Pensamentos aleatórios, Ho’oponopono e flores de cerejeira

Olá, queridos leitores. Tudo bem por aí?

Por aqui, uma aura de alegria e reflexão intensas anda tomando meus dias. É gostoso olhar para trás e perceber que tudo o que a gente fez vem tomando forma, vem transformando-se em algo maior, algo mais impactante, algo que transborde amor e realização.

É como se pudéssemos olhar no espelho e perceber que a passagem do tempo que tira a cor dos cabelos e que faz modificações visíveis em nossos rostos, também muda nosso interior e o mundo que nos cerca. É um olhar e perceber que às vezes dá aquela cutucada, aquela machucada – pensar dói, relembrar algumas coisas, também – mas é uma sensação não de rancor ou ressentimento: é uma sensação boa, de crescimento e de evolução.

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Toda a evolução é um caminho a ser percorrido. Foto: Lili Popper

A Martina de 2014 não poderia nem imaginar o quanto mudaria – positivamente! – em 5 anos. A Martina de 2019 não consegue perceber ao certo como aconteceu essa mudança toda, pois quem a vive, não observa os detalhes. É aquele espelho que reflete tudo que conta para ela, sobre os caminhos pelos quais andou passeando, correndo, se encontrando ou se escondendo.

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Observar a caminhada com olhar mais gentil, faz com que possamos apreciar melhor a vista. Foto: Noah Buscher

Ser vulnerável nos permite a apreciação de nossas escolhas sob o ponto de vista de quem vive as ações. Quem está na plateia assistindo nem faz ideia do que é estar ali, vulnerável, na arena da vida. E quer saber? Não tem nada mais gostoso ou mais humano do que ser vulnerável, passivo de erros e de acertos.

E como sou uma apaixonada por estudos culturais, leio muito sobre temas correlatos. Procurando sempre evoluir, melhorar, aprimorar meus pensamentos. Li O grande livro do Ho’oponopono – Sabedoria Havaiana de Cura e adotei a prática diariamente. É gostoso de praticar e hoje é algo quase que natural para mim. De modo bem sintetizado e conforme minhas palavras, posso resumir o Ho’oponopono como a ‘representação de um estado de consciência individual que transcende ao coletivo. Minhas ações repercutem nas vidas dos demais que convivem comigo; as ações dos outros repercutem sobre a minha vida; eu compreendo meu papel como protagonista dessas ações e tomo para mim a parcela de responsabilidade que me cabe, devolvendo ao Universo essa compreensão em forma de comprometimento de procurar mudar o que me incomoda no outro, a partir de mim.’

Isso não é lindo?

Eu acho bem lindo. A vida é muito linda, meus caros. Um baita de um presente. Quando minha melhor amiga partiu desse plano, meu coração em luto sofreu por muito tempo. Mas não era como se fosse algo inesperado essa sua partida: ela já estava sofrendo há meses, internada em um hospital e sem retorno positivo dos médicos, pois sua doença não possui cura. Eu me comprometi com ela, em pensamento, em ser uma boa pessoa e fazer a minha passagem aqui na Terra valer a pena. Viver por mim, por ela. Sonhar, correr atrás, lutar, perder e vencer, por nós. Alguns momentos são mais difíceis do que outros, mas quando esta tristeza bate na porta do coração, eu tento substituir as memórias tristes pelas memórias boas. E o Ho’oponopono tem me ajudado muito.

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A substituição das memórias ruins pelas boas, não é instantânea. É um processo. Foto: Roman Kraft

Ao invés de pensar nas coisas tristes, nos momentos nos quais eu gostaria de ter feito mais por ela e não ter podido, eu foco nos momentos de alegria, nas risadas e na sua gargalhada solta e gostosa que eu ouço sempre que fecho meus olhos.

O Ho’oponopono consiste em dizer mentalmente algumas palavras.

Sinto muito. Reconheço a minha criação, minha participação no problema ou memória que me desestabiliza emocionalmente.

Perdão. Eu não sabia até então que isso estava habitando dentro de mim.

Muito obrigado. Eu agradeço por poder limpar esta memória agora que possuo a consciência de sua existência dentro de mim.

Eu te amo. Amo a tudo e a todos. Amo minha Divindade Interior. Amo ao meu Deus que me ouve e protege. Eu me amo e me protejo, também.

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O ato de amar aos outros, cria uma aura poderosa de cura e de amor em nós mesmos. Foto: Amy Treasure

No começo, dizer essas palavras pode soar um pouco mecânico. Mas a prática faz parecer muito simples e de fato o é. Sempre que colocamos nos ombros dos outros a responsabilidade por nossas ações, sofremos muito. Sofremos por não aceitar que somos protagonistas de ações ruins tanto quanto de boas; sofremos por entregar ao outro um poder gigante sobre os rumos de nossos sentimentos; sofremos porque não nos possibilitamos o crescimento natural que nasce a partir das reflexões mais profundas sobre as nossas ações.

Eu tenho plena consciência de que sozinha não possuo a força para mudar todas as injustiças que me inquietam nesse mundo. Mas hoje, hoje a Martina sabe que pode começar a enxergar as mudanças que deseja começando de dentro para fora.

Eu costumava pensar que se algo me cansasse a ponto de quase me exaurir, eu deveria me afastar e desistir desse algo, fosse ele um desejo, uma ação ou até mesmo alguém.

Hoje eu sinto que se algo me cansa, eu preciso é descansar. Relaxar.

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Quando eu estiver cansada, que eu aprenda a descansar e não a desistir. Foto: Eric Barbosa

Digo essas palavras do Ho’oponopono mentalmente sempre que estou magoada com algo, saudosa de minha amiga ou inquieta com algum acontecimento que vem tirando meu sono. Não é mágica. Longe disso! É um processo. E não é um processo fácil. Requer foco, requer calma, requer deixar o coração tranquilo e em paz. Eu me curo para curar o mundo. Eu deixo de julgar o mundo apontando os seus defeitos. Eu começo por mim, eu começo pela correção dos meus próprios defeitos.

E aí, passo a enxergar mais beleza em tudo, o que reflete visivelmente em meu trabalho e na criação de ilustrações e estampas que mostram que a designer que vos escreve está bem, está em paz.

Perder um pouco dessa mania de tentar controlar tudo, o tempo todo. Perder essa mania de achar que tudo depende de mim. Somos menos importantes do que pensamos e ao mesmo tempo, mais importante do que queríamos ser. É um paradoxo lindo, inquietante.

E então, em um desses meus momentos de precisar respirar um pouco, pausar a mente e relaxar, tirei alguns poucos dias de folga do trabalho. Fui até o Ibirapuera com meu namorado, olhei as cerejeiras e senti o rosa em seus mais variados tons agindo positivamente em mim. Me acalmando. A natureza tem disso, a natureza tem disso de acalmar a mente dessa designer que tanto a adora.

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Cerejeiras. Foto: Eric Barbosa

E então, comecei meu período de férias renovada. Grata por tudo que tenho, grata por minha saúde, família, amigos. Grata pelo amor que ofereço e que recebo. Grata pela realização que meu trabalho me dá, todos os dias. Grata por ter mudado tanto, de 2014 para cá. Grata por não ter deixado que os muitos percalços mudassem negativamente meu coração. Grata por manter firme a promessa que fiz a mim e ao meu avô, em 2012. Grata por tudo – de bom e de ruim que me acontece. Pois sabe? Tudo faz parte da vida. A vida é essa intensa resolução de percalços! Isso é viver. E é muito bom entender que o amor que oferecemos aos outros, nasce do amor que oferecemos a nós mesmos, quando passamos a ser mais gentis conosco, menos julgadores de nossas ações e das ações dos demais.

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Abraçamos o mundo com o amor com o qual aprendemos a nos abraçar. Foto: Eric Barbosa

Um grande beijo estampado a todos vocês. Que a felicidade seja um caminho a ser percorrido e que possamos apreciar cada passo que damos durante essa nossa jornada de aceitação pessoal e de realização profissional. E ah! Não se esqueçam de algo muito importantes: vivam cada dia cultivando apenas o que houver de melhor em vocês. A vida é um presente lindo demais para seguirmos deixando embrulhado dentro da estante do tempo, que passa.

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2 comentários

  1. Que lindo amiga! Eu tenho esse livro e deixei a leitura pela metade! Que bom que vim ler teu post, vou voltar a ler o livro, começar do zero novamente. A gente esquece mesmo de agradecer a vida ao invés disso só se queixa, eu tenho muito esse defeito, mas sempre procuro melhorar, é uma luta, diária!

    Aproveita teus dias de férias! Um beijão!

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    • Querida! Amei teu comentário. A luta é diária e é possível enxergar beleza em meio ao cotidiano. O próprio cotidiano já é super especial. Beijos no coração!

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