Nós somos o Mercado

171 dias de isolamento social e vamos combinar que nada anda assim, fácil ou simples. Abre comércio, fecha comércio, carrega álcool em gel, usa máscara, lava máscara, consola amigos que perderam empregos, ajuda amigos a conseguir novas oportunidades, te vira nos 30 para continuar empregada… elaiá! Nada, nada, nada fácil.

No perfil do meu estúdio de #narrativas criativas coloquei uma contagem dos dias bem colorida na imagem do #isolamentosocial de hoje, para tentar dar uma animadinha no astral geral – se é que isso é possível. Em um cenário complicado como esse que estamos vivendo? Tentativa é válida, mas creio eu que seja necessário mais do que uma arte bonitinha para animar nossos dias.


#day171 de #quarentenaestampada and counting…


Sinto que estamos adoecendo mentalmente durante todos esses quase 6 meses de isolamento. Os diálogos com os amigos já não são mais os mesmos, a intensidade dos relacionamentos, também não. Poucos amigos reais, uma legião de simpatizantes – e alguns, nem um, nem outro. Não é assim? Eu me sinto eternamente um peixe fora d’água – querendo pertencer e estando sempre deslocada.

Estamos nos cobrando muito sobre muitas coisas. Estamos sofrendo mais com tudo o que gente percebe ao nosso redor. Nosso otimismo anda diluído nas marés de incertezas sociais e comportamentais. Tenho evitado ver vídeos de “tendências” sobre isso, justamente porque:

1. Ou adotam um posicionamento lunático de uma mudança instantânea no ser, pensar, vestir e agir
2. Ou dizem que o pós-pandemia vai ser exatamente a continuação do pré-pandemia, o que me recuso a crer.


Ver para enxergar mais e melhor, lá no futuro.


Mapear o comportamento humano durante todo esse tempo, foi e está sendo DOSE para leão. Compartilhar conteúdos todos os dias em minhas redes sociais não está sendo fácil. Tem dias que o esgotamento mental é tanto que vou dormir às 21h e acordo às 9h do dia seguinte. Mas senti de fazer isso tudo, mergulhar nesse período de isolamento e estudá-lo o mais fundo possível. Isso não é uma queixa: é só o ato de compartilhar – mais este – pensamento e afirmar que ser empreendedor está longe de ser algo simples ou um atalho instantâneo para a riqueza, como uns e outros pregam por aí.

Já no ramo de arte, moda e design – meu nicho de atuação – o escapismo criativo que faz de conta que a vida é ilustrar e estampar, criar e sonhar, é pueril demais. Não consigo mais consumir conteúdos rasos apenas porque são lindos. A estética, ao meu ver, é apenas mais uma linguagem dentre tantas que são narradas e manifestas pelo design. Nós criativos possuímos todas as ferramentas para oferecer um novo panorama para o mercado, mas me parece que seguimos fazendo tudo do mesmo jeito – ou por preguiça, ou falta de interesse. Pensar dói, eu sei, mas repensar essas questões é necessário.


Coloca máscara, tira máscara, lava máscara, coloca a…


A verdade é que sim, o mundo mudou. O cenário criativo brasileiro mudou também – mas nem tanto assim. Deveria ter mudado mais? Com certeza. Pode evoluir mais? Claro!

Recentemente li uma reportagem sobre a situação do trabalho real e oficial dentro da Vogue Brasil, e me apavorei. Situações de abuso de poder, humilhações e preconceito estão sendo expostas cada vez mais. Não sou a favor de sairmos cancelando tudo e todos, mas confesso que estou amando essa mudança de pensamento que traz à tona os absurdos para que possamos refletir mais sobre eles. Nada combina com preconceito, nada.

Um trecho da reportagem diz o seguinte:

“A cultura tóxica no prédio em que fica a Vogue brasileira é tão arraigada que há anos corre a anedota: funcionários brincam que os banheiros da redação são feitos para chorar, e não para outras funções fisiológicas. A piada disfarça um assunto sério que nos últimos 15 anos dá as caras em conversas sussurradas e mensagens enviadas de madrugada: assédio moral e exploração trabalhista.”

A reportagem na íntegra, pode ser lida aqui.

E nós somos o mercado, mas a gente esquece disso. Nossas ações refletem diretamente no andamento de tudo. Vale a reflexão sobre como podemos fazer mais e melhor. Vale a reflexão sobre o que deixamos escapar por entre risos amarelos e sem graça e falso pretexto de “ah, sabe… fulano[a] tem gênio forte”. Até quando vamos mascarar a falta de educação e polidez como sendo sinônimo de “gênio forte”?

E se o mercado criativo anda desse jeito é porque nós também não estamos fazendo a nossa parte de verdade. Olhando isso tudo por outro prisma, é perceptível o quanto a arte faz toda a diferença nos nossos dias de isolamento. O que seria de nós sem livros, músicas, conteúdos para consumir on-line, filmes e demais meios de entretenimento #emcasa?


Já preenchi 3 cadernos de desenho com rabiscos nesse isolamento social. Meu trabalho também é a minha terapia.

Nessa pandemia, mais do que nunca, estou consumindo ARTE.

Tenho comprado muito de amigos e conhecidos, na tentativa de ajudar a aquecer a economia criativa e, de quebra, decorar aqui o meu espaço de trabalho. Ao invés de comprar objetos de decoração de grandes marcas e empresas, tenho dado prioridade aos pequenos. Aos ilustradores, aos designers, aos criativos em geral que estão lutando nessa pandemia e vivendo de sua arte. Nós somos o mercado, repito mil vezes e mais mil. Essa ação colaborativa pode nos auxiliar a superar juntos esse momento delicado.


Juntos somos mais fortes. Sempre.

Confesso que fico embasbacada quando leio coisas do tipo “olha só, o número de empreendedores aumentou!”. Além de ser uma inverdade, essa afirmação ainda é reflexo de uma tentativa triste de mascarar a realidade: a maior parte das pessoas empreende porque não tem escolha. Sem emprego e sem oportunidades, as pessoas precisam dar o seu jeito.

Vivemos conectados. Conectados na internet, por laços afetivos, por crenças, por atitudes. Conectados por afinidades, sonhos, vontades. Conectados. Nas redes sociais, o maior engajamento que nasce é das reais conexões. Sabe quando a gente posta algo que toca quem lê a postagem, por que essa pessoa se identificou com o que a gente escreveu? É isso. E as redes sociais também podem ser colaborativas. Se eu sei que A precisa de um estágio e conheço B que pode oferecer esse estágio, eu ligo os pontos, por exemplo.

Nós somos o mercado. E sabe? Existem pessoas do tipo ponte e  existem pessoas do tipo muro. Eu sou do tipo ponte. Gosto de ajudar e de contribuir. Eu me sinto bem vendo a alegria dos outros. Eu celebro junto. Talvez seja por isso que tudo esteja dando tão certo para mim? Sim, acredito que sim. Somos todos elos de uma mesma corrente.


Ver, olhar e enxergar. Perceber. Essa minha estampa que traz o logo do meu estúdio, representa tudo que acredito.

Eu acredito em uma cadeia de ações colaborativas: eu faço algo legal para alguém hoje, esse alguém retribui amanhã de modo natural e engajado, contribuindo com outra pessoa que, assim como ele, sentiu-se genuinamente grato pela ação anterior. Não é difícil fazer algo bom. Basta confiar no nosso potencial, entender que somos multipotenciais e que colaborar sempre será maior do que competir.

Não deixe de valorizar o esforço de alguém, por dar mais força à tua insegurança do que a sensibilidade de entender que sim, há espaço para todos!

Minhas #narrativascriativas plurais andam tocando corações e mentes por aí. E sabe? Isso é o maior indicativo de que sim, juntos somos mais fortes.


Estou vendo pipocar aqui e ali vários conteúdos usando o termo Narrativas para dizer algo sobre o trabalho criativo em questão. Que bom! Quer dizer que alguma coisa eu tenho feito de bom por este mercado do qual faço parte. Na imagem, estampa que criei na pandemia.

Passeando pelo LinkedIn, o que mais vejo são perfis “open to work“. Ando recebendo muitas mensagens pedindo ajuda. A taxa de desemprego no nosso país está altíssima. O governo anda liberando saques e mais saques de FGTS ao povo, o que além de descapitalizar as únicas fontes de recursos guardados da população, gera muito mais problemas do que soluções.

A abertura dos shoppings, por exemplo. Lojistas aos berros exigindo que as lojas dos shoppings abram. Ok. Foram abertas. Agora estão aos berros implorando que fechem. Motivo? As pessoas até lotam os espaços, de modo irresponsável (inclusive), mas sem dinheiro, não consomem. Só “olham”. E os aluguéis que estavam com o pagamento suspenso, voltaram a ser cobrados. Lojas e mais lojas falindo e pessoas se contaminando com covid-19. Que belo cenário, este!

O trabalho remoto deixou de ser tendência e passou a ser urgência, realidade. O LinkedIn continua fonte gigantesca de oportunidades na área criativa. Praticamente todos os dias esbarro em vagas sendo divulgadas na plataforma. Entretanto, cuidado! Muitas são apenas recursos de alimentação de bancos de talentos para o PÓS – pandemia. A solução nem sempre é imediata e quase nunca o diálogo é claro.

Diálogo. Falta diálogo. E falta entender que somos multipotenciais. Somos plurais. Esperar que o designer desenhe, que o escritor escreva, que o médico medique, que o professor ensine, sério, é esperar o mínimo possível das capacidades de cada profissional. É subestimar as suas múltiplas habilidades.

A necessidade de nos reinventarmos é urgente. Ampliar o leque de atuação e monetização de serviços oferecidos é urgência.


Venho falando muito: mostre sim, teus desenhos. Mas mostre mais, teus pensamentos! Aos poucos, sinto que estou conseguindo semear boas iniciativas que beneficiarão a todos. Na imagem, mostro a cor pantone eleita em 2020 e a necessidade de estarmos sempre olhando e pensando ao nosso redor.

Tenho realizado um trabalho forte nas redes sobre isso: fortalecimento do mercado criativo e do posicionamento do profissional que utiliza da criatividade como força motriz de seu empreendedorismo. O conceito de #narrativacriativa que venho amplamente divulgando é exemplo disso. Adotei esse conceito após perceber que sou muito mais do que uma profissional que desenha. Amo ler, pesquisar, escrever, desenhar, pensar, compartilhar, aprender, ensinar… e isso tudo, essas possibilidades todas, permitem que eu ofereça uma gama muito maior de serviços criativos para marcas nacionais e internacionais.

Percebi que eu preciso me portar aqui, nessa coluna e nos meus perfis de redes sociais, como a profissional que realmente pensa do modo abrangente que pensa. Não dá para dizer que somos pesquisadores comportamentais, se não falarmos abertamente sobre assuntos culturais e sociais, não é? E o design é ferramenta para contar essas histórias. Branding faz parte, estudo também, construção de conteúdos fortes e relevantes, muito mais. E essa construção de conteúdo pode ser realizada por qualquer profissional, desde que tenha conhecimento real sobre a sua área de atuação – o que sim, melhora e fortalece o mercado para TODOS.


Estampa de minha autoria aplicada em mockup de lenço. Imagem que reforça a importância de mostrar as nossas habilidades ao mundo, para que nosso trabalho possa ser encontrado e validado.

Essa enxurrada de informações que a gente recebe, todos os dias, nos afoga em marés de mais do mesmo, também. Saber filtrar o que importa é fundamental. Desenhos bonitos, são demais de ter no nosso feed do Instagram. Afinal, nós criativos lidamos, também, com a estética. E sim, o feed é a nossa vitrine. Mas é importante deixar claro que essa vitrine pode expor mais do que apenas o mais do mesmo que encanta, mas que não engaja e não conecta. É possível balancear a beleza, com a relevância; a consistência, com o conteúdo aprofundado; nosso propósito, com a nossa história.

Então, caro amigo, não esqueça que também és parte do mercado criativo. Se puder ajudar a alguém, ajude. Nossas ações podem trazer soluções. Mas para isso, precisamos fazer mais e melhor. Juntos.


Estampa que desenhei com nanquim e canetas Copic. O conceito? Caos Ordenado – todos juntos, compondo algo lindo para todos.

Finalizo essa coluna divulgando alguns perfis maravilhosos de amigos e artistas que andam construindo belos trabalhos na área criativa. Espero que gostem! E, se possível, acompanhem o trabalho deles, também. Tenho certeza de que essa ação poderá ser incrível para todos.

Arte
@anasabatiniart
@antonioduasfontes
@anavivian.com.br
@maricarrasco.art

Bordados
@cebolaroxaestudio
@flordosolbordados

Moda
@noemycardosonline
@wendyelborin
@brunadeleao

Design
@lerodesign
@bemcs


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