A Amazônia nos chama e está em chamas

Olá, queridos leitores! Tudo bem por aí? Por aqui, uma vida corrida – muito boa! Mas muito corrida! – absorta em mil pensamentos, projetos e decisões. E a vida de quem mesmo que não é assim, não é? Decisões. Todos tomamos mil decisões todos os dias, do momento no qual acordamos, até o momento no qual vamos dormir.

A cada decisão que fazemos, mil outras possibilidades são descartadas. Isso se chama vida e saber (sobre)viver em meio ao caos do cotidiano lindo e desafiador no qual somos inseridos.

E em meio a isso de ter que decidir, a cada opção eleita e a cada outras tantas descartadas, ficamos com uma espécie de vazio dentro da gente: ‘e se eu não tivesse escolhido isso’?

Somos a soma de muitos universos que convergem o tempo todo. Achar tempo para nós mesmos, para os outros e para as situações que precisam mesmo de nossa atenção, nem sempre é tarefa fácil. Eu diria até que nunca o é.

No campo afetivo, qual o momento de dar um basta a um relacionamento abusivo? Qual o momento de tentar ligar para aquele amigo ou amiga do qual a distância física ou emocional te separou? E a hora de dizer sim de modo mais seletivo? Aprender a dizer nãos e sair distribuindo essa palavra em resposta a atitudes ou a situações que nos fazem mal, é uma virtude especial e esquecida.

Somos talhados para sermos sempre gentis. Isso em teoria, claro. Somos seres que fingem ser algo que não são. Somos seres incapazes de tolerar de fato o que nos desagrada. Somos seres que olhamos para os defeitos do outro sem reconhecer que estes mesmos defeitos fazem parte de quem somos, todos os dias. Somos bem mesquinhos. E isso tudo, também nos faz humanos.

Mas toda a vez na qual escolho por dar um sim a uma situação onde todos os meus sentidos gritam internamente para que eu diga não, é uma ocasião de desrespeito para comigo e para com as lições que eu já deveria ter aprendido nessa vida.

Hoje, mais madura e até mais sensata, culpo bem menos os outros por minha infelicidade e agarro mesmo que a contragosto todas as parcelas de responsabilidade que me cabem.

Opa, que difícil. Parar, pensar, pedir perdão, perdoar, não são tarefas fáceis. Costumo dizer que ‘pensar dói’. E demais!

O motivo dessa coluna de hoje? Reflexão sobre o que está acontecendo com um de nossos maiores tesouros naturais. Essa introdução foi necessária para que os tópicos pudessem ser desenrolados. Vem comigo, eu explico.

A nossa Amazônia está em chamas. Sim, há dias. Se ainda não leu a respeito, peço que saiba mais através desse link.

No dia 5 de setembro é celebrado o dia da Amazônia. Que belo presente este que demos a ela, não?

Movimentações de pessoas interessadas em sacudir a nação perante a este lamentável fato, já foram iniciadas. Nas redes sociais, coletivos de artistas e biólogos como o do perfil Coletivo Chama (conheça aqui), já andam há dias falando sobre isso, informando a população com dados reais e mais precisos sobre o que realmente está acontecendo.

Mobilizações que chamam às ruas estão acontecendo em diversas partes do país e se tu ainda não entendeu a seriedade real do que está acontecendo, meu amigo, acorda. O mundo está olhando para o Brasil e com o pior olhar possível. Sabe o motivo?

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O Brasil nos holofotes do mundo: e não, não é a Copa. Foto: Bem White.

Quando uma nação escolhe mal – muito mal mesmo – um representante seu, isso é problema dessa nação que infelizmente tem memória curta, ódio em demasia e responsabilidade de menos.

Mas quando uma nação escolhe mal para caramba o seu representante oficial e este além dos absurdos já conhecidos e repudiados – os quais infelizmente não se limitam a ele, e sim a vários outros figurões mundo afora – também incita queimadas e desleixo com o pulmão do mundo, isso meus queridos, isso é para lá de sério.

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Devemos aguçar o olhar. Foto: Saketh Garuda.

E não querendo ser alarmista, proponho a vocês que saiam de suas confortáveis bolhas e tentem enxergar além disso tudo. Projetem-se para daqui há 20 anos. 30 anos. Vou contar a vocês uma historinha bem feia e real, contada pelo meu pai – Joãosinho Viegas – dos tempos nos quais ele estudava veterinária na PUC e participou do Projeto Rondon, há 40 anos atrás: as queimadas já eram praticadas desde aquela época.

Man made fres to clear land for cattle or crops.Daniel Beltra/Greenpeace
Temporada de fogo na Amazônia mostra dados alarmantes. Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace

Entre piadinhas a governantes de outros países, descaso para com o problema real que estamos vivenciando e boicotes internacionais de todos os tipos, os brasileiros seguem segregados em três grupos: a) não se importam b) se importam mas não fazem nada c) se importam e sabem que estamos indo de mal a pior e faz tempo.

Gente, que a política brasileira sempre foi suja e cheia de lacunas sem respostas, isso não é segredo. Partido A, partido B, partido C… sinceramente? Ao meu ver, poucas pessoas se salvam, se é que alguma. A questão, queridos leitores, é que o resultado da desastrosa eleição do ano passado ecoa sobre todos, corroborando para com o triste e lamentável cenário de morte, desrespeito a natureza e para com a humanidade.

Quem votou mal e errado, não tem jeito: o que está feito, está feito. Mas vamos repensar um pouco as atitudes e procurar melhorar o cenário daqui para frente? O voto é o nosso maior trunfo. Um aqui e outro ali, não diz nada. A maioria votando errado por ódio ao partido anterior ou pela ilusão de que a sua empresa que anda mal das pernas vai prosperar, é ignorância.

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Segundo Greenpeace, de janeiro a agosto de 2019, o número de queimadas na Amazônia foi 111% superior ao registrado no mesmo período do ano passado Foto: Fernanda Ligabue/Greenpeace

Qual é a nossa parcela de culpa nisso aí?

As bolsas de pesquisa que foram cortadas. O ensino no nosso país já é insuficiente. Poucos são os bravos guerreiros que insistem em seguir carreira acadêmica e a contribuir com pesquisas relevantes à sociedade. O que eles recebem? Cortes em suas bolsas.

Qual é a nossa parcela de culpa nisso aí?

Ando escutando muito coisas do tipo: “ah, mas a nova geração se preocupa muito mais com a natureza e já sabe reciclar”.

Até quando vamos empurrar os problemas com a barriga? Vou contar um segredo a vocês: não importa o quanto sejam conscientes as crianças de hoje, se quando virarem os adultos de amanhã, o legado que lhes for deixado for  o de destruição, fome e desespero. Qual é o futuro que nós desejamos deixar de presente para as gerações futuras?

Qual é a nossa parcela de culpa nisso aí?

Eu não sou muito adepta de ficar escrevendo ao léu sobre assuntos que no fundo eu sei que apenas ecoam dentro da bolha da qual eu faço parte: aquela bolha de pessoas que se importam e que tentam fazer algo. Mas ao mesmo tempo, não falar nada e nem tentar propor um diálogo, também não acho que seja a solução para o que vivemos.

Então, pensem comigo:

A hora de insistir e a hora de desistir são dois lados de uma mesma moeda. Não acredito que sair do Brasil seja a solução. Não acredito que uma pessoa atacando a outra verbal ou fisicamente seja a solução. Mas fazer de conta de que ninguém aqui votou em quem votou, isso é contra a sanidade mental de todos nós. Torcer para que tudo dê certo? Por favor! Não estamos torcendo em Copa de futebol!

A maioria do povo brasileiro fez a sua – péssima – escolha. Alguns já andam se arrependendo e revendo posicionamentos. Outros ainda insistem em glorificar um homem a nível de ‘santo’, ‘herói’ e ‘salvador’. E outros, cujo orgulho anda cegando de vez sua visão à realidade, recusam-se a entender o que é nítido: as péssimas escolhas de uns repercutem negativamente na vida de todos.

Qual é a nossa parcela de culpa nisso aí?

Até quando vamos perpetuar o absurdo?

Passou da hora de pegarmos nossa parcela de culpa e refletirmos a fundo o que mesmo nossos atos causam. Eu espero, de verdade, que os sonolentos acordem antes que seja tarde. Precisamos olhar para além do hoje e agora. Lotar cinemas para assistir filmes de ficção científica onde não existe mais mundo? Vivemos hoje a atrocidade e parece que poucos estão se dando conta. Precisamos ouvir o chamado da Amazônia em chamas e de quebra, repensar se somos mesmo dignos dela. E se desejar fazer alguma coisa, saiba que é sempre melhor que nada. Segue link para apoiar o fim da destruição da Amazônia aqui.

* Foto da capa: Rosana Villar sobrevoou as áreas queimadas e focos de incêndio na cidade de Nova Bandeirantes, Mato Grosso. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

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