Experimento #tiedye em casa e algumas reflexões do isolamento

No final de junho, a colunista Bruna de Leão deu uma verdadeira aula sobre a técnica de Tie Dye, que pode ser conferida na íntegra aqui. Fiquei inspirada e com vontade de tentar em casa.

Eu sinto que ao ter um contato mais direto com os procedimentos criativos manuais, eu relaxo. E nesse momento delicado de isolamento social, tantas perguntas pairando no ar em nossas mentes e corações, tudo o que a gente mais precisa é de um pouco de escapismo lúdico. Bem, eu preciso, pelo menos.

Até escrevi sobre o que ando pensando sobre essa loucura que a gente está vivendo, aqui e fiz um trocadilho com Isolamento e Ih Só Lamento.

Quando leio textos como as postagens da Bruna, leves e ao mesmo tempo com tanto conteúdo, reflito sobre várias questões que permeiam o que eu chamo de “Pensar Criativo”. Sinto que as conexões sobre os assuntos e os seus impactos aqui dentro, resultam em insights que podem servir como inspiração não apenas para ideias minhas, mas também para outros criativos. E é por isso que eu compartilho meus pensamentos lá no perfil do meu estúdio.

Entrei em férias na segunda-feira passada, 06 de julho. E procurando ocupar o meu tempo com atividades criativas que possam ser realizadas em casa, decidi me aventurar no Tie Dye. Li o texto da Bruna, relembrei alguns conceitos que estudei na faculdade e encomendei os apetrechos para o trabalho: corantes em pó Tupi, nas cores turquesa, rosa e marinho; um moletom GG3, que consegui comprar após muito garimpo na internet, na C&A. Aparentemente, gordos não podem ter roupas bonitas. Isso me irrita e às vezes, entristece. O preço de peças GG com estampas Tie Dye está nas alturas. O menor valor que encontrei, com uma estampa bonita, passava dos R$300,00. Bem, eu me nego a adquirir uma peça Tie Dye por esse preço. Até porque, eu me conheço: hoje eu amo e amanhã eu canso e não uso mais. Sim, eu trabalho desenhando estampas, mas para eu adquirir uma peça estampada… Meus amigos, precisa ser muito amor, viu? E isso é raro de acontecer.

Os materiais chegaram e eu já comecei os procedimentos. No Instagram, apelidei carinhosamente de experimento kkkkcry, pois tudo que podia ter dado errado, deu errado. Mas no fim, tudo acabou bem.

Hoje cedo eu comecei a relatar a saga, confira aqui.

O gostoso de testar procedimentos de tingimento artesanal é justamente isso, não é? Não temos muito controle sobre os resultados. Confesso que é, também, um baita desafio: trabalhar com estampas através do desenho manual ou digital, é o procedimento que eu domino. Já o tingimento artesanal… Bem, vocês poderão conferir comigo.

Eu realmente tinha amado o resultado. Segui alguns tutoriais do YouTube


Conforme fui lendo a respeito dos tingimentos manuais com os corantes Tupy, o sal e o vinagre branco, teoricamente, auxiliariam na fixação da cor no tecido. Eu não tinha vinagre em casa, então acabei usando o sal de cozinha mesmo. Após aplicar as tintas, deixei o moletom quietinho por bastante tempo, conforme havia lido que era preciso. Eu fui seguindo todas as instruções.

Aqui é possível continuar a leitura sobre o experimento Tie Dye.

E o tempo de espera, vamos combinar, anda grande nesse período de isolamento social, não? Ansiedade alta, tentando ocupar ao máximo a mente. Tenho usado o perfil do meu estúdio como uma verdadeira válvula de escape e de partilha de pensamentos sobre tudo o que estamos vivendo. Está me fazendo bem. Esse experimento mesmo, resultou de uma necessidade de ocupar meu tempo com algo relaxante, que me distraísse um pouco. Consegui o meu intuito.

Lavei o moletom tingido, achando que estava prontinho, lindo para ser usado. Fuén! As cores misturaram totalmente na lavagem. O moletom cheio de manchas lindas virou este moletom das imagens abaixo. Pensei: “Pronto! Estraguei uma peça de roupa!”. Depois parei, pensei… não… vou passar água sanitária e descolorir um pouco em algumas áreas.

Se fizermos uma analogia sobre como estamos lidando com tudo nesse isolamento, não é bem isso que vivemos quase todos os dias? Planejamos de um jeito, sai tudo diferente do esperado, surtamos, relaxamos, seguimos em frente?

Meu moletom virou uma extensão de meus sentimentos. Sério. Não é para menos que eu vivo dizendo que não precisamos de mais produtos e, sim, de melhores histórias, não é? Essa história narrada através dos meus experimentos é, sem dúvida, conflitante e ao mesmo tempo, reconfortante.

Após aplicar a água sanitária na peça, quem disse que eu gostei? Detestei ainda mais. É possível ler sobre isso aqui.

Mas ainda não me dei por vencida. Não podia simplesmente entregar os pontos, não é? Preparei mais corante rosa e deixei o moletom de molho por alguns minutos. Fuén.. de novo. Meu moletom pareceu uma gigante espinha inflamada. Não é possível: será mesmo que esse é o fim dessa narrativa criativa? Que tristeza.

Uma gigante espinha? Não. Apenas um moletom bem feio, mesmo.

Fui dormir e deixei o moletom na lavanderia, secando. Acordei cedinho ontem de manhã e, enquanto preparava o meu café, tive uma ideia: se a água sanitária descolore, por que eu não uso um pincel e não desenho em cima da cor que não gostei?

Coloquei um pouco de água sanitária no pote, peguei meu pincel e mãos à obra!

Podemos ler mais sobre isso e acompanhar mais os processos, nesta postagem aqui.

Absolutamente, tudo que poderia ter dado errado já havia dado. Na pior das hipóteses, o moletom vira um pijama e está tudo bem. Comecei a desenhar no moletom com a água sanitária. Aos poucos, o líquido foi reagindo no tecido, revelando as formas desenhadas e um branco tímido, que aos poucos foi ficando mais intenso.

Nas mangas, fiz um desenho diferente, para dar um efeito bacana. Fui curtindo o resultado, que aos poucos, foi se revelando bem surpreendente. As costas do moletom, revelaram outra surpresa: o líquido passado na frente, vazou para as costas. Assim, algumas manchas não intencionais acabaram acontecendo. Amei.

O que estava muito ruim, conseguiu ser melhorado.

Nessa postagem aqui, e nesta outra, vocês podem conferir o desfecho dessa narrativa que começou trágica e terminou cômica.

Essa montanha russa de cores e testes bem parece a montanha russa dos nossos sentimentos em isolamento. Pelo menos os meus, com certeza. Por isso que o nome dessa estampa ficou “Altos e baixos do Isolamento”. Achei apropriado.


No fim, tudo acabou bem. Pelo menos na estampa.

Ficou um Tie Dye tradicional? Não. Mas cá entre nós, nem poderia, né? Sendo feito por mim, resultado de um primeiro teste com a técnica, vamos combinar que seria no mínimo estranho se eu tivesse acertado de primeira. E outra: eu preciso mesmo acertar tudo de primeira? Ou de vez em quando, essa designer que tem tudo sob controle pode deixar o rumo das coisas fluir conforme tem que ser?

Tudo é aprendizado. E para quem acha que arte não é importante, hein? Ou cultura? Queria ver como que sobreviveríamos #emcasa e sem maratonar a Netflix; ler algum livro interessante ou ouvir a alguma música que nos acalme. Haja cultura! Precisamos de coragem e de uma pitada despretensiosa de arte. Assim, levamos a vida da melhor forma que conseguirmos levar. E na pior das hipóteses? O moletom vira pijama, já que este é mesmo, o novo must have da estação.

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s