra que senti muito na pele nestes últimos dias. Estou longe de ser perfeita, eu sei. Mas estou feliz. Estou realmente feliz.

Desejo a todos um abençoado Natal e meus sinceros votos de amor, paz, saúde e realizações. A vida é um presente e finalmente estou apta a desembrulhá-lo sem medo e agradecer de peito aberto.

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