É tudo sobre amor (Pelo menos aqui, para mim)

Os dias passam tão apressados, correndo, em um desespero que ultrapassa as horas do relógio e avança minutos, que viram dias, semanas, meses. Pisquei e poft, estamos saudando novembro. E se eu me perguntar o que eu fiz deste ano, vou responder: vivi em meio ao amor, movida por amor, embalada em amor.

Não se engane: meu ano foi tudo, menos fácil. Tomei decisões bem importantes e sinto que em breve outras virão. Perdi amigos para uma doença que possui vacina, chorei e me desesperei por não poder sequer me despedir deles. Mudei de trabalho, abracei de vez meu estúdio, comecei a monetizar de verdade minha habilidade com a escrita, fiz projetos lindos para marcas que admiro, completei meu primeiro ano como noiva da melhor pessoa do mundo, engordei bastante, segui os protocolos em casa, cuidando de mim e dos demais nesta pandemia que já dura quase 2 anos – mesmo tempo que não vejo a minha família no Rio Grande do Sul. 

Chorei, cai e levantei, surtei, me desesperei, me encantei e desencantei, me enganei, aprendi e ensinei. Amei.
Mas foi um ano movido a amor.

O amor que a gente constrói, nos fortalece. Ilustração de Martina Viegas

Para quem nunca esteve longe da família por mais de 3 meses, ficar 2 anos ausente dos cheiros, abraços, sorrisos e ranços, machuca.

Meus pais verão a filha que envelheceu dois anos e neste período, eles não puderam acompanhar e se acostumar com os novos traços e linhas que começaram a redesenhar meu rosto. Rosto que hoje, está mais perto dos 40 do que dos 30.

E isso também me lembra que o amor próprio esteve em seus altos e baixos por aqui. Amor, ódio. Amor, ódio. Não querer sair de casa por medo de me contaminar com Covid-19. Medo de passar algo a alguém. Dias de amor intenso por mim, dias de tristeza pelo que o espelho me mostra. 

Reconhecer a mulher que eu sou hoje, é validar a mulher que eu já fui. E essa validação mexe com uma série de sentimentos nada fáceis, nada simples. Mexe com o fato de eu me reconhecer falha, imperfeita, humana. 

Mexe com o fato de tentar usar mais a caneta e aprender a viver com os borrões, e usar menos a borracha, que conduz à uma perfeição que nunca existiu.

O amor que a gente oferece a si, nos valida. Ilustração de Martina Viegas

Estamos saudando novembro e vou montar minha árvore de Natal nos próximos dias. Amo as festividades de final de ano e início de novo ciclo. Meu aniversário é no primeiro dia do ano novo e isso tem um significado tão especial, único e poderoso! Nem vou passar o Natal em São Paulo este ano, mas quero voltar para casa em 2022 com a árvore me esperando na sala de estar.

E esta viagem de final de ano não será para sair com amigos, nem aglomerar, nem reunir com a,b,c. Será uma viagem de amor, de reencontro com meus pais. De passeios protegidos e em normas de segurança com meu noivo, que ficou confinado comigo nestes dois anos de pandemia. E agora, vacinados e com minha família vacinada, ainda vamos cuidar e seguir amando. Respeitando a pandemia.

Aniversário no começo do ano é um presente. É como se me fosse dada uma nova oportunidade ao ano para resetar os medos e iniciar novos desafios. Ressignificando momentos, sentimentos e situações diversas, como se fosse possível congelar o tempo por breves segundos, respirarando bem fundo e agradecendo: muito obrigada.

O amor que a gente destina para aprender algo novo, nos faz um pouco mais sábios.
Ilustração de Martina Viegas

É tudo sobre amor. Sempre ele. Amor a todos que me cercam, a quem conheço e a quem desconheço, minha família e noivo maravilhosos, poucos e leais amigos, ao meu trabalho e colegas, aos quilinhos a mais que fizeram a silhueta crescer, aos fios de cabelos brancos novos que apareceram por aqui, ao tempo feroz, que passa carregando a gente mesmo que a contragosto. Amor.

Amor ao cuidado que eu tive e tenho. Amor que me fez esperar dois anos para comprar as passagens para rever meus pais. Amor que me faz trabalhar 18h por dia pensando em meus objetivos. Amor que me faz pedir perdão e perdoar. Amor que me faz comprar algo de uma amiga mesmo estando dura de grana, porque ela está mais dura que eu. Amor que me faz indicar alguém a uma oferta de trabalho legal. Amor que me segura e impede de revidar com crueldade a toda a crueldade e injustiça que eu sofro.

Amor que a gente usa de combustível para seguir em frente, até mesmo quando o medo tenta nos paralisar.
Ilustração de Martina Viegas

É sobre amor. E nem sempre tá tudo bem.Mas por ser sobre amor, a gente simplesmente sabe que vai ficar tudo bem.

É como esperar por uma tempestade que já dura tempo demais e que já andou devastando muito por onde passou. A gente que pode olhar a isso tudo protegido em casa, cabe orar pelos que não puderam e estão ainda lá fora, no frio, no medo. É o amor que doa mantimentos e agasalhos, amor que se importa, que compra tudo o que pode comprar para ajudar a quem vende algo para poder comprar a comida do dia.

É o amor que faz a diferença. Que procura mudar a si e ao mundo, que reconhece a beleza das mudanças das pessoas e ao invés de segregar, respeita e ama. Ama porque assim como todo amor genuíno, só sabe amar. 

É o amor que tocará os corações de todos para que quem votou tão errado em 2018, aprenda a votar certo em 2022. E este mesmo amor vai fazer justiça às mais de 600 mil vítimas da falta de amor ao próximo que a pandemia nos trouxe.

Amar é procurar melhorar. E a mudança começa dentro da gente.

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