E aí? Teu pensamento dá match com as tuas ações? Todos somos muito iguais tentando ser diferentes

Olá! Tudo bem com vocês? Eu estou melhorando de uma gripe monstra, ainda um pouco fanha e rouca, mas seguindo. Temos que seguir, não é mesmo? Trabalho, vida, afazeres, tudo aí, esperando por nós. “As coisas não se fazem sozinhas!”, ouço muito da minha mãe, verdadeira abelhinha – linda! – e atarefada de sempre. E é verdade. Então, Tina, vá em frente rouca e louca mesmo, mas vá!

Mas o assunto de hoje não é gripe, nem o nosso agitado cotidiano. Bem, talvez seja sobre o caos interior que a gente sente nesse cotidiano, que por vezes nos sufoca, que por vezes nos emudece. Caos este, que nos força a tentar fazer tudo diferente, todos os dias, após colecionarmos infrutíferas tentativas de parecermos notáveis, inteligentes, sagazes, especiais. Haja Instagram para tanta foto de cima para baixo com foco em peitos e bundas… haja Instagram para camuflar o vazio que se sente por estarmos quebrados por dentro e fazendo de conta de que sim, tá tudo bem. Tá tudo ótimo.

Em tempo, nada contra fotos de cima com destaque para peitos e bundas. Seja feliz!  Peitos mostrados não são apenas os femininos, ok? Tem muitos caras que mostram o peito definido e escondem as perninhas fininhas, fininhas. Mas mostre o que quiser, tá tudo lindo. Mas… o que eu conheço de gente insegura na realidade que se camufla em fotos sensuais nas redes sociais, meus amigos… não é nem uma, e nem duas pessoas. São muitas.

E ai tu vai lá e pergunta se está tudo bem e às vezes estas pessoas se abrem com “Não, Tina… to desempregada”, “não acho um cara que preste”, “as mulheres só querem curtir”, e outros tantos exemplos que eu poderia dar.

-Foto 02
Ser e parecer: os dois lados da mesma moeda do nosso comportamento. Fonte – https://conhecimentocientifico.r7.com/

Vocês já se pegaram respondendo com mentiras brandas a alguma pergunta íntima que no fundo, bem no fundo, não daria para ser respondida em poucas linhas de mensagem de WhatsApp ou em um áudio de menos de 1 minuto?

E já usaram de mentiras brandas para responder algo para alguém que

a) na verdade não se importa, quer apenas saber da tua vida por educação/especulação/maldade;
b) não possui interesse pela resposta real – a qual não é glamourosa e nem bonita;
c) no fundo, tu apenas deseja que o assunto acabe logo?

Já? Eu sim. Tenho certeza de que vocês também já passaram por isso. Passam por isso.

Mas não é elegante nem ‘instagramável’ falar sobre nossas dores, sobre os cacos quebrados dentro da gente, os quais tentamos remendar de todos os jeitos, a toda a hora, mas que voltam a separar-se em dolorosas explosões a cada nova decepção.

A Jout Jout, Youtuber, fez um vídeo há 3 meses atrás, que é simplesmente fantástico.

-Foto 03
A carismática Jout Jout – Julia Tolezano

“Eu acho que a gente tem que se perguntar se as coisas que a gente gosta, a gente gosta porque realmente gosta ou a gente gosta porque era para a gente gostar”.

Deu nó aí? Calma, vamos ler de novo. Quando eu ouvi a Jout Jout falando isso pela primeira vez, glup. A saliva desceu com dificuldade na garganta. Um pouco por mim, um pouco por todos que precisam, vez ou outra, diluir-se em meio aos demais para não sobressair-se na estranheza de precisar lutar para ser quem realmente é ou que gostaria de ser. É difícil.

Eu, por exemplo, em meio a essa bagunça que estamos vivendo no nosso país, onde tá tudo tão errado que nem sei por onde começar a falar sobre, tenho me mantido quieta nas redes sobre vários assuntos polêmicos. E eu optei por diluir-me não por ser covarde. Optei assim, para me poupar da aspereza das brigas infrutíferas dos que se autodeclararam donos da verdade.

Eu sofro com os absurdos. Eu passo mal fisicamente. Eu choro. Eu me vou junto com cada menina espancada até a morte, como no triste caso recente da adolescente espancada até morrer, aos 14 anos, por ciúmes. Outras gurias de 15 anos a torturaram e a jogaram no mar. E como se não bastasse, filmaram o ato, tiraram fotos e publicaram nas redes sociais. A menina que filmou, era sua ex-namorada.

“Ah, Tina! Que sumida! Não entra mais no Facebook?” […]

Por que será? Enfim.

Nossa sociedade está doente? Muito. As meninas que cometeram o crime com apenas 15 anos de idade, sofrem da mesma doença crônica que muitos outros adultos, instruídos ou não, nesse nosso Brasilzão aí.

Sofrem e fazem sofrer, pois o ódio é uma das coisas mais contagiantes que existem e isso me dá medo.

Mas voltando à fala da Jout Jout: As coisas que tu gosta, tu realmente gosta? Andar de salto alto na grama fofa de um jardim para poder postar uma foto linda e bucólica ao clima do campo? Fazer academia e publicar algo nas redes como ‘tá pago’, mostrando a todos como tu és fitness? Fazer um prato de salada gigante, pensando na picanha do churrasco do vizinho, cujo cheirinho tá entrando na tua casa e adentrando tuas narinas?

Ok, exemplos bobos, eu sei. Mas acredito que cheguei em um ponto interessante e que acaba sendo esquecido aqui e ali. Vale a pena pensar mais e refletir mais sobre isso. Afinal…

Todos somos muito iguais tentando ser diferentes.

Viajamos e postamos tudo, mas tudo o que fazemos. Do nascer do sol ao prato do dia do restaurante internacional. As legendas são sempre impactantes. Na era das aparências, não é preciso mais se preocupar com alguém que vá checar a tua real notoriedade: basta parecer ser notável. E essa armadilha aí, pega muitos.

Entre verdades e mentiras; fotos fakes que retratam uma vida fake, sorrisos fakes, felicidade fake; entre a mesmice diária do trabalhar para pagar as contas e o desejo quase que incontrolável de estar lindo sempre, o tempo se esvai e passa, caindo pela ampulheta e virando passado.

-Foto 04 - Fotografia de Noah Buscher
O que realmente vale a pena? Vale a reflexão

Pintamos nossos cabelos de todas as cores. Queremos ser diferentes na fala, no jeito, no modo. Queremos um estar ‘permanentemente impermanente’, mas o ser?

O ser, este é muitas vezes esquecido.

Falamos tanto em humildade. “Fulano adora humildade, ele é muito humilde”.

Não, fulano é vaidoso. Vamos parar de mascarar a realidade? Deveríamos.

Faço algumas lives no meu perfil profissional do Instagram, falando sobre mercado de design de superfície, estampas, posicionamento, técnicas (acesse aqui). Nessas lives, às vezes eu uso o meu já conhecido batom vermelho, que amo usar. Mas às vezes, estou sem maquiagem mesmo. Inclusive, na maioria das vezes, estou sem maquiagem. Passo um rímel e um batom raramente e mais raramente ainda, um lápis no olho. Gosto da minha pele limpa, de sentir ela limpa. E isso causou estranheza em uma conhecida que encontrei recentemente.

“Nossa, tu nunca usa maquiagem né? Fica mais bonita maquiada, Tina! Tira essa cara de criança.”

Ah… as maravilhas das opiniões não solicitadas. Esse território inóspito no qual a falta de noção e empatia residem com suas crias – as gêmeas  Falta de Educação e Maldade.

“É, uso pouco. Eu me amo assim mesmo, limpa. Então não ligo muito para parecer ser algo que não eu mesma. Mas não quero ser julgada quando usar maquiagem, ok? Tenho o direito de querer mudar às vezes, certo?” – Disse, sorrindo.

Claro que a minha conhecida deu uma risadinha amarela e sem graça, mudando de assunto.

Incrível como respostas na lata e com verdade, amedrontam. Nossa! E nem era essa a minha intenção. Quis apenas estabelecer um pacto velado de demarcação de território, colocando uma cerquinha invisível que separa que aqui é meu lado, ali é o dela. Simples. Mas a sutileza nem sempre é percebida e às vezes, às vezes precisamos ser mais impetuosos e realmente nos defender de tudo e de todos que nos fazem mal. Em alguns casos, o afastamento é inevitável e até libertador. Amizades cítricas, outras cíclicas. Acontece.

Mas já pensaram? E se eu começasse a só andar maquiada porque a criatura lá disse que eu sou mais bonita fantasiada de mim do que sendo eu mesma? Eu faria isso por gostar de me maquiar, ou por fazer de conta para agradar a esta pessoa que convenhamos: não faz NADA por mim e não representa NADA significativo em minha vida?

Quando criança e adolescente, eu devia satisfações aos meus pais. Por um bom tempo da minha vida, achei que devia satisfações à sociedade. Aí eu cresci, evolui e hoje, hoje, meus amigos, hoje eu me blindo, claro… mas hoje eu me reservo ao direito de dar satisfações a quem eu quiser e se eu quiser, adulta que sou.

Não há mais a interpretação de textos. A maioria não lê mais. Não interpreta mais. Brigas por bobagens, rompimentos por bobagens. Fala-se tanto em ‘conversando a gente se entende’, mas justamente quem diz isso é o primeiro a bloquear a pessoa acusada do não-diálogo de todas as redes sociais. Maturidade, cadê você? Cri… cri… cri… eita! O grilo fugiu.

Talvez seja interessante analisar os nossos passos, pensar em como a gente pode sim, melhorar. E talvez seja uma questão, também, de tentar mais antes de desistir.

Eu sou dessas que acredita que:

“Não desista logo de cara, mas não tente para sempre”.

Resiliência é a nova glamourização do sofrimento. Eu acredito que devamos sim, lutar por aquilo e aqueles nos quais acreditamos. Mas quando as lutas viram guerras que não levam a lugar nenhum, é hora de avaliar o quão tóxica anda essa relação aí.

Todos somos muito iguais tentando ser diferentes. Os comportamentos são padronizados. As atitudes seguem uma receita de bolo mas a vida mostra que alguns ingredientes estão em falta no supermercado da razão… e pimba! O bolo desanda, ele perde a liga assim como nós perdemos a nossa essência.

Não que não possamos mostrar o que fazemos aos outros. Não que não possamos agir assim ou assado, como der na telha. Longe disso. Mas sabe? O texto de hoje é uma extensão de meus pensamentos recentes sobre algumas coisas que andaram acontecendo e me fazendo pensar. Pensar dói, machuca, mas é muito necessário. Pensar faz crescer.

Ser autêntico dá muito mais trabalho do que seguir o caminho já conhecido do padronizado.

E às vezes, nessa falsa sensação de quantidade de seguidores nas redes, a gente acaba mesmo por confundir e achar que tem um tantão de amigos, não é? Mas não temos, vocês já devem ter percebido isso. Quando o bicho pega, quando a dor destrói e quando o abraço se faz fundamental, são poucos os que se prestam a esta função amorosa e inabalável presente na singeleza do ‘vem, vai ficar tudo bem… eu estou aqui!’.

E então, é por isso que quando aquele ser que de quando em nunca te pergunta um superficial “tá tudo bem?”, ao invés de tu contar que está triste porque está preocupada com o irmão doente; com a prova da faculdade; com o ganho de peso; com o exame médico que não deu resultados bons; com a entrevista de emprego que não resultou em nada, etc, tu responde apenas “Umhum. Tudo bem”, sorrindo. Afinal de contas, existe um acordo de cavalheiros implícito nesse ato: a pessoa finge que se importa e tu faz de conta que acreditou na falsa preocupação. O assunto acaba e a vida segue.

Afinal, todos somos muito iguais tentando ser diferentes. Mas as nossas dores, assim como o modo com o qual tentamos camuflá-las, estas são muito semelhantes. Talvez fosse mais sensato pensar sobre os motivos que nos fazem reféns do pensamento de pessoas aleatórias. Talvez fosse mais producente tentar entender porque damos às aparências tanto poder sobre nós, nossas atitudes e nossas vidas. Mas o tempo passa, os dias nascem e morrem, as atividades não param e acabamos optando por postar selfies felizes ao invés de tentar conviver com nossos demônios internos, fazer as pazes conosco mesmos e tentar entender que sim, tá tudo bem em não estar feliz o tempo todo. Quem sabe um dia, não é mesmo?

Um beijo desta que vos escreve. Espero que tenham uma semana linda, mas caso não seja possível, tudo bem: o bom dos dias ruins, é que eles também passam.

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